LIÇÃO 11- UMA IGREJA HEBRÉIA NA CASA DE UM ESTRANGEIRO
Professor: Fernando Pessoa
INTRODUÇÃO:
Logo após ter passado a perseguição de Paulo, contra a igreja do Senhor
em atos 9 sua conversão foi um grande acontecimento, Jesus o escolheu para ser um arauto um pregador para o Gentios Ats 9:15 Disse-lhe, porém, o Senhor: Vai, porque este é para mim um vaso escolhido para levar o meu nome diante dos gentios, e dos reis, e dos filhos de Israel.
Com isso vai se quebrar as barreiras, entre Judeus e Gregos, acerca do evangelho do Senhor Jesus.
houve paz entre Eles.
Ats 9:31 Assim, pois, as igrejas em toda a Judéia, e Galiléia, e Samaria tinham paz e eram edificadas; e se multiplicavam, andando no temor do Senhor e na consolação do Espírito Santo.
Lucas enfatiza a fórmula de temer a Deus tanto no seu Evangelho Luc 1:50 E a sua misericórdia é de geração em geração sobre os que o temem.
Como em Atos. são tementes a Deus (os gentios abraçam a fé Judaica) que forma a base inicial da obra missionária aos Gentios Ats 10:2 piedoso e temente a Deus, com toda a sua casa, o qual fazia muitas esmolas ao povo e, de contínuo, orava a Deus.
Ats 10:22 E eles disseram: Cornélio, o centurião, varão justo e temente a Deus e que tem bom testemunho de toda a nação dos judeus, foi avisado por um santo anjo para que te chamasse a sua casa e ouvisse as tuas palavras.
Ats 10:35 mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e faz o que é justo.
O temor do Senhor produz confiança e obediência bem como também afasta-se do mal Jó 28:28 Mas disse ao homem: Eis que o temor do Senhor é a sabedoria, e apartar-se do mal é a inteligência.
Slm 111:10 O temor do SENHOR é o princípio da sabedoria; bom entendimento têm todos os que lhe obedecem; o seu louvor permanece para sempre.
Prv 1:7 O temor do SENHOR é o princípio da ciência; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução.
isso por sua vez resulta na CONSOLAÇÃO DO ESPÍRITO SANTO
Esta grande narrativa de Lucas mostrando em detalhes a conversão do gentio Cornélio demonstra a grande importância que esse fato tem para a fé cristã. Cornélio era um gentio e militar a serviço de Roma em Israel. Como centurião, ele comandava 100 homens (Mt 8.11; Lc 7.2-19).
Jesus diz em Mateus:
Mat 8:11 Mas eu vos digo que muitos virão do Oriente e do Ocidente e assentar-se-ão à mesa com Abraão, e Isaque, e Jacó, no Reino dos céus;
Jesus Cura do Servo de um Centurião
Luc 7:1 E, depois de concluir todos esses discursos perante o povo, entrou em Cafarnaum.
Luc 7:2 E o servo de um certo centurião, a quem este muito estimava, estava doente e moribundo.
Luc 7:3 E, quando ouviu falar de Jesus, enviou-lhe uns anciãos dos judeus, rogando-lhe que viesse curar o seu servo.
Luc 7:4 E, chegando eles junto de Jesus, rogaram-lhe muito, dizendo: É digno de que lhe concedas isso.
Luc 7:5 Porque ama a nossa nação e ele mesmo nos edificou a sinagoga.
Luc 7:6 E foi Jesus com eles; mas, quando já estava perto da casa, enviou-lhe o centurião uns amigos, dizendo-lhe: Senhor, não te incomodes, porque não sou digno de que entres debaixo do meu telhado;
Luc 7:7 e, por isso, nem ainda me julguei digno de ir ter contigo; dize, porém, uma palavra, e o meu criado sarará.
Luc 7:8 Porque também eu sou homem sujeito à autoridade, e tenho soldados sob o meu poder, e digo a este: vai; e ele vai; e a outro: vem; e ele vem; e ao meu servo: faze isto; e ele o faz.
Luc 7:9 E, ouvindo isso, Jesus maravilhou-se dele e, voltando-se, disse à multidão que o seguia: Digo-vos que nem ainda em Israel tenho achado tanta fé.
O texto diz que ele era da “coorte” italiana. Uma coorte era a décima parte de uma legião que era composta por 6 mil homens. Lucas destaca que Cornélio era um gentio temente a Deus. Convém destacar que, em relação à religião judaica dos dias do Novo Testamento, é possível identificar três classes de pessoas.
Primeiramente, temos o judeu de nascença, considerado o povo da aliança. Foi aos judeus que Deus havia se revelado (Gn 12.1).
Gên 12:1 Ora, o SENHOR disse a Abrão: Sai-te da tua terra, e da tua parentela, e da casa de teu pai, para a terra que eu te mostrarei.
Em segundo lugar, temos o “prosélito”, um gentio que se convertia ao judaísmo, submetia-se ao rito da circuncisão e guardava todas as leis cerimoniais.
Por último, temos os “tementes a Deus”, um gentio monoteísta que aceitava a maioria das leis cerimonialistas do judaísmo, incluindo a observância do sábado e prescrições alimentares sem, contudo, submeter-se ao rito da circuncisão.
O capítulo 10 de Atos trata de uma das mais importantes conversões da história. No capítulo 9, vimos a conversão de um perseguidor implacável. No capítulo 10 vemos a conversão de um homem piedoso. Essas foram as duas mais importantes conversões retratadas no livro de Atos.
Destacamos aqui sete fatos importantes acerca de Cornélio.
Em primeiro lugar, quanto à sua profissão, um soldado graduado (10.1).
Ats 10:1 E havia em Cesaréia um varão por nome Cornélio, centurião da coorte chamada Italiana,
Cornélio era um centurião romano, destacado em Cesareia, cidade edificada por Herodes o Grande, às margens do mar Mediterrâneo. Ali se encontrava o quartel-general do governo romano na Palestina, ou seja, o centro
Governamental para a administração romana na Judeia. Homem de muitas patentes. Na organização militar a legião ocupava o primeiro lugar.
A corte estava dividida em centúrias, composta por 100 soldados cada, sobre as quais mandava um centurião. Os centuriões eram a espinha dorsal do exército romano.
Deus recruta pessoas para o seu reino de todos os lugares. Cornélio era um soldado romano, mas foi alistado na família de Deus para ser um soldado de Cristo.
Em segundo lugar, quanto à sua relação com o próximo, um homem generoso (10.2,3).
A piedade não pode ser separada da caridade. Cornélio não se endureceu no exercício do seu trabalho; antes, era um homem de coração generoso. Dava muitas esmolas ao povo, praticava obras que abençoava as pessoas (10.2) e até chegavam diante de Deus no céu (10.4).
Cornélio tinha o coração, as mãos e o bolso abertos para ajudar os necessitados. Seu amor não era apenas de palavras, mas de fato e de verdade. Ele não dava esmolas esporádicas para aliviar sua consciência, mas efetivamente socorria os necessitados no meio do povo. Mesmo sendo um gentio e vivendo em terras palestinas, era generoso em dar, em vez de explorar o povo.
Em terceiro lugar, quanto à sua relação com Deus, um homem piedoso e temente (10.2).
Deus sempre busca aqueles que o buscam. Cornélio era um homem piedoso e temente a Deus. Abandonara a religião ancestral dos romanos com seus muitos deuses e ídolos. Cansara do politeísmo e da idolatria do seu povo. Deixará os muitos deuses romanos e voltará para o Deus vivo.
Cornélio era um prosélito. Abraçara a fé judaica e passara a acreditar em Deus. Rompera com sua religião, com seus deuses, com seus cultos. Sua teologia havia mudado, e sua vida exterior também.
Em quarto lugar, quanto à sua vida devocional, um homem de oração (10.2,4).
Cornélio era um homem que tinha uma vida intensa de oração. De contínuo orava a Deus (10.2).
Suas orações subiram ao Senhor (10.4). Cornélio era um homem conhecido na terra e conhecido no céu. Não só tinha abandonado seus deuses, mas tinha agora necessidade de ter comunhão com o Deus vivo. Sua vida de oração era abundante. Ele falava com Deus continuamente e tinha fome de Deus. Foi na hora nona de oração que o Senhor lhe enviou um anjo (10.30).
Em quinto lugar, quanto à sua família, um líder exemplar (10.2).
Cornélio não era um líder eficaz apenas fora de casa, mas também e, sobretudo, dentro de casa. Possuía autoridade com seus soldados e também com seus familiares.
Era um homem íntegro e de vida exemplar dentro do seu lar. Liderou sua casa para buscar a Deus e ser uma família piedosa e temente a Deus. Era o sacerdote do seu lar. Muitos homens têm medalhas fora dos portões, mas
fracassam dentro do lar. Cornélio era um líder dentro e fora de casa. Sua vida era bela por fora e por dentro. Ele não vivia de aparências. Era um homem coerente e íntegro.
Em sexto lugar, quanto ao seu testemunho, um homem de influência (10.2,7,22).
Cornélio liderou espiritualmente sua família (10.2). Também influenciou espiritualmente alguns dos soldados que estavam sob a sua autoridade
(10.7). Tinha bom testemunho de toda a nação judaica (10.22). Exercia sua influência dentro de casa (10.2), no trabalho (10.7) e na sociedade (10.22). Cornélio deixava sua marca por onde passava.
Em sétimo lugar, quanto à sua disposição de agradar a Deus, um homem pronto (10.4,5,8,33). Alguns fatos sobre Cornélio são dignos de nota. Ele possuía um conhecimento limitado, a ponto de se prostrar diante de Pedro e adorá-lo (10.25,26).
Ats 10:25 E aconteceu que, entrando Pedro, saiu Cornélio a recebê-lo e, prostrando-se a seus pés, o adorou.
Ats 10:26 Mas Pedro o levantou, dizendo: Levanta-te, que eu também sou homem.
Confundiu a criatura com o Criador e o evangelista com o evangelho. Pedro, porém, o corrigiu ordenando-lhe adorar a Deus.
I- A REVELAÇÃO DE DEUS AOS GENTIOS
A VISÃO DE CORNÉLIO .
A Revelação Divina aos Gentios
Foi durante a hora nona, isto é, as três horas da tarde, quando se apresentava no Templo o sacrifício vespertino, que Cornélio teve uma visão. Nessa visão, um anjo de Deus orientou-o a chamar o apóstolo Pedro para dizer-lhe “palavras com que te salves, tu e toda a tua casa” (At 11.14). O anjo mesmo não lhe pregou o evangelho, mas orientou-o acerca de quem poderia fazer isso. A carta aos Hebreus informa-nos que os anjos são mensageiros de Deus enviados a favor daqueles que vão herdar a salvação (Hb 1.14). A pregação do evangelho, portanto, não é missão dos anjos; é missão do crente em Jesus.
A EXPERIÊNCIA ESPIRITUAL DE PEDRO
No dia seguinte, Pedro também teve uma visão. Por volta do meio-dia, quando lhe preparavam uma refeição, sobreveio-lhe um êxtase. Um objeto no formato de um lençol descia do céu e, dentro dele, havia toda sorte de quadrúpedes, répteis da terra e aves do céu. A ordem divina para Pedro era que ele matasse e comesse-os. Sabendo que aqueles eram animais imundos, Pedro apresentou a sua recusa ao Senhor. Deus diz a Pedro que ele não deveria considerar comum ou imundo aquilo que o Senhor purificou. A visão foi dramática. Pedro estava perplexo procurando entender a visão. Foi, então, que chegaram os emissários do centurião Cornélio. Instruído pelo Espírito Santo, Pedro vai com eles e, quando chega à casa do gentio, prontifica-se a atendê-los no que foi solicitado.
URGÊNCIA NA PREGAÇÃO DO EVANGELHO
Cornélio era sedento para ouvir a Palavra de Deus (10.24,33).
Cornélio tinha pressa e disposição de ouvir a Palavra de Deus. Estava esperando pela chegada de Pedro (10.24). Preparou-se para receber a Palavra, pois almejava saber o que Deus reservara para sua vida.
Cornélio ansiava levar outras pessoas a conhecer a Deus como ele (10.24,33). Cornélio reuniu seus parentes e amigos íntimos. Queria compartilhar com sua família e seus amigos a mensagem a ser recebida. Possuía um espírito
evangelístico antes mesmo de sua conversão.
II- A SALVAÇÃO DOS GENTIOS
- A PREGAÇÃO AOS GENTIOS
A Mensagem aos Gentios
Deus ama e quer salvar a todos
“E, abrindo Pedro a boca, disse: Reconheço, por verdade, que Deus não faz acepção de pessoas” (At 10.34). Tendo chegado à casa de Cornélio,
Pedro logo discerniu o sentido da visão que tivera — Deus não exclui ninguém do seu plano salvífico. Ele quer salvar a todos (2 Pe 3.9; 1 Tm 2.4).
2Pe 3:9 O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; mas é longânimo para convosco, não querendo que alguns se percam, senão que todos venham a arrepender-se.
1Tm 2:4 que quer que todos os homens se salvem e venham ao conhecimento da verdade.
Os gentios, portanto, foram incluídos no plano salvífico de Deus. Até então, Pedro acreditava que os judeus eram os únicos escolhidos no plano da redenção.
Deus proveu salvação para toda a humanidade, sem exceção: “Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo [não apenas alguns selecionados]” (2 Co 5.19); “Reconciliou ambos [judeus e gentios] a Deus em um corpo pela cruz” (Ef 2.16). A Bíblia põe em relevo o caráter universal da expiação: “E ele é a propiciação [ou propiciatória] pelos nossos pecados — e não somente pelos nossos próprios, mas também pelos do mundo inteiro” (1 Jo 2.2, NAA; Rm 5.6-18). Assim sendo, ninguém é excluído nessa reconciliação” (Hb 2.9; At 10.34).
A Bíblia contraria o ensino que afirma que somente os eleitos são influenciados a arrepender-se e crer no evangelho. Contra essa teoria, destacam-se Palavras de Jesus: “E eu, quando for levantado da terra, todos atrairei a mim” Jo 12.32). Há vários textos bíblicos que corroboram esse fato: “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo não para que condenasse o mundo [isto é, as pessoas no mundo], mas para que o mundo fosse salvo por ele (Jo 3.16,17).
- A CONVERSÃO DOS GENTIOS
Ats 11:18 E, ouvindo estas coisas, apaziguaram-se e glorificaram a Deus, dizendo: Na verdade, até aos gentios deu Deus o arrependimento para a vida.
A notícia da conversão dos gentios sai de Cesareia e chega a Jerusalém. Os apóstolos e irmãos da igreja-mãe são informados de como Cornélio e sua casa aceitaram a Palavra
de Deus. Nessa informação, certamente há um misto de alegria e também de preocupação, pois é a primeira vez que um grupo de gentios é salvo e recebe o Espírito Santo.
III- O ESPÍRITO DERRAMADO SOBRE OS GENTIOS
O Pentecostes Gentílico
“E, dizendo Pedro ainda estas palavras, caiu o Espírito Santo sobre todos os que ouviam a palavra. E os fiéis que eram da circuncisão, todos quantos tinham vindo com Pedro, maravilharam-se de que o dom do Espírito Santo se derramasse também sobre os gentios. Porque os ouviam falar em línguas e magnificar a Deus” (At 10.44-46).
O Espírito foi derramado sobre os gentios enquanto Pedro ainda pregava a Palavra. Um sinal notório serviu de evidência para os crentes judeus presentes que vieram com Pedro de que a salvação, de fato, fora dada aos gentios. Eles haviam recebido o Espírito Santo. Eles também os ouviram falar em outras línguas e magnificar a Deus. Fica evidente que esses crentes nessa época consideravam o fenômeno do falar em línguas como a evidência do batismo pentecostal.
Convém destacar que o falar em línguas em Atos (2.4; 10.46; 19.6) é o mesmo em natureza e essência daquelas faladas em 1 Corín- tios (14.2,4,5,13,14), porém diferindo no seu propósito. Na ocorrência de Atos 2.4, foram reconhecidas pelos presentes, mas isso não aconteceu com as línguas de Atos 10.46 e em 1 Coríntios, que, neste último caso, precisavam de interpretação para serem entendidas. Assim, as línguas são sempre espirituais, uma vez que são inspiradas pelo Espírito Santo, podendo, dessa forma, ser conhecidas por quem ouve e desconhecidas para quem fala ou desconhecidas para quem ouve e para quem fala, a menos que haja interpretação. A razão de que essas línguas são sempre espirituais está no fato de que o falante de línguas deve orar para interpretá-las, e não estudar como se requer de um aprendiz de idiomas (1 Co 14.13).

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