Estudo sobre a importância da Oração- III- Oração e desejo
TEXTO: Joã 16:23 E, naquele dia, nada me perguntareis. Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar.
Joã 16:24 Até agora, nada pedistes em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria se cumpra.
Joã 16:25 Disse-vos isso por parábolas; chega, porém, a hora em que vos não falarei mais por parábolas, mas abertamente vos falarei acerca do Pai.
Joã 16:26 Naquele dia, pedireis em meu nome, e não vos digo que eu rogarei por vós ao Pai,
Joã 16:27 pois o mesmo Pai vos ama, visto como vós me amastes e crestes que saí de Deus.
DESEJO
"Desejo" significa o ato ou a vontade de querer, ter ou conseguir algo, sendo também uma aspiração ou necessidade. Pode se referir a anseios, objetivos, cobiças ou mesmo atração sexual. A palavra vem do latim, de "deseedium" ou "desidia", e pode ser utilizada como substantivo (aquilo que se deseja) ou como verbo (a ação de desejar).
O DESEJO não é meramente uma simples vontade, é um desejo ardente
profundamente arraigado, uma espera intensa pela realização. No campo dos assuntos espirituais, é um importante adjunto à oração. Ele é tão importante que quase se pode dizer que o desejo é um absoluto essencial da oração.
O desejo precede a oração, acompanha-a e é seguido por ela. O desejo vai adiante da oração e, por ela, é criado e intensificado.
A oração é a expressão oral do desejo.
Se a oração está pedindo para Deus fazer alguma coisa, então ela deve ser expressa. A oração expressa. O desejo é silente.
A oração é ouvida; o desejo, não.
Quanto mais profundo o desejo, mais forte a oração.
Sem desejo, a oração é um amontoado de palavras sem sentido.
Esse tipo de oração perfunctória, formal, sem o coração, sem sentimento, sem um desejo real que a acompanhe, deve ser evitada como uma peste. Seu exercício é uma perda de tempo precioso e, dela, não provém nenhuma bênção.
No entanto, mesmo que fosse descoberto que o desejo está honestamente ausente, deveríamos orar, de qualquer modo. Devemos orar.
O “devemos” serve para que o desejo e a expressão sejam cultivados. A Palavra de Deus ordena isso.
Nosso entendimento nos diz que devemos orar – quer sintamos que gostamos disso ou não – e não permitir que nossos sentimentos determinem nossos hábitos de oração. Em tal circunstância, devemos orar pelo desejo de orar, pois esse desejo é dado por Deus e nascido no céu. Devemos orar pelo desejo. Então, quando o desejo for dado, devemos orar conforme o que ele ditar. A falta de desejo espiritual deveria nos afligir e nos levar a lamentar sua ausência, a buscar sinceramente sua concessão, para que nossa oração, daí por diante, seja uma expressão do “sincero desejo da alma”.
Um sentimento de necessidade cria, ou devia criar, um desejo sincero. Quanto maior o sentimento de necessidade diante de Deus, maior será o desejo e mais sincera será a oração. Os “pobres de espírito” são eminentemente competentes para orar.
Mat 5:3 Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos céus;
Luc 12:15 E disse-lhes: Acautelai-vos e guardai-vos da avareza, porque a vida de qualquer não consiste na abundância do que possui.
1Co 7:31 e os que usam deste mundo, como se dele não abusassem, porque a aparência deste mundo passa.
Falando desse estado de pobreza podemos nos aproximar de Deus com o desejo enorme com um apetite espiritual, com fome com sede de Deus um desejo ardente dentro do nosso interior.
Mat 5:6 bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
A fome é um sentimento ativo de necessidade física. Ela estimula o pedido por pão. Da mesma forma, a consciência interior de necessidade espiritual cria o desejo e o desejo irrompe em oração. O desejo é uma espera interior por algo que não possuímos e de que precisamos – algo que Deus prometeu e que pode ser assegurado por uma súplica sincera ao seu trono de graça.
O desejo espiritual, elevado a um grau superior, é a evidência do novo
nascimento. Ele nasce na alma renovada: “Desejai ardentemente, como crianças recém-nascidas, o genuíno leite espiritual, para que, por ele, vos seja dado crescimento para salvação”. (1Pe 2.2)
Como filhos nascidos de Deus 1Co 6:19 Ou não sabeis que o nosso corpo é o templo do Espírito Santo, que habita em vós, proveniente de Deus, e que não sois de vós mesmos?
Gál 4:6 E, porque sois filhos, Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Aba, Pai.
Neste sentido devemos desejar pelo leite puro da Palavra de Deus
1Pe 1:23 sendo de novo gerados, não de semente corruptível, mas da incorruptível, pela palavra de Deus, viva e que permanece para sempre.
1Pe 1:24 Porque toda carne é como erva, e toda a glória do homem, como a flor da erva. Secou-se a erva, e caiu a sua flor;
1Pe 1:25 mas a palavra do Senhor permanece para sempre. E esta é a palavra que entre vós foi evangelizada.
UM SINAL SEGURO DO NOSSO CRESCIMENTO ESPIRITUAL É UM FORTE DESEJO DE NOS ALIMENTAR COM A PALAVRA VIVA PERMANENTE DE DEUS, ASSIM DEVEMOS ESTAR ALERTA QUANDO A PERDA DA FOME E SEDE PELA A PALAVRA DE DEUS.
Devemos estar sempre com o desejo aguçado para a busca ao nosso Deus desejo ardente pela oração.
A ausência deste desejo santo no coração é prova presumível de um declínio no êxtase espiritual ou de que o novo nascimento nunca aconteceu.
Esses apetites dados pelo céu são a prova de um coração renovado, a evidência de uma vida espiritual inspiradora. Os apetites físicos são os atributos de um corpo vivo, não de um cadáver, e os desejos espirituais pertencem à alma que se tornou viva para Deus. E quando a alma renovada tem fome e sede de justiça, esses desejos interiores irrompem em uma oração sincera.
Na oração, devemos nos apegar ao nome, ao mérito e à virtude intercessória de Jesus Cristo, nosso grande Sumo Sacerdote.
Sondando as condições e forças que acompanham a oração, chegamos à sua base vital, que fica sediada no coração humano.
Não é apenas nossa necessidade, é o anseio do coração humano pelo que precisamos e por aquilo que nos sentimos impelidos a orar. O desejo é a vontade em ação, é uma espera forte e consciente, agitada, na natureza interior, por algum grande benefício. O desejo exalta o objeto de sua espera e focaliza a mente nele. Ele tem escolha, estabilidade e chama dentro de si e a oração, baseada nisso, é explícita e específica. Ele sabe do que precisa, sente e vê o que suprirá sua necessidade e se apressa para adquiri-lo.
O desejo santo é muito auxiliado pela contemplação piedosa.
A meditação sobre nossas necessidades espirituais e a prontidão e o poder de Deus para supri-las ajuda o desejo a crescer.
O pensamento sério, engajado em oração, aumenta o desejo, torna-o mais insistente e tende a nos salvar da ameaça da oração privada – o pensamento distraído.
Falhamos muito mais em desejar do que em expressá-lo externamente. Conservamos a forma, enquanto a vida interior murcha e quase morre.
Pode-se bem perguntar se a fragilidade de nossos desejos por Deus, pelo Espírito Santo e por toda a plenitude de Cristo não seria a causa de orarmos tão pouco e de nosso enfraquecimento na prática da oração. Realmente sentimos esses suspiros internos de desejo pelos tesouros celestiais?
Os gemidos inerentes do desejo estimulam nossa alma a lutas poderosas?
Ai de nós! O fogo queima muito baixo. O calor flamejante de nossa alma foi temperado e se transformou em mornidão. Esta, deve-se lembrar, foi a causa central da triste e desesperada condição dos crentes de Laodiceia, sobre os quais se pronuncia a terrível condenação: “Dizes: Estou rico e abastado e não preciso de coisa alguma, e nem sabes que tu és infeliz, sim, miserável, pobre, cego e nu”(Ap 3.17).
JOÃO 16 Parte b-Mui solenemente eu lhes asseguro, tudo quanto pedirem ao Pai, ele lhes dará em meu nome.
Para essas solenes palavras de introdução (muito apropriadas em um a predição tão impressionante!), ver sobre 1.51.
A transição de perguntar (16.23a) Joã 16:23 E, naquele dia, nada me perguntareis
para petição (aqui em 16.23b)Na verdade, na verdade vos digo que tudo quanto pedirdes a meu Pai, em meu nome, ele vo-lo há de dar.
não é tão abrupta como possa parecer. Quando alguém está profundamente preocupado com alguma questão, desejando ardentemente receber a explicação de um mistério, o pedido de informação prontamente se transforma no pedido de um favor.
As palavras dessa promessa lembram as de 14.13, 14; 15.7; e
Joã 14:13 E tudo quanto pedirdes em meu nome, eu o farei, para que o Pai seja glorificado no Filho.
Joã 14:14 Se pedirdes alguma coisa em meu nome, eu o farei.
Joã 15:7 Se vós estiverdes em mim, e as minhas palavras estiverem em vós, pedireis tudo o que quiserdes, e vos será feito.
especialmente 15.16.
Joã 15:16 Não me escolhestes vós a mim, mas eu vos escolhi a vós, e vos nomeei, para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto em meu nome pedirdes ao Pai ele vos conceda.
Para explicação, ver sobre essas passagens. Há, contudo, uma diferença importante. Agora aprendemos que não só pedir é em nome de Cristo, mas também dar.
O Pai dará em harmonia com sua inteira revelação redentora que se centra no Filho, e com base em seu amor pelo Filho e no sacrifício deste. A união dos crentes com Cristo tem dois resultados práticos: de um lado, os amigos de Jesus são perseguidos por causa dele (15.21); do outro lado, eles são abençoados por amor a ele.
Joã 16:24 Até agora, nada pedistes em meu nome; pedi e recebereis, para que a vossa alegria se cumpra.
Isto é, até esse momento os discípulos, em suas orações, tinham se dirigido diretamente a Deus, sem fazer menção do nome de Jesus. Não que a mera menção do nome fosse ajudar algo. Certamente, quando um crente conclui sua oração dizendo, “Tudo isso pedimos no nome de Jesus”, ele não está usando uma fórmula mágica. O que ele quer dizer é, “Pedimos isso com base nos méritos de Cristo e em harmonia com sua revelação redentora”. Os discípulos não vinham fundamentando suas petições nesse argumento. Segundo alguns, esse era um erro da parte deles, pelo qual Jesus, por implicação, os repreende. Segundo outros, não havia nenhum a falha da parte deles, porquanto o trabalho de redenção
ainda não tinha sido completado. O texto (16.24) não resolve essa questão a favor de nenhum dos lados. O ponto principal é que doravante
deve haver uma mudança. Então Jesus prossegue: Peçam e recebam. “Continuem pedindo”, diz ele. Segundo a frase precedente, ele quer dizer: “Continuem pedindo em meu nome.” A promessa, “e receberão”, em substância, é a mesma encontrada no Sermão do Monte (Mt 7.7).
Mat 7:7 Pedi, e dar-se-vos-á; buscai e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á.
Qualquer pessoa que pede no espírito da revelação de Cristo, portanto, conforme a vontade de Deus, para o fomento de sua glória, tom base nos méritos de Cristo - receberá. E o propósito que o Senhor (cm em mente é este: Para que sua alegria seja completa. Mediante constante comunhão com Deus em oração, e pelo fato de receber respostas às orações, tudo quanto estiver faltando na alegria dos discípulos seria suprido, até que o cálice da alegria transbordasse plenamente.
Novamente: bem podemos perguntar se temos o desejo que nos leva a uma comunhão mais íntima com Deus, que é cheio de ardores indescritíveis e nos prende ali pela agonia de uma súplica intensa e estimuladora da alma. Nosso coração precisa ser trabalhado não somente para expulsar o mal, mas para colocar dentro dele o bem. E o fundamento e a inspiração do bem é o desejo forte e propulsor. Esta chama santa e ardente na alma desperta o interesse pelo céu, atrai a atenção de Deus e coloca à disposição daqueles que o praticam as inesgotáveis riquezas da graça divina.
Uma falta de ardor em oração é o sinal certo de uma falta de profundidade e de intensidade de desejo e a ausência de desejo intenso é um sinal certo da ausência de Deus no coração. Abater o fervor é afastar-se de Deus. Ele pode tolerar e, de fato, tolera muitas coisas como enfermidade ou erro de seus filhos. Ele pode perdoar e, de fato, perdoa o pecado quando o crente arrependido ora, mas duas coisas são intoleráveis para ele – falta de sinceridade e mornidão. A falta de
sinceridade e a falta de calor são duas coisas que ele repudia e, aos crentes de Laodiceia, ele disse, em termos de inequívoca severidade e condenação: “Quem dera fosses frio ou quente! Assim, porque és morno e nem és quente nem frio, estou a ponto de vomitar-te da minha boca”. (Ap 3.15, 16)
Este foi o juízo expresso de Deus sobre a falta de fogo em uma das sete igrejas da Ásia e esta é sua sentença contra os cristãos pela falta fatal de zelo santo. Na oração, o fogo é o poder motivador. Princípios religiosos que não emergem em chama não têm força nem efeito. A chama são as asas sobre as quais ele voa; o fervor é a alma da oração. “Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo” (Tg 5.16).
Tgo 5:16 Confessai as vossas culpas uns aos outros e orai uns pelos outros, para que sareis; a oração feita por um justo pode muito em seus efeitos. O amor é aceso por uma chama e a ardência é sua vida. A chama é o ar que o verdadeiro cristão respira. O amor alimenta o fervor. Ele pode suportar tudo, menos uma chama frágil. E ele morre, com frio e fome, quando a atmosfera ao seu redor é fria ou morna.
O desejo ardente é a base da oração incessante.
Não é uma inclinação rasa e instável, mas um ardor inextinguível que impregna, incandesce, queima e firma o coração.
É a chama de um princípio presente e ativo que cresce em direção a Deus, é o ardor impulsionado pelo desejo que queima seu caminho até o trono de misericórdia e recebe o que pediu.
É a pertinácia do desejo que dá vitória no conflito, em uma grande luta de oração. É o peso de um desejo significativo que
torna sóbria e traz tranquilidade à alma que acabou de emergir de suas batalhas poderosas. É o caráter abrangente do desejo que arma a oração com milhares de argumentos e a reveste com uma coragem invencível e um poder capaz de conquistar tudo.
Pode haver muitas coisas desejadas, mas elas são específica e individualmente sentidas e expressas. Davi não desejou tudo e não permitiu que seus desejos se espalhassem por toda parte e não
atingissem o objetivo. Aqui está o modo como o desejo se expressou: “Uma coisa peço ao Senhor, e a buscarei: que eu possa morar na casa do Senhor todos os dias da minha vida, para contemplar a beleza do Senhor e meditar no seu templo”. (Sl 27.4)
Sem desejo, não há peso de alma, nem noção de necessidade, nem visão, nem força, nem ardor de fé. Não há pressão poderosa, nem apego a Deus com uma tenacidade permanente e desesperada – “Não te deixarei ir se me não abençoares” (Gn 32.26).
Não há um total auto-abandono, como houve com Moisés, quando, perdido nos espasmos de um pedido desesperado, pertinaz e consumidor, clamou: “Agora, pois, perdoa-lhe o pecado; ou, se não, risca-me,
peço-te, do livro que escreveste” (Êx 32.32). Ou como houve com John Knox, quando argumentou: “Dê-me a Escócia, senão eu morro!”.
Deus se aproxima poderosamente da alma que ora. Ver a Deus, conhecê-lo e viver para ele – este é o objetivo de toda oração. A oração é, afinal, inspirada a buscar a Deus. O desejo da oração é inflamado para ver a Deus e ter uma revelação mais clara, mais plena e mais doce e mais rica dele.
Portanto, para aqueles que oram assim, a Bíblia se torna uma nova Bíblia e Cristo, um novo Salvador, pela luz e pela revelação do quarto trancado.
Afirmamos e reafirmamos que o desejo ardente – aumentado e sempre
aumentando – por melhores e mais poderosos dons e graças do Espírito de Deus é a herança legítima de uma oração verdadeira e eficaz. O eu e o serviço não podem ser separados. Mais que isso, o desejo deve se tornar intensamente pessoal, deve ser centralizado em Deus com uma fome e uma sede insaciável por ele e sua justiça. “A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo” (Sl 42.2).
O requisito indispensável de toda oração verdadeira é um desejo profundamente arraigado que busca o próprio Deus e permanece insatisfeito até que os pedidos feitos tenham sido ricos e abundantemente atendidos.
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