LIÇÃO 07 :OS PENSAMENTOS - A ARENA DE BATALHA NO VIDA CRISTÃ
PR. FERNANDO PESSOA
Pensamento Cristão
Em Cristo, somos chamados a derrubar fortalezas de engano, desmascarar raciocínios contrários à fé e submeter todo pensamento ao Seu senhorio. A mente obediente a Cristo é a chave para viver em santidade e vitória espiritual.
Introdução
A mente é o centro das decisões, dos desejos e das inclinações do ser humano. Desde a Queda, os pensamentos foram corrompidos pelo pecado (Gn 6:5), E viu o 'Senhor que a '’maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda ''imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. tornando-se uma arena de conflitos espirituais.
O apóstolo Paulo, inspirado pelo Espírito Santo, exorta-nos a conduzir nossos pensamentos à obediência de Cristo e a cultivar uma mente renovada (Rm 12:2). Rom 12:2 E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
Filipenses 4:8-9 estabelece o padrão divino para a disciplina mental cristã,
Flp 4:8 Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.
Flp 4:9 O que também aprendestes, e recebestes, e ouvistes, e vistes em mim, isso fazei; e o Deus de paz será convosco.
enquanto 2 Coríntios 10:3-5 nos lembra que essa batalha não é natural, mas espiritual, exigindo o uso de armas espirituais.
2Co 10:3 Porque, andando na carne, não militamos segundo a carne.
2Co 10:4 Porque as armas da nossa milícia não são carnais, mas, sim, poderosas em Deus, para destruição das fortalezas;
2Co 10:5 destruindo os conselhos e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo,
Nesta lição, veremos como administrar os pensamentos, entendendo que eles são determinantes para a vida cristã vitoriosa.
I - UMA VISÃO INTRODUTÓRIA
1. A experiência de Adão e Eva
A história da queda do homem nos mostra que a batalha começa na
mente. A serpente não atacou Adão e Eva com uma arma física, mas com uma mentira, semeando uma dúvida em seus pensamentos sobre a Palavra de Deus (Gênesis 3:1).
Gên 3:1 Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o SENHOR Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?
Apesar de sucinto, o relato de Gênesis 3.1-6 demonstra que houve um tempo de comunicação entre Eva e a serpente, durante o qual a mulher elaborou alguns pensamentos acerca da árvore da ciência do bem e do mal. Foi o seu imprudente diálogo com a serpente que a levou a pensar o que não devia.
O apóstolo Paulo explica que a mulher foi enganada (1 Tm 2.14),
1Tm 2:14 E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão.
ou seja, ela iniciou a conversa com um entendimento e passou a ter outro. Experimentou a alteração do seu sentimento (desejou o fruto) e da sua vontade e conduta (tomou do fruto e comeu) (Gn 3.6).
Gên 3:6 E, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela.
Eva abstinha-se antes do fruto da árvore da ciência do bem e do mal. Depois o desejou, tomou e comeu. Destacam-se no texto os adjetivos “boa”, “agradável” e “desejável”, todos ligados a sentimentos. Também se observa a expressão “vendo a mulher que”, que traduz a conclusão cognitiva, a manifestação de um novo entendimento. Houve, portanto, um ciclo de pensamentos do início do diálogo à decisão e ato.
A mudança de pensamento alterou o sentimento e, via de consequência, o comportamento. Eva, portanto, pensou o que não devia e foi enganada. Quanto a Adão, que não foi enganado, agiu de forma negligente, deixando de pensar o que devia. Adão simplesmente cedeu a sua vontade à oferta da mulher e pecou (Gn 3.6; 1 Tm 2.14).
A sugestão maligna de que Deus estava lhes negando algo bom foi acolhida, processada e, por fim, resultou em desobediência. A decisão de pecar não foi um ato impulsivo, mas o resultado final de uma batalha mental que foi perdida.
Isso nos ensina que o pecado sempre precede o pensamento, e o ato é apenas o fruto do que já foi concebido na arena da mente.
2. Conceito e origens.
A) Significado Etimológico
Do latim pensare, que significa "pesar", "avaliar", "pender na balança". O termo nos remete a um processo de ponderação, de análise cuidadosa e de julgamento.
B) Significado Científico
O pensamento é a atividade cognitiva do cérebro. É o processamento de informações, a formação de conceitos, a resolução de problemas e a tomada de decisões. É um fenômeno bioquímico e eletroquímico, resultado da atividade neural.
C) Significado Bíblico
O pensamento é a atividade do coração, entendido como o centro da personalidade humana (mente, vontade e emoções). Ele é a expressão mais íntima do nosso ser, de onde procedem nossas intenções, motivações e escolhas.
Não há um conceito fechado a respeito do pensamento, até pelo caráter amplo e abstrato da possibilidade de pensar. Beck (ibid., p. 231) conceitua-o como idéias que se processam em palavras, quadros ou imagens; ou seja, quando pensamos, passa pela nossa mente a formulação de palavras, formas, cores etc. Podemos afirmar que pensamentos são processos mentais constituídos de informações, reflexões, lembranças, emoções, sons, imagens.
“Todos os nossos pensamentos, sem exceção, são construídos a partir do que vemos, ouvimos, imaginamos e vivenciamos”.
3. O Pensamento na Bíblia: Uma Análise dos Termos Hebraicos e Gregos
A Bíblia usa diferentes termos para falar do pensamento, mas cada um deles ressalta um aspecto distinto da vida interior do ser humano. Vamos:
A) No Antigo Testamento
:(coração ,lêb (לֵב • Centro da vida interior (intelecto, vontade,
emoções).O homem "pensa com o coração". Ex.: Pv 23:7.
Prv 23:7 Porque, como imaginou na sua alma, assim é; ele te dirá: Come e bebe; mas o seu coração não estará contigo.
Ex.: Gn 6:5 mostra que pensamentos contínuos de maldade corrompem a
humanidade.
Síntese: No hebraico, "coração" e "pensamentos" se entrelaçam; o coração não é apenas sede de sentimentos, mas de raciocínios e decisões.
Gên 6:5 E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.
B) No Novo Testamento
➢ νοῦς (nous, mente): Capacidade racional de compreender, julgar e
decidir. Exemplo: "E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento (νοός)" (Romanos 12:2, ACF).
➢ διάνοια (dianoia, entendimento):
Pensamento profundo, reflexão e capacidade de compreensão.
Exemplo: "Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento (διανοίας)" (Mateus 22:37, ACF).
➢ καρδία (kardia, coração): Centro da vida interior (como no hebraico),
incluindo pensamentos.
Exemplo: "Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos (διαλογισμοὶ)" (Marcos 7:21, ACF).
➢ λογισμός (logismos, raciocínio/argumento):
Mar 7:21 Porque do interior do coração dos homens saem os maus pensamentos, os adultérios, as prostituições, os homicídios,
λογισμός denota os "raciocínios, argumentos ou conselhos da mente humana". A palavra tem a ver com o processo de calcular ou ponderar. Em 2 Coríntios 10:5, 2Co 10:5 destruindo os conselhos e toda altivez que se levanta contra o conhecimento de Deus, e levando cativo todo entendimento à obediência de Cristo,
Paulo a usa no plural (λογισμοὺς) para se referir aos argumentos ou "fortalezas" mentais que se opõem ao conhecimento de Deus. É o processo de pensamento que pode levar à rebelião espiritual, por isso, precisamos levá-l "cativo". Essa palavra se refere "a ação de raciocinar, meditar, deliberar".
Lições de 2 Coríntios 10:5
✓ Levar cativo todo entendimento: Submeter cada pensamento à obediência de Cristo. Paulo está dizendo que todo pensamento
humano precisa ser submetido ao senhorio de Cristo.
✓ Conselhos (logismous): Raciocínios, argumentos e ideologias contrários à fé.
✓ Fortalezas (ochyrōmata): Estruturas mentais ou culturais que resistem ao conhecimento de Deus.
A mente é o campo de batalha. Nossa vitória está em usar as armas espirituais (a verdade, a fé, a oração e a Palavra de Deus) para derrubar fortalezas, desmascarar conselhos enganosos e cativar todo pensamento a Cristo.
O pensamento é um ato espiritual que envolve raciocínio, consciência moral e inclinação do coração.
Na perspectiva bíblica, o pensamento não é apenas um fenômeno físico ou psicológico, mas envolve a dimensão espiritual do ser humano:
✓ Raciocínio: a capacidade de refletir, ponderar, avaliar e formar juízos (Fp 4:8; λογίζομαι – logizomai).
✓ Consciência moral: a capacidade de distinguir o certo do errado, de avaliar a conformidade dos pensamentos com a vontade de Deus (Rm 8:5-7; Tg 1:14-15).
Rom 8:5 Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito, para as coisas do Espírito.
Rom 8:6 Porque a inclinação da carne é morte; mas a inclinação do Espírito é vida e paz.
Rom 8:7 Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem, em verdade, o pode ser.
Rom 8:8 Portanto, os que estão na carne não podem agradar a Deus.
Tgo 1:14 Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.
Tgo 1:15 Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte.
✓ Inclinação do coração: o desejo interior que direciona pensamentos para o bem ou para o mal (Mt 15:19; Jr 17:9).
Mat 15:19 Porque do coração procedem os maus pensamentos, mortes, adultérios, prostituição, furtos, falsos testemunhos e blasfêmias.
Ou seja, o pensamento é um ato que revela e envolve o ser espiritual, pois manifesta o estado interior da pessoa diante de Deus.
C) Três Fontes de Influência dos Pensamentos
A Bíblia aponta três fontes primárias de onde emergem os pensamentos:
(1) De Nós Mesmos (Natureza Caída)
O homem natural, sem regeneração, pensa a partir de um coração corrompido. "Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso" (Jr 17:9). Paulo confirma: "os desígnios da carne são inimizade contra Deus" (Rm 8:7). Portanto, pensamentos carnais são frutos de nossa inclinação natural ao pecado.
Resumo:
• Nossa inclinação natural é pecaminosa: “os desígnios da carne são inimizade contra Deus” (Rm 8:7).
• Exemplos: inveja, cobiça, orgulho, nascem
do interior do homem (Tg 1:14-15).
• Esses pensamentos são autogerados pelo coração não santificado. Pensamentos autogerados são aqueles que surgem espontaneamente da carne, isto é, da natureza pecaminosa do homem, sem necessidade de
estímulo externo (nem do mundo, nem do diabo).
3. Características dos pensamentos
3.1. Continuidade
• Os pensamentos são permanentes, não cessam por si mesmos.
• Base bíblica: Gênesis 6:5 – “todos os dias da sua vida estão continuamente postos no mal” (homem natural).
Gên 6:5 E viu o SENHOR que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente.
• Explicação: Mesmo sem estímulo externo, a mente humana está constantemente gerando ideias e intenções.
2. Influenciabilidade
• Podem ser direcionados por Deus, pelo Espírito, ou desviados pelo inimigo e pelo mundo.
• Base bíblica: Hebreus 4:12 – a Palavra de Deus discerne os pensamentos e intenções do coração.
• Explicação: Pensamentos não surgem isolados; estão sujeitos a influências externas e espirituais.
3. Produtividade / Causalidade
• Os pensamentos geram emoções e ações correspondentes.
• Base bíblica: Mateus 15:19 – do coração procedem as intenções que se manifestam em ações.
• Explicação: O que pensamos influencia diretamente o comportamento, hábitos e decisões.
4. Velocidade / Fugacidade
• Pensamentos podem surgir rapidamente, como “flechas”.
• Base bíblica: Provérbios 25:18 – compara palavras a flechas; pensamentos impactam de forma ágil.
• Explicação: São rápidos e muitas vezes sutis, exigindo vigilância para que não conduzam ao pecado.
5. Potencial para o bem ou para o mal
• Pensamentos podem ser corruptos ou puros, edificantes ou destrutivos.
• Base bíblica: Salmos 19:14 – pensamentos e meditações podem ser agradáveis a Deus; Mateus 15:19 – pensamentos maus procedem
do coração pecaminoso.
• Explicação: A qualidade moral dos pensamentos depende da condição do coração e da orientação do Espírito.
II – A FORMAÇÃO DOS PENSAMENTOS
A ciência descreve que os pensamentos se formam a partir dos conteúdos captados pelos sentidos, processados pelo cérebro e organizados pela memória e raciocínio. Mas a Bíblia mostra que esses mesmos conteúdos
são filtrados e moldados pelo coração humano, seja para o pecado ou para Deus.
1. A porta de entrada: os sentidos
De acordo com a ciência, os órgãos dos sentidos (visão, audição, tato, olfato e paladar) são as principais portas de entrada de informações.
• Cada estímulo é convertido em sinais elétricos (impulsos nervosos).
• Esses sinais são enviados ao cérebro através dos nervos sensoriais.
• O cérebro organiza e armazena esses dados, transformando-os em memórias e representações internas.
Exemplo: Ao ver uma árvore, a retina capta a imagem, os sinais são enviados ao córtex visual, e a mente forma o conceito de “árvore” baseado em experiências anteriores.
2. O processamento mental
A mente não é apenas um depósito de informações, mas um processador ativo. A psicologia cognitiva descreve alguns passos.
Veja.
1. Percepção – interpretação do que os sentidos captaram (ex.: não apenas “ouvir um som”, mas “reconhecer uma voz”).
2. Atenção – seleção do que será focado (a mente filtra milhares de estímulos).
3. Memória – armazenamento de dados (de curto ou longo prazo).
4. Raciocínio/associação – a mente conecta dados antigos com novos, formando juízos e ideias.
5. Imaginação – a mente combina dados antigos para formar algo novo (pensar no que ainda não foi visto).
Aplicação espiritual
• Devemos cuidar dos sentidos (olhos, ouvidos) porque são as “portas de entrada” do pensamento (Sl 101:3).
• Precisamos permitir que o Espírito Santo renove a mente para pensar como Cristo (1Co 2:16; Rm 12:2).
• A mente é o campo da batalha espiritual; precisamos vigiar e discernir os
pensamentos, levando-os cativos a Cristo (2Co 10:5).
AUXÍLIO TEOLÓGICO
Cérebro e Mente
1. Cérebro
• Definição científica: Órgão físico, composto por bilhões de neurônios, responsável pelo processamento de informações, coordenação
motora, memória, percepção sensorial e funções fisiológicas.
• Função: Executa todos os processos biológicos e eletroquímicos que permitem que percebamos o mundo, armazenemos experiências e tomemos decisões.
• Limitação: O cérebro não explica a moralidade, intenção ou consciência
espiritual. Ele processa dados, mas não julga o certo ou errado por si só.
Exemplo: Quando você vê uma maçã, seu cérebro recebe sinais visuais, interpreta cores e forma a imagem da fruta.
2. Mente
• Definição bíblica e teológica: Não é um órgão físico, mas a faculdade do ser humano que pensa, raciocina, avalia, escolhe e reflete sobre valores. Envolve intelecto, vontade, emoções e consciência moral.
•Função: É onde se formam pensamentos conscientes, decisões morais e planos intencionais. É o centro da reflexão e julgamento interior, ligado ao coração.
• Dimensão espiritual: A mente pode ser influenciada pelo Espírito Santo (1Co 2:16; Rm 12:2) ou estar corrompida pela natureza caída (Rm 8:5-7).
II - A GESTÃO DOS PENSAMENTOS
1. Definição
A) Ponto de vista Bíblico (Filipenses 4:8)
Flp 4:8 Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai.
Gestão de pensamento é o processo consciente de supervisionar, avaliar, disciplinar e direcionar os pensamentos, de modo que eles estejam alinhados à vontade de Deus, à verdade bíblica e à santidade do coração.
Em outras palavras, é não deixar que qualquer pensamento nasça e floresça sem controle, mas filtrar, examinar e transformar cada ideia segundo os princípios de Deus.
B) A Visão da Psicologia e da Neurociência
Nessa perspectiva, a mente é vista como uma entidade complexa, mas não necessariamente espiritual, que pode ser treinada. Os pensamentos não são vistos como sendo diretamente influenciados por forças externas
como o mundo ou o maligno, mas sim como subprodutos da nossa experiência, memórias, ambiente, e da própria "programação" do
nosso cérebro.
A gestão de pensamentos, aqui, é um conjunto de habilidades que podemos aprender para lidar com pensamentos negativos, intrusivos ou autodestrutivos. O objetivo é alcançar um estado de clareza mental, foco e resiliência psicológica.
2. A gestão dos pensamentos à luz da Bíblia
A gestão bíblica dos pensamentos envolve observar, rejeitar, substituir, renovar e vigiar. É uma prática espiritual que transforma o coração e alinha a mente à vontade de Deus. Vejamos como fazer a nossa gestão dos
pensamentos.
(1) Reconhecer e examinar os pensamentos
• Explicação: O primeiro passo é tomar consciência dos pensamentos que surgem em nosso coração e mente. Não podemos cativar
ou disciplinar aquilo que ignoramos.
• Base bíblica:
2 Coríntios 10:5 – “Levantamos todo pensamento cativo à obediência de Cristo.”
Hebreus 4:12 – A Palavra de Deus penetra até discernir pensamentos e intenções do coração.
• Aplicação prática: Observe quando pensamentos pecaminosos ou inúteis
surgirem e identifique sua origem (carne,mundo ou inimigo).
• Exemplo prático: Ao perceber que está com raiva de um colega sem motivo aparente, pergunte-se: de onde veio esse pensamento? É fruto da sua frustração, da influência do ambiente ou tentação do inimigo?
(2) Rejeitar pensamentos contrários a Deus
• Explicação: Pensamentos que vêm da natureza caída ou do inimigo devem ser refutados e expulsos conscientemente.
• Base bíblica:
Filipenses 4:8-9 – Pensamentos impuros ou nocivos devem ser substituídos por tudo que é verdadeiro, honesto e justo.
Salmos 101:3 – “Não porei coisa má diante dos meus olhos.”
• Aplicação prática: Quando pensamentos de inveja, orgulho ou cobiça surgirem, declare-os contrários à Palavra de Deus e rejeite-os.
• Exemplo prático: Se surgir desejo de falar mal de alguém, diga mentalmente: “Este pensamento é pecado; não o aceitarei”, e volte- se para uma oração ou leitura bíblica.
(3) Substituir pensamentos ruins por pensamentos bons e edificantes
• Explicação: A gestão eficaz não é apenas rejeição; é preencher a mente com o que é bom, santo e útil para o Reino de Deus.
• Base bíblica:
Filipenses 4:8 – Meditar nas coisas boas, nobres, puras e de boa fama.
Salmos 19:14 – Que as meditações do coração sejam agradáveis a Deus.
• Aplicação prática: Sempre que surgir um pensamento negativo, substitua-o por oração, meditação na Palavra ou lembrança de
promessas divinas.
• Exemplo prático: Ao sentir medo ou ansiedade, memorize ou recite uma promessa bíblica, como Filipenses 4:13: “Posso todas as coisas em Cristo que me fortalece.”
(4) Renovar a mente pelo Espírito Santo
• Explicação: A transformação e gestão dos pensamentos só é plenamente eficaz quando permitimos que o Espírito Santo renove nossa mente, alinhando-a à mente de Cristo.
• Base bíblica:
Romanos 12:2 – “Transformai-vos pela renovação da vossa mente...”
1 Coríntios 2:16 – Temos a mente de Cristo.
• Aplicação prática: Entregar a mente e os pensamentos a Deus diariamente, buscando discernimento e direção do Espírito.
• Exemplo prático: Antes de tomar decisões importantes, orar pedindo direção de Deus e refletir sobre como Cristo agiria nessa situação.
(5) Vigiar constantemente
• Explicação: Os pensamentos são contínuos e fugazes; por isso, a gestão deles requer disciplina diária e vigilância espiritual.
• Base bíblica:
1 Pedro 5:8 – “Vigiai, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor...”
Provérbios 4:23 – “Sobre tudo o que se deve guardar, guarda o teu coração...”
• Aplicação prática: Criar hábitos de oração, estudo bíblico e reflexão consciente para manter a mente sob controle.
• Exemplo prático: Antes de dormir, fazer uma revisão do dia, identificando
pensamentos ou atitudes que não agradaram a Deus e oferecendo-os em oração para correção e entrega ao Senhor.
III – O CAMPO DE BATALHA MENTAL
1. A mente, seu campo de batalha Paulo descreve a mente como fortaleza que
deve ser conquistada:
"levando cativo todo o entendimento à obediência de Cristo" (2 Coríntios 10:5). O termo "cativo" refere-se a prisioneiro de guerra, indicando que a mente deve ser completamente subjugada a Cristo.
As "fortalezas" são sistemas de pensamento fortificados, ideologias contrárias ao conhecimento de Deus. O cristão maduro desenvolve capacidade de discernir rapidamente entre pensamentos carnais e espirituais, escolhendo conscientemente a santidade mental.
2. Influências espirituais
As influências espirituais são todas as forças invisíveis que atuam sobre a mente e os pensamentos do ser humano, vindas de entidades espirituais, tanto do Espírito de Deus quanto de seres malignos, como Satanás e seus demônios. Elas impactam ideias, intenções, julgamentos e escolhas, e
determinam se o pensamento se inclina para o bem ou para o mal.
A) A batalha não é contra o físico, mas
espiritual Efésios 6:12 – “Porque não temos que lutar contra a carne e o sangue, mas contra os principados, contra as potestades... nos lugares celestiais.”
Significado: Nossa mente e coração são arenas de conflito entre forças espirituais. Não
se trata apenas de controlar emoções ou desejos humanos, mas de resistir à ação de espíritos malignos que tentam influenciar pensamentos.
B) O inimigo atua na mente humana
2 Coríntios 4:4 – “Nos quais o deus deste século cegou os entendimentos dos
incrédulos.” Significado: Satanás busca confundir, enganar e aprisionar a mente, levando a pessoa a afastar-se da verdade de Deus.
Pensamentos distorcidos, dúvidas persistentes e tentações recorrentes podem ter origem nessa influência.
C) O Espírito Santo atua na mente do crente 1 Coríntios 2:11 – “Assim também ninguém sabe as coisas de Deus, senão o Espírito de Deus.”
Significado: O Espírito Santo ilumina o entendimento, gera pensamentos santos, dá discernimento e fortalece a mente para que o cristão pense segundo a vontade de Deus.
Aplicação prática
• Reconhecer que nem todos os pensamentos negativos vêm de nós mesmos; alguns são ataques espirituais.
• Buscar discernimento antes de agir sobre qualquer pensamento recorrente ou destrutivo.
• Cultivar a presença do Espírito Santo através da oração, meditação na Palavra e comunhão com Deus, permitindo que Ele dirija e transforme os pensamentos.,
Exemplo prático
• Um cristão sente impulsos repetidos de dúvida sobre sua salvação. Ao examinar a origem, percebe que é um ataque do inimigo para gerar medo. Ele ora, relembra versículos sobre a segurança em Cristo (João 10:28) e substitui o pensamento por confiança em Deus.
3.Cuidados práticos Primeiro, seletividade no que se permite
entrar na mente:
"Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro" (Filipenses 4:8) estabelece critério de verdade como filtro mental. Segundo, rejeição imediata de pensamentos pecaminosos: quando o pensamento contrário surge, deve ser imediatamente substituído por verdade bíblica. Terceiro, cultivo ativo de pensamentos santos através da memorização das Escrituras: "No meu coração guardei as tuas palavras, para não pecar contra ti" (Salmos 119:11). Quarto, busca de comunhão cristã edificante, pois "as más conversações corrompem os bons costumes" (1 Coríntios 15:33), e os pensamentos são influenciados
pelas conversas e relacionamentos.
Conclusão
A nossa jornada de fé exige vigilância constante sobre os nossos pensamentos. O crente tem a responsabilidade de gerir sua
vida mental, rejeitando pensamentos pecaminosos e cultivando uma mente
espiritual. Que o Espírito Santo nos fortaleça nesta batalha diária, capacitando-nos a pensar como Cristo pensaria, a fim de que nossa vida mental seja instrumento para a glória de Deus.
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