quarta-feira, 3 de dezembro de 2025

ESCOLA DOMINICAL - VONTADE - O QUE MOVE O SER HUMANO. PROFESSOR : PR FERNANDO PESSOA

 ESCOLA DOMINICAL - VONTADE - O QUE MOVE O SER HUMANO.


PROFESSOR : PR FERNANDO PESSOA  



Já estudamos duas das principais faculdades da alma: o intelecto (razão ou pensamentos) e a sensibilidade (os afetos ou sentimentos). 

Neste capítulo, estudaremos a terceira faculdade: a vontade (voliçào ou desejo). Vale enfatizar novamente que o homem é um ser que pensa, sente e deseja — e que, como resultado disso, age. Essas faculdades podem operar distinta e separadamente (sem conexão direta uma com a outra), mas também podem fazer parte de um mesmo fenômeno da experiência humana, o que é bastante comum. É necessário que entendamos como isso funciona à luz da Bíblia.


O HOMEM, UM SER QUE DESEJA.


A palavra chave é vontade!


O HOMEM, UM SER QUE DESEJA

INTRODUÇÃO

Desde a criação, o homem foi feito com a capacidade de desejar. O desejo é parte da alma humana — dirige escolhas, intenções, comportamento e relacionamentos. Entretanto, esses desejos podem levar o homem para Deus ou afastá-lo Dele. A Bíblia mostra que o coração humano é um campo de batalha de desejos.

A vontade é o “centro decisório” da alma, onde escolhemos obedecer ou resistir, amar ou odiar, ceder ao pecado ou nos submeter a Deus. O maior drama humano não está em não conhecer o bem, mas em não querer praticá-lo. Paulo expressou esse conflito de forma pungente: 

Rom 7:18  Porque sei que na minha pessoa, isto é, na minha carne, não reside bem algum; porquanto, o desejar o bem está presente em meu coração, contudo, não consigo realizá-lo. 


O drama da vontade acompanha toda a história bíblica: de Adão no Éden a Jesus no Getsêmani. A questão central é: quem governa a nossa vontade?



1. O HOMEM FOI CRIADO PARA DESEJAR A DEUS

(O desejo perfeito)

  • Sl 42:1-2“A minh’alma tem sede de Deus…”.

  • Sl 73:25 “A quem tenho eu no céu senão a Ti?”.

  • Mt 5:6“Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça…”.

Aplicação:
O homem só encontra plenitude quando seus desejos apontam para o Criador. Fomos feitos para encontrar satisfação nEle.

2. OS DESEJOS PODEM SER CORROMPIDOS PELO PECADO

(O desejo desordenado)

  • Gn 3:6 Eva viu que “a árvore era desejável”.

  • Tg 1:14-15O desejo quando concebido gera o pecado.

  • 1Jo 2:16“Concupiscência da carne, dos olhos e soberba da vida”.

Ponto-chave:
O pecado não criou o desejo; ele apenas o desviou. O desejo deixa de ser servo e passa a ser senhor quando o coração não está alinhado com Deus.

3. O HOMEM VIVE EM CONFLITO ENTRE DOIS TIPOS DE DESEJO

(A guerra interior)

  • Gl 5:16-17A carne deseja contra o Espírito.


  • Gál 5:16  Portanto, vos afirmo: Vivei pelo Espírito, e de forma alguma satisfareis as vontades da carne! 

Gál 5:17  Porquanto a carne luta contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne. Eles se opõem um ao outro, de modo que não conseguis fazer o que quereis. 


  • Rm 7:18-23Paulo descreve essa luta interna.

Rom 7:18  Porque sei que na minha pessoa, isto é, na minha carne, não reside bem algum; porquanto, o desejar o bem está presente em meu coração, contudo, não consigo realizá-lo. 

Rom 7:19  Pois o que pratico não é o bem que almejo, mas o mal que não quero realizar, esse eu sigo praticando. 

Rom 7:20  Ora, se faço o que não quero, já não sou eu quem o realiza, mas o pecado que reside em mim. 

Rom 7:21  Assim, descubro essa Lei em minha própria carne: quando quero fazer o bem, o mal está presente em mim. 

Rom 7:22  Pois no íntimo da minha alma tenho prazer na Lei de Deus; 

Rom 7:23  contudo, vejo uma outra lei agindo nos membros do meu corpo, guerreando contra a lei da minha razão, tornando-me prisioneiro da lei do pecado que atua em todos os meus membros. 


  • Sl 51:6,10Deus deseja verdade no íntimo.

Slm 51:6  Sei que tu queres estabelecer a verdade no meu interior; e no meu coração ministras a tua sabedoria. 

Slm 51:7  Portanto, purifica-me com hissopo e ficarei limpo; lava-me, e mais branco do que a neve serei. 

Slm 51:8  Faze-me voltar a ouvir júbilo e alegria, e os ossos que esmagaste exultarão. 

Slm 51:9  Esconde o rosto do meu pecado e apaga todas as minhas iniquidades. 

Slm 51:10  Ó Deus meu! Cria em mim um coração puro, e renova dentro de mim um espírito inabalável. 


Aplicação:
O cristão nasce de novo, mas continua enfrentando uma batalha diária no campo dos desejos — desejos santos e desejos carnais disputam o coração.

I – A VONTADE: ENTRE A OBEDIÊNCIA A DEUS E A INCLINAÇÃO AO PECADO


1. Conceito de vontade


A vontade é uma força interior dada por Deus e que põe o ser humano em movimento em todas as áreas da vida. Essa força foi corrompida com a Queda (assim como tudo o mais no homem), mas ainda se mostra vital para a existência humana. Num sentido geral, vontade ou volição pode ser conceituada como a capacidade humana de desejar, querer, almejar, escolher e agir. 

Analisando os termos gregos utilizados com o sentido de vontade na literatura secular antiga e na Bíblia (boulomai e thelo), Coenen e Brown (2000, p. 2674-2683) 

extraem diversos significados: “ter vontade”, “desejar”, “querer”, “almejar”, “intenção”, “propósito”, “ter em vista”, “eleger”, “estar resoluto”, “decidir”. A diferença entre os dois termos seria que o primeiro tem um sentido mais racional, e o segundo, mais emocional:

Referindo- -se mais especificamente ao emprego de boulomai no Novo Testamento, os citados autores afirmam que o termo pode denotar a volição consciente como consequência da reflexão específica, uma decisão da vontade e que pressupõe a possibilidade de liberdade da decisão; que pode denotar uma vontade determinada pelas inclinações pessoais


Da análise do emprego de thelo, Coenen e Brown destacam da literatura secular os sentidos de “estar pronto”, “preferir”, “estar inclinado”, “ter vontade”, “desejar”, “ter em mente”, “determinar”, “ter vontade de”, “intenção” e “desejo”. 


Quanto ao emprego do termo em relação ao homem frente à vontade de Deus na literatura paulina, os autores destacam o aspecto da regeneração, que é conformação da vontade humana à vontade divina, pela graça de Deus, de forma que “o crente já não fica em contradição com a vontade de Deus, Deus é quem age nele. O desejar e o realizar ficam sendo dádivas de Deus (Fp 2:13).


Flp 2:13  pois é Deus quem produz em vós tanto o querer como o realizar, de acordo com sua boa vontade. 


Toda a volição e o comportamento humanos devem, portanto, realizar-se baseados na obediência a Deus, e de acordo com Sua vontade salvífica”


1. A Vontade e a Imagem de Deus

Quando Deus criou o homem, deu-lhe a capacidade de escolher entre obedecer ou desobedecer (Gn 2:16-17). Isso significa que temos livre-arbítrio, ou seja, podemos tomar decisões. Mas essa liberdade não é total, pois sempre estamos debaixo da autoridade de Deus. A vontade humana mostra a dignidade de termos sido feitos à imagem de Deus,

porque podemos pensar, decidir e agir de forma consciente. 

Porém, essa mesma vontade traz também responsabilidade: cada escolha gera consequências diante do Senhor. Por isso, a vontade nunca é neutra. Ela sempre se inclina em uma direção: ou escolhemos obedecer a Deus, buscando viver segundo o Espírito, ou escolhemos seguir os desejos da carne, que nos afastam Dele (Rm 8:6-7).

Rom 8:6  A mentalidade da carne é morte, mas a mentalidade do Espírito é vida e paz. 

Rom 8:7  Porque a mentalidade da carne é inimiga de Deus, pois não se submete à Lei de Deus, nem consegue fazê-lo. 

2. Do pensamento à ação

A vontade não funciona sozinha; ela está ligada à mente e às emoções. Normalmente, nossas escolhas seguem uma ordem. Vejamos:


A) Pensamento – A mente recebe e processa uma ideia (Gn 3:1-2).


✓ Exemplo bíblico: Eva conversou com a serpente e refletiu sobre o fruto proibido (Gn 3:1-2).

Gên 3:1  Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o SENHOR Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim? 

Gên 3:2  E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos, 


✓ Exemplo prático: alguém pensa em mudar de emprego porque ouviu falar de uma oportunidade melhor.


B) Emoção – O coração reage à ideia, despertando sentimentos (Gn 3:6a: “viu a mulher que aquela árvore era boa para se comer”).


✓ Exemplo bíblico: Eva sentiu atração pelo fruto, achando-o agradável e desejável (Gn 3:6a).

Gên 3:6  E, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, e comeu, e deu também a seu marido, e ele comeu com ela. 



✓ Exemplo prático: a pessoa começa a se sentir entusiasmada ou ansiosa diante da ideia do novo emprego, imaginando os benefícios.


C) Vontade – A pessoa decide o que vai fazer.


✓ Exemplo bíblico: Eva escolheu tomar do fruto e comer (Gn 3:6b). Adão, consciente, também decidiu pecar (1 Tm 2:14).

1Tm 2:14  E Adão não foi enganado, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão. 


✓ Exemplo prático: depois de pensar e sentir, a pessoa resolve pedir demissão e aceitar o novo trabalho, mesmo sabendo dos riscos.


D) Ação – O corpo coloca em prática a decisão.


✓ Exemplo bíblico: Em Gênesis 3:6, lemos: “E tomou do fruto, e comeu; e deu também a seu marido, e ele comeu com ela.”


Aqui vemos o ponto final do processo: após pensar (Gn 3:1-2), sentir (Gn 3:6a) e decidir (Gn 3:6b), a vontade é manifestada no ato concreto, ou seja, Adão e Eva colocaram em prática o que escolheram.

3. A Fraqueza da Vontade Humana e a Necessidade da Graça


Enquanto Eva pecou por ter sido enganada, Adão pecou em consequência do que podemos chamar de fraqueza de vontade. 


Isso significa que o seu entendimento não foi alterado quanto à proibição e consequências relativas ao fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. 

O problema de Adão deu-se na esfera da volição. Em vez de manter-se firme no seu propósito, decidiu pecar aderindo à vontade de Eva, que lhe deu o fruto (Gn 3.6; Rm 5.12). 

Rom 5:12  Pelo que, como por um homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, por isso que todos pecaram. 

Isso nos adverte de situações nas quais tomamos decisões erradas mesmo conscientes das suas consequências. Um exemplo comum é quando violamos uma restrição alimentar (como tomar um refrigerante ou exagerar no açúcar, no sal ou na gordura) ao mesmo tempo que falamos dos seus malefícios! E o desejo acima da razão.


Aplicação Pessoal: Submetendo Nossa Vontade a Cristo


A questão prática para nós é: quem governa a nossa vontade? Podemos viver segundo as pressões do mundo, dos desejos desordenados e dos enganos da mente, ou podemos entregar nossa vontade ao Senhor, repetindo com Cristo: “Não se faça a minha vontade, mas a tua” (Lc 22:42).


Submeter a vontade a Cristo não é perda de liberdade, mas conquista da verdadeira liberdade. É viver não mais como escravos do pecado, mas como servos da justiça (Rm 6:18). Isso se traduz em decisões diárias: negar-se a si mesmo, carregar a cruz e seguir ao Mestre (Mt 16:24).

Mat 16:24  Então, disse Jesus aos seus discípulos: Se alguém quiser vir após mim, renuncie-se a si mesmo, tome sobre si a sua cruz e siga-me; 


Os desejos são uma expressão natural da alma, porém, quando fora da direção de Deus, tornam-se fonte de escravidão e pecado. 

A Bíblia nos mostra que até o povo escolhido enfrentou essa luta: Israel, no deserto, ansiava pelas comidas do Egito, esquecendo-se das maravilhas de Deus (Nm 11:5-6).


II - DESEJOS: DA ESCRAVIDÃO À REDENÇÃO


1. A Experiência do Deserto: Desejos e Consequências

Ser escravo dos próprios desejos é uma das circunstâncias mais trágicas que o ser humano pode enfrentar. Isso, porém, não acontece senão após uma rebelde insistência do homem em agir frontalmente contra a vontade divina. Não raro essas atitudes revelam ingratidão, como aconteceu com o povo hebreu no deserto. O texto de Números 11.1-10 nos apresenta um povo cheio de fraquezas, que provocava a Moisés e a Deus com lembranças infantis, pela influência do vulgo (os não israelitas) que acompanharam Israel desde o Egito (Nm 11.4-6).


Núm 11:4  E o vulgo, que estava no meio deles, veio a ter grande desejo; pelo que os filhos de Israel tornaram a chorar e disseram: Quem nos dará carne a comer? 

Núm 11:5  Lembramo-nos dos peixes que, no Egito, comíamos de graça; e dos pepinos, e dos melões, e dos porros, e das cebolas, e dos alhos. 

Núm 11:6  Mas agora a nossa alma se seca; coisa nenhuma há senão este maná diante dos nossos olhos. 

O povo de Israel, mesmo libertado do Egito, foi dominado por seus desejos durante a peregrinação no deserto. Lembravam-se da comida da escravidão e se deixavam levar pela cobiça, testando a paciência de Deus (Nm 11:5-6; Sl 106:14-15).

Slm 106:14  mas deixaram-se levar da cobiça, no deserto, e tentaram a Deus na solidão. 

Slm 106:15  E ele satisfez-lhes o desejo, mas fez definhar a sua alma. 

O deserto representa o lugar da provação e da revelação espiritual.

Apesar da liberdade conquistada, os desejos desenfreados levaram à ingratidão e à morte espiritual, como Deus advertiu: 

“Ele satisfez-lhes o desejo, mas fez definhar a alma” (Sl 106:15). Aqui aprendemos que os desejos, quando desordenados, escravizam e desviam do propósito divino.


Exemplo prático

Hoje, muitas pessoas buscam satisfação imediata em coisas como gastar demais, comer exageradamente ou se entregar a vícios. Por mais que se sintam felizes por um momento, essa satisfação dura pouco, e a alma continua vazia, distante de Deus (1 Co 10:12-13).


1Co 10:12  Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe que não caia. 

1Co 10:13  Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que vos não deixará tentar acima do que podeis; antes, com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar.


2. Os Desejos na Era Cristã: O Conflito Interno

Mesmo depois de serem salvos, os cristãos ainda enfrentam desejos conflitantes dentro de si. Paulo explica: “Porque a carne cobiça

contra o Espírito, e o Espírito contra a carne” (Gl 5:17). A “carne”, ou nossa natureza pecaminosa, deseja coisas que vão contra a vontade de Deus, e é preciso escolher obedecer ao Espírito em vez de ceder a esses desejos.



O conflito é interno e contínuo, envolvendo mente, alma e espírito. Amente reconhece o certo, a alma sente o desejo e o espírito direciona para a obediência. O cristão, portanto, precisa decidir diariamente a quem obedecer. O poder para vencer não vem da força humana, mas do

Espírito Santo (Rm 8:5-6).

Rom 5:5  E a esperança não traz confusão, porquanto o amor de Deus está derramado em nosso coração pelo Espírito Santo que nos foi dado. 

Rom 5:6  Porque Cristo, estando nós ainda fracos, morreu a seu tempo pelos ímpios. 


3. A Decisão do Homem Redimido

A salvação em Cristo transforma a natureza humana (2 Co 5:17; Ef 4:24).

2Co 5:17  Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é: as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo. 

Efs 4:24  e vos revistais do novo homem, que, segundo Deus, é criado em verdadeira justiça e santidade. 


O drama dos desejos humanos continua na era cristã com uma diferença fundamental: Cristo venceu o pecado e dá poder a nós para que também o vençamos (ver Rm 6.6). 

Rom 6:6  sabendo isto: que o nosso velho homem foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, a fim de que não sirvamos mais ao pecado. 


Mas, enquanto estamos neste corpo mortal, há um conflito espiritual constante. Todo cristão precisa decidir diariamente entre a sua vontade e a vontade do Espírito (G1 5.17). 

(Gál 5:17)  Porque a carne cobiça contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne; e estes opõem-se um ao outro; para que não façais o que quereis


A carne (sarx, natureza pecaminosa) tem os seus próprios desejos, que são contrários ao Espírito. Vê-se, então, uma luta travada em nosso interior. Compete-nos decidir entre satisfazer os desejos da carne, que são pecaminosos, ou atender a voz do Espírito e viver segundo a sua direção (G1 5.18).


Gál 5:18  Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais debaixo da lei. 


Aplicação Pessoal: Viver Sob o Espírito

A lição é clara: os desejos não desaparecem automaticamente, mas a vida em Cristo nos dá poder para decidir corretamente. Devemos vigiar nossos pensamentos e emoções,

submetendo-os ao Espírito, lembrando que cada escolha diária molda nosso caráter espiritual (Rm 12:1-2).

Rom 12:1  Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. 

Rom 12:2  E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. 

III - O ENSINO SOBRE OS DESEJOS EM TIAGO

1. Atração e engano

O apóstolo Tiago certamente nos legou um dos textos mais claros e contundentes a respeito do processo de atração do pecado em decorrência dos maus desejos humanos: “A tentação vem de nossos próprios desejos, que nos seduzem e nos arrastam. Esses desejos dão à luz o pecado, e quando o pecado se desenvolve plenamente, gera a morte” (Tg 1.14,15, NVT). 


Em primeiro lugar, vemos que a tentação só tem efeito porque existem desejos pecaminosos. 


Em segundo lugar, há um processo que começa sutil, sedutor, e que se fortalece até o ponto de arrastar-nos. No texto, a faculdade da vontade é retratada como um elemento de comunicação interna com o ser humano, com capacidade de atraí-lo e enganá-lo. E, de fato, uma assustadora força interior que não pode ser subestimada; por isso, Paulo recomenda aos tessalonicenses e a nós para evitarmos esse tipo de mal (1 Ts 5.22).

1Ts 5:22  Abstende-vos de toda aparência do mal. 

Uma terceira observação está voltada ao fato de que não é possível racionalizar os desejos. Eles têm um terrível potencial de atrair e enganar. 

O termo grego para atrair em Tiago 1.14 é deleazo, que tem o sentido de “atrair por isca”, o que demonstra sedução e engano, cuja consumação realiza-se pela força. Esse é o sentido de arrastar, presente em várias versões, como a NVI (“arrastado e seduzido”) e a NVT (“nos seduzem e nos arrastam”) — e tudo isso em relação aos desejos.

O apóstolo Tiago nos alerta sobre a natureza enganosa dos desejos humanos. Ele revela que não é o mundo externo que nos domina, mas o

desejo que nasce dentro de cada pessoa, tornando-se uma força capaz de atrair, enganar e levar ao pecado (Tg 1:14-15). 


Tgo 1:14  Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência. 

Tgo 1:15  Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte. 

A mente pode ser persuadida de que o pecado não é prejudicial, a alma pode ser tocada pela emoção e o espírito, se não estiver ligado a Deus, fica vulnerável.

2. Abortando o processo

Já estudamos sobre a importância de interromper maus pensamentos para evitar a prática de pecados. Agora analisaremos o texto de Tiago, no qual vemos o quanto é necessário abordar os maus desejos. O pensamento, portanto, é uma fase anterior à vontade. Os desejos são ainda mais perigosos que os pensamentos, porque podem influenciar diretamente nossas decisões. 

O desejo é uma fase mais intensa. Ao encontrar o seu objeto ou alvo, se não for rejeitado, não descansará enquanto não nos convencer, derrubando as barreiras da consciência, produzindo a horrível consequência da morte espiritual.


Tiago 1:15 ensina: “Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e o pecado, sendo consumado, gera a morte.” 

O desejo, se não contido, produz consequências graves. A prática espiritual de vigilância e oração (Mt 26:41; Ef 6:18) é fundamental para interromper o desejo antes que ele se transforme em pecado. Evitar o pecado antes de cometê-lo é muito mais eficaz do que tentar corrigir os erros depois que já foram praticados.

Mat 26:41  Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca. 


Efs 6:18  orando em todo tempo com toda oração e súplica no Espírito e vigiando nisso com toda perseverança e súplica por todos os santos 


A figura que Tiago usa no seu texto é de uma gestação: a união entre desejo e tentação, tentação e desejo inicia o processo que, se não abortado, dá à luz ao nefasto pecado: “Depois, havendo a concupiscência concebido, dá à luz o pecado; e este, sendo consumado, gera a morte” (Tg 1.15). 

Não podemos deixar que o desejo desenvolva-se (cresça) ao ponto de tornar-se um pecado praticado. Toda vontade pecaminosa deve ser rejeitada enquanto ainda está em nosso coração.

Que o Senhor nos livre de toda tentação, enquanto cuidamos de nossa parte, que é viver em constante vigilância e oração (Mt 26.41).

Mat 26:41  Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; na verdade, o espírito está pronto, mas a carne é fraca. 


Conclusão


A vontade é o palco onde se trava uma das mais intensas batalhas da vida cristã.

Intelecto e emoção influenciam, mas é a vontade que decide. O drama humano é que, sem a graça de Deus, essa vontade é frágil e inclinada ao pecado. Porém, em Cristo, recebemos poder não apenas para querer, mas para efetuar a boa obra. Portanto, devemos cultivar diariamente uma vida de oração, submissão e renovação da mente, para que a nossa vontade se alinhe à perfeita vontade de Deus (Rm 12:1-2). Só assim experimentaremos a verdadeira liberdade: não viver segundo a carne, mas segundo o Espírito.



Sem comentários:

Enviar um comentário

A EXPERIÊNCIA TRANSFORMADORA DE JACÓ. PROFESSOR: FERNANDO PESSOA

  A EXPERIÊNCIA TRANSFORMADORA DE JACÓ. PROFESSOR: FERNANDO PESSOA  PALAVRA CHAVE TRANSFORMAÇÃO  INTRODUÇÃO: Como vimos no capítulo anterior...