domingo, 14 de dezembro de 2025

LIÇÃO 11: O ESPÍRITO HUMANO E AS DISCIPLINAS CRISTÃS PROFESSOR: PR FERNANDO PESSOA

 LIÇÃO 11: O ESPÍRITO HUMANO E AS DISCIPLINAS CRISTÃS


PROFESSOR: PR FERNANDO PESSOA 


INTRODUÇÃO:

Paulo era um obreiro experimentado. Forjado em muitos combates espirituais. Já na fase final do seu ministério, constituiu novos pastores para a continuidade da missão de proclamação do evangelho e implantação de igrejas. Timóteo, um jovem e fiel companheiro do velho apóstolo, recebeu dele uma difícil missão: pastorear a igreja de Éfeso, ameaçada por heresias internas e externas, como Paulo havia avisado (At 20.28-30). Só espiritualmente fortalecido Timóteo poderia enfrentar e vencer esse desafio. Paulo, então, dá um conselho ao jovem: “exercita-te a ti mesmo em piedade” (1 Tm 4.7).

0 conselho de Paulo a Timóteo é aplicável a todos os cristãos. Assim como precisamos de exercícios físicos para nossa estrutura óssea e muscular, dependemos de disciplinas espirituais para o fortalecimento de nosso espírito. As pessoas em geral estão se dedicando cada vez mais às disciplinas do corpo. Isso tem o seu valor, mas como ficam as disciplinas espirituais? Têm sido mantidas, ampliadas ou reduzidas? Esse é o assunto deste capítulo, cujo estudo faremos dentro do conceito de piedade trabalhado por Paulo.


Pensamento Cristão Cultivar disciplinas cristãs, oração, meditação na Palavra e serviço ao próximo, fortalece nosso espírito, molda nossa alma e dirige nossas ações, tornando-nos mais próximos de Deus e firmes na fé que produz frutos eternos. 


I - A PIEDADE E AS DISCIPLINAS CRISTÃS

1. Exercício corporal e piedade

Paulo preocupava-se tanto com o bem-estar integral de Timóteo que, na mesma carta em que trata da piedade recomenda ao jovem pastor que cuida da sua saúde física (1 Tm 5.23). 1Tm 5:23  Não bebas mais água só, mas usa de um pouco de vinho, por causa do teu estômago e das tuas freqüentes enfermidades. 


No próprio texto de 1 Timóteo 4.8, não há desprezo ao corpo, mas um paralelo sensato e correto entre o exercício corporal e a piedade. Os estudiosos mais consultados são unânimes em considerar que o apóstolo não está desconsiderando de forma absoluta o valor do exercício corporal, mas, sim, demonstrando o caráter terreno do seu valor, enquanto a piedade produz efeitos para a eternidade.

O corpo deve ser templo de Deus e, portanto, deve ser usado para a sua glória e também como um instrumento para o serviço divino. J. Glenn Gould (2020, p. 482) afirma não haver justificativa para presumir que Paulo esteja desaprovando a ideia do bem-estar físico. Contudo, enfatiza que “tornar o cultivo de um físico sarado o alvo principal do homem era totalmente estranho à escala de valores de Paulo”.


A) O exercício da piedade (1Tm 4:7) 


O apóstolo Paulo afirma em 1 Tm 4:8: "Porque o exercício corporal para pouco é proveitoso, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo promessa da vida presente e da futura." Definição de piedade (grego: εὐσέβεια eusebeia) 

O termo grego εὐσέβεια (piedade) vem de eu (bom, correto) + sebas (temor, reverência). Literalmente, significa “temor reverente e comportamento correto diante de Deus”. 

No Novo Testamento, aparece 13 vezes, sendo usado por Paulo, Pedro e outros para expressar uma relação prática e ética com Deus (1 Tm 4:8; 2 Pe 1:3-7; Tt 1:1). 

2Pe 1:3  Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade, pelo conhecimento daquele que nos chamou por sua glória e virtude, 

2Pe 1:4  pelas quais ele nos tem dado grandíssimas e preciosas promessas, para que por elas fiqueis participantes da natureza divina, havendo escapado da corrupção, que, pela concupiscência, há no mundo, 

2Pe 1:5  e vós também, pondo nisto mesmo toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude, a ciência, 

2Pe 1:6  e à ciência, a temperança, e à temperança, a paciência, e à paciência, a piedade, 

2Pe 1:7  e à piedade, o amor fraternal, e ao amor fraternal, a caridade. 


Tit 1:1  Paulo, servo de Deus e apóstolo de Jesus Cristo, segundo a fé dos eleitos de Deus e o conhecimento da verdade, que é segundo a piedade, 


Com base no uso paulino e apostólico, podemos identificar três dimensões essenciais: 

(1) Temor de Deus – consciência de Sua soberania e santidade (Pv 1:7; Hb 12:28-29). 

Prv 1:7  O temor do SENHOR é o princípio da ciência; os loucos desprezam a sabedoria e a instrução. 


Heb 12:28  Pelo que, tendo recebido um Reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente com reverência e piedade; 

Heb 12:29  porque o nosso Deus é um fogo consumidor. 


(2) Obediência e fidelidade – viver segundo a Palavra, incluindo amor ao próximo (Jo 14:15; Tg 1:27).

Joã 14:15  Se me amardes, guardareis os meus mandamentos. 


Tgo 1:27  A religião pura e imaculada para com Deus, o Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e guardar-se da corrupção do mundo. 


(3) Prática ética – ações concretas que refletem caráter santo: humildade, compaixão, misericórdia e integridade (Cl 3:12-14; 1 Pe 1:15-16). 

Col 3:12  Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade

Col 3:13  suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos uns aos outros, se algum tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. 

Col 3:14  E, sobre tudo isto, revesti-vos de caridade, que é o vínculo da perfeição. 


1Pe 1:15  mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em toda a vossa maneira de viver, 

1Pe 1:16  porquanto escrito está: Sede santos, porque eu sou santo. 

O exercício da piedade implica disciplina espiritual constante, como oração, estudo da Escritura, jejum, adoração e serviço ao próximo. Cada uma dessas práticas molda nosso caráter à imagem de Cristo, fortalecendo o espírito e guiando a alma.


B)  Definição de “Exercício” da piedade 

No grego, a palavra “exercício” vem de gymnasia, que se refere originalmente a treinamento ou disciplina física. Paulo utiliza metaforicamente para descrever a piedade como um treinamento espiritual. Assim como o atleta treina o corpo para resistência e força, o cristão treina o espírito através de práticas espirituais intencionais. O “exercício” não é passivo: envolve esforço deliberado, constância e disciplina (1 Cor 9:24-27). 


1Co 9:24  Não sabeis vós que os que correm no estádio, todos, na verdade, correm, mas um só leva o prêmio? Correi de tal maneira que o alcanceis. 

1Co 9:25  E todo aquele que luta de tudo se abstém; eles o fazem para alcançar uma coroa corruptível, nós, porém, uma incorruptível. 

1Co 9:26  Pois eu assim corro, não como a coisa incerta; assim combato, não como batendo no ar. 

1Co 9:27  Antes, subjugo o meu corpo e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado. 


2. Programa de Exercícios Espirituais 


Paulo apresenta a piedade como algo essencial e necessário comparando o exercício espiritual com o treinamento físico: assim como o corpo se beneficia do treino físico, a alma e o caráter espiritual se fortalecem pelo exercício da piedade. 


A) Oração – comunicação constante com Deus, fortalecendo a intimidade e dependência d’Ele (1 Ts 5:17). 

1Ts 5:17  Orai sem cessar. 


B) Estudo e meditação da Palavra – a Bíblia é o guia da vida piedosa, moldando pensamentos, atitudes e decisões (2 Tm 3:1617). 

2Tm 3:16  Toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir em justiça, 

2Tm 3:17  para que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente instruído para toda boa obra. 


C) Vida ética e obediente – ações práticas que refletem a santidade de Deus (Ef 4:1-3; Cl 3:12-14). 

Efs 4:1  Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados, 

Efs 4:2  com toda a humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, 

Efs 4:3  procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz: 



D) Perseverança na fé – suportar provações e tentações mantendo a integridade (2 Tm 2:3-6). 


2Tm 2:3  Sofre, pois, comigo, as aflições, como bom soldado de Jesus Cristo. 

2Tm 2:4  Ninguém que milita se embaraça com negócio desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra. 

2Tm 2:5  E, se alguém também milita, não é coroado se não militar legitimamente. 

2Tm 2:6  O lavrador que trabalha deve ser o primeiro a gozar dos frutos. 


3. A importância e limitações do exercício físico  

(1) Importância do cuidado corporal 

Paulo reconhece valor no exercício físico: disciplina, resistência e saúde temporária. Um corpo ajuda no serviço ao Senhor, evitando enfermidades que possam impedir o ministério (1 Co 9:27 – “mas esmurro o meu corpo e o reduzo à servidão...”). A Bíblia incentiva o equilíbrio entre cuidado do corpo e do espírito (Pv 31:17; 3 Jo 1:2). 


Prv 3:17  Os seus caminhos são caminhos de delícias, e todas as suas veredas, paz. 


A) Limitações do exercício físico 

• Valor temporário: o corpo envelhece, adoece e morre; o esforço físico não garante salvação nem transformação interior.  

• Não substitui a disciplina espiritual: um corpo saudável não gera santidade nem paz interior. A saúde física é passageira; a saúde espiritual é eterna (Mt 6:19-21). 

Mat 6:19  Não ajunteis tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem tudo consomem, e onde os ladrões minam e roubam. 

Mat 6:20  Mas ajuntai tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam, nem roubam. 

Mat 6:21  Porque onde estiver o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração.


Portanto, o exercício físico é útil para o presente, mas a piedade é útil “para tudo”, para a vida presente e para a eternidade. A prioridade do cristão deve ser a formação do caráter à semelhança de Cristo (Rm 12:1-2), enquanto o cuidado do corpo é auxiliar, não central. 

Rom 12:1  Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. 

Rom 12:2  E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. 


B) Diferença entre exercício físico e espiritual 


• Exercício físico: fortalece o corpo, tem valor limitado, temporário. 


• Exercício da piedade: fortalece o espírito, molda o caráter, produz frutos eternos. 


• Promessa de Paulo: a piedade é proveitosa para todas as coisas, não apenas para a vida presente, mas também para a vida futura, pois aproxima o crente de Deus e prepara-o para a eternidade (1 Timóteo 4.8). 

1Tm 4:8  Porque o exercício corporal para pouco aproveita, mas a piedade para tudo é proveitosa, tendo a promessa da vida presente e da que há de vir. 


Aplicação prática: • Dedicar-se à piedade através de oração diária, meditação na Palavra e vida em santidade. 


• Reconhecer o cuidado físico como suporte à vida e ao serviço cristão, sem torná-lo fim em si mesmo. 

• Lembrar que nosso crescimento espiritual produz frutos eternos, enquanto os benefícios do corpo são limitados.


2. Piedade interna e externa


A verdadeira piedade manifesta-se tanto no coração quanto na conduta externa. Jesus advertiu contra aqueles que "honram com os lábios, mas o coração está longe" (Mt 15:8). A piedade autêntica nasce da regeneração pelo Espírito Santo e se expressa através de práticas devocionais consistentes. 


A) Piedade interna 

 Internamente, cultivamos a comunhão com Deus através da oração secreta (Mt 6:6), do estudo meditativo das Escrituras (Sl 1:2-3) e da adoração em espírito e verdade (Jo 4:24).  


B) Piedade Externa

  Externamente, a piedade se manifesta na santificação prática, no amor ao próximo (1 Jo 4:20-21) e no testemunho cristão. Como ensina Tiago, "a religião pura e imaculada para com Deus" inclui tanto a separação do mundo quanto o cuidado pelos necessitados (Tg 1:27). As disciplinas espirituais são meios de graça que o Senhor usa para conformar-nos à imagem de Cristo (Rm 8:29).

Rom 8:29  Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos. 


3. Piedade e discrição


A piedade genuína requer discrição, evitando ostentação. Paulo instrui Timóteo a perseverar na doutrina com cuidado pessoal (1 Tm 4:16 ACF), 

1Tm 4:16  Tem cuidado de ti mesmo e da doutrina; persevera nestas coisas; porque, fazendo isto, te salvarás, tanto a ti mesmo como aos que te ouvem. 



implicando uma vida discreta que prioriza a glória de Deus. Como em Mateus 6:6, onde Jesus ensina a orar em secreto, a discrição protege contra o orgulho e assegura que as disciplinas espirituais sejam motivadas por amor a Deus, não por aprovação humana.


A piedade ostensiva, praticada para ser vista pelos homens, já recebeu sua recompensa terrena (Mt 6:2, 5, 16). A verdadeira espiritualidade busca a aprovação divina, não o reconhecimento humano. Daniel exemplifica essa discrição ao orar três vezes ao dia em sua casa, mesmo sob perseguição (Dn 6:10).


Dan 6:10  Daniel, pois, quando soube que a escritura estava assinada, entrou em sua casa (ora, havia no seu quarto janelas abertas da banda de Jerusalém), e três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças, diante do seu Deus, como também antes costumava fazer. 


Ana, a profetisa, "não se apartava do templo, servindo a Deus em jejuns e orações de noite e de dia" (Lc 2:37), demonstrando constância sem exibicionismo. As disciplinas praticadas em secreto são recompensadas pelo Pai Celestial publicamente (Mt 6:6). 

A discrição protege contra a soberba espiritual e mantém o foco na glorificação de Deus, não na autopromoção. 


Jesus advertiu os seus discípulos a que fossem discretos quando orassem e jejuassem. Não deveriam fazer como os hipócritas, que gostavam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas para todo mundo ver. E, quando jejuavam, procuravam parecer abatidos e desarrumados para serem notados pelos outros. (Mt 6.5,6; 16).

Nota-se que, quanto ao jejum, não é um simples evitar parecer estar jejuando, mas ações concretas para que não pareça: “quando jejuares, unge a cabeça e lava o rosto, para não pareceres aos homens que jejuas” (6.17,18).


Se a atitude correta é de absoluta discrição, agindo para não transparecer a prática da disciplina espiritual, o que dizer dos que proclamam os seus jejuns, inclusive nas redes sociais? Também não é correto justificar a abstinência a alimentos com a ostensiva informação de estar jejuando. Como Jesus enfatizou, se buscarmos glória humana, nossa recompensa será resumida a um reconhecimento efêmero, sem valor algum diante de Deus. O anúncio do jejum só convém ser feito quando a sua prática for coletiva. Ainda assim, de preferência apenas entre as pessoas envolvidas com o propósito (Et 4.16).


II - O DESAFIO DAS DISCIPLINAS ESPIRITUAIS

1. A analogia do corpo


Paulo utiliza a metáfora do corpo físico para ilustrar a necessidade de exercício espiritual constante. Assim como o corpo não exercitado se atrofia e perde vigor, a vida espiritual sem disciplinas regulares enfraquece e perde vitalidade. O atleta que busca o prêmio "em tudo se abstém" e se exercita com regularidade (1 Co 9:25-27). Semelhantemente, o cristão deve "mortificar os feitos do corpo" pelo Espírito (Rm 8:13) através de práticas devocionais consistentes.  


Rom 8:13  porque, se viverdes segundo a carne, morrereis; mas, se pelo espírito mortificardes as obras do corpo, vivereis. 


A analogia revela que o crescimento espiritual não é automático, mas requer esforço intencional e perseverança. Pedro exorta a "acrescentar à fé, a virtude; e à virtude, a ciência" (2 Pe 1:5), indicando progressão gradual. Como o corpo necessita de exercício regular para manter a saúde, a alma precisa das disciplinas espirituais para manter-se vigorosa na fé e crescer "na graça e conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo" (2 Pe 3:18). 

2Pe 3:18  antes, crescei na graça e conhecimento de nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo. A ele seja dada a glória, assim agora como no dia da eternidade. Amém! 


2. Apatia, engano e pecado 


A negligência das disciplinas espirituais abre portas para a apatia espiritual, o engano e o pecado. Jesus advertiu: "vigiai e orai, para que não entreis em tentação" (Mt 26:41), demonstrando que a falta de vigilância espiritual torna o crente vulnerável. A igreja de Éfeso perdeu o primeiro amor por abandonar suas primeiras obras (Ap 2:4-5). 

Apo 2:4  Tenho, porém, contra ti que deixaste a tua primeira caridade. 

Apo 2:5  Lembra-te, pois, de onde caíste, e arrepende-te, e pratica as primeiras obras; quando não, brevemente a ti virei e tirarei do seu lugar o teu castiçal, se não te arrependeres. 


A apatia espiritual manifesta-se na frieza devocional, na diminuição do amor pelas Escrituras e na negligência da oração. Este estado facilita o engano, pois o coração não exercitado nas verdades bíblicas torna-se suscetível às "doutrinas de demônios" (1 Tm 4:1). 


O pecado encontra terreno fértil na vida não disciplinada, como alertou Paulo: "mas esmurro o meu corpo, e o reduzo à servidão, para que, pregando aos outros, eu mesmo não venha de alguma maneira a ficar reprovado" (1 Co 9:27). As disciplinas espirituais são escudo contra a decadência moral e espiritual.


3. Da teoria à prática 

Muitos cristãos conhecem teoricamente a importância das disciplinas espirituais, mas falham na aplicação prática. Tiago adverte que ser "somente ouvinte da palavra" é enganar-se a si mesmo (Tg 1:22). 


O conhecimento bíblico sem prática equivale à esterilidade espiritual. Jesus ensinou que "aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama" (Jo 14:21), evidenciando que o amor se manifesta na obediência prática. 


A transição da teoria para a prática requer determinação, estabelecimento de prioridades e sacrifício de atividades secundárias. Neemias exemplifica essa aplicação prática ao estabelecer horários específicos para oração e A transição da teoria para a prática requer determinação, estabelecimento de prioridades e sacrifício de atividades secundárias. Neemias exemplifica essa aplicação prática ao estabelecer horários específicos para oração e a leitura da Lei (Ne 8:1-8). Paulo exorta: "Medita estas coisas; ocupa-te nelas" (1 Tm 4:15), indicando que a meditação deve resultar em ocupação prática. As disciplinas espirituais devem sair do campo das boas intenções para tornarem-se hábitos estabelecidos na rotina cristã. 


4. Desenvolvendo rotina  


No mundo secular, "rotina" muitas vezes carrega uma conotação de repetição mecânica ou obrigação entediante. Porém, no contexto da piedade cristã, a rotina não é apenas hábito; é disciplina intencional e estruturada que visa crescimento espiritual constante e aproximação de Deus. 


O estabelecimento de uma rotina devocional sólida é fundamental para o crescimento espiritual consistente. Daniel "três vezes no dia se punha de joelhos, e orava, e dava graças diante do seu Deus" (Dn 6:10), demonstrando regularidade e prioridade.  


A) Rotina na oração: A oração é a nossa comunicação com o Pai e a fonte de nosso 

poder (Ef 6.18). A oração deve incluir adoração, confissão, petição e intercessão, seguindo o modelo do Pai Nosso (Mt 6:9-13).


poder (Ef 6.18). A oração deve incluir adoração, confissão, petição e intercessão, seguindo o modelo do Pai Nosso (Mt 6:9-13).poder (Ef 6.18). A oração deve incluir adoração, confissão, petição e intercessão, seguindo o modelo do Pai Nosso (Mt 6:9-13).


B) Rotina na leitura: A leitura da Bíblia é a forma como Deus se comunica conosco, revelando Sua vontade e Sua natureza (2 Tm 3.16). 



III - AS DISCIPLINAS E A LUTA ESPIRITUAL


1. As astúcias do Maligno 


O cristão está em constante batalha contra as forças do mal (Ef 6.12). O inimigo usa de astúcias e enganos para nos afastar de Deus e nos enfraquecer espiritualmente. As disciplinas espirituais são as nossas armas nessa luta. A oração é a nossa comunicação com o nosso comandante e a leitura da Palavra é o nosso mapa e guia na batalha (Sl 119.105). 

Slm 119:105  Lâmpada para os meus pés é tua palavra e luz, para o meu caminho. 


Sem a prática dessas disciplinas, nos tornamos alvos fáceis para as investidas do diabo.

O diabo usa a procrastinação, sugerindo que "amanhã seria melhor", as circunstâncias desfavoráveis, criando impedimentos externos, e o desânimo, fazendo o crente sentir-se indigno ou incapaz. Durante o tempo devocional, ele traz distrações mentais, preocupações mundanas e sono inadequado.


A resistência às disciplinas espirituais frequentemente revela guerra espiritual invisível, requerendo perseverança e dependência do Espírito Santo para vencer os obstáculos diabólicos. 


2. Evitando as distrações


Vivemos em uma era de distrações sem precedentes. A tecnologia, as redes sociais e o ritmo acelerado da vida moderna podem nos prática afastar da Distrações mundanas, futilidades e excesso de atividades superficiais desviam a mente do estudo da Palavra e da oração. das disciplinas espirituais. O cristão precisa ser intencional em evitar as distrações que roubam seu tempo e sua atenção. 


Maria escolheu "a boa parte" ao sentar-se aos pés de Jesus, enquanto Marta se distraiu com muitos afazeres (Lc 10:38-42). As distrações podem ser legítimas em si mesmas, mas destrutivas quando usurpam o lugar das prioridades espirituais. Paulo exorta: “aproveitando bem o tempo, porque os dias são maus” (Ef 5:16,  NAA). 

O cristão maduro aprende a discernir entre o necessário e o opcional, priorizando o reino de Deus (Mt 6:33). 

Mat 6:33  Mas buscai primeiro o Reino de Deus, e a sua justiça, e todas essas coisas vos serão acrescentadas. 


3. O Uso equilibrado do celular e das redes sociais O celular e as redes sociais, embora possam ser ferramentas úteis, podem se torna


O celular e as redes sociais, embora possam ser ferramentas úteis, podem se tornar obstáculos para a vida de piedade. A constante conectividade e a busca por aprovação social podem nos desviar do nosso foco em Deus. É fundamental que o crente exerça domínio próprio (2 Pe 1.6) e use essas tecnologias de forma equilibrada e sábia, sem que elas se tornem ídolos ou fontes de distração. O tempo gasto nas redes sociais precisa ser submetido ao nosso tempo de meditação e comunhão com Deus, garantindo que o Senhor continue a ser a nossa prioridade. 


CONCLUSÃO

O exercício das disciplinas espirituais é fundamental para fortalecer- -nos diariamente e dar-nos poder contra as forças das trevas (Mc 16.17,18; Lc 10.19,20). 

Assim como as necessidades físicas, nosso espírito precisa ser alimentado por toda a vida (1 Ts 5.17; 1 Pe 2.2,3). 

Apesar de o termo “espiritualidade” ter ganhado um sentido genérico e praticamente esotérico nos últimos tempos, ser espiritual à luz da Bíblia é viver guiado pelo Espírito Santo, e não segundo a “carne”, a natureza carnal, como bem enfatizado na teologia paulina (G1 5.16-18). 


Para que isso seja real e autêntico na vida do cristão, é preciso que as disciplinas espirituais sejam praticadas diária e constantemente, fortalecendo o espírito pelos meios que nos disponibiliza o Senhor: a oração, o jejum, o estudo das Escrituras, o louvor, a reunião congregacional e as demais práticas da piedade, que estão relacionadas com um viver em amor. Embora as obras não salvem, elas também devem fazer parte da vida do salvo como expressão de uma fé genuína, integrativa — logo, da mais pura piedade.




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