III- Compreendendo o fruto do Espírito (5.22-26)
Gál 5:22 Entretanto, o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, paciência, benignidade, bondade, fidelidade,
Gál 5:23 mansidão e domínio próprio. Contra essas virtudes não há Lei.
Gál 5:24 Os que pertencem a Cristo Jesus crucificaram a carne, com as suas paixões e os seus desejos.
Gál 5:25 Se vivemos pelo Espírito, andemos de igual modo sob a direção do Espírito.
Gál 5:26 Não nos tornemos arrogantes, provocando-nos uns aos outros e tendo inveja uns dos outros.
O apóstolo Paulo faz um contraste entre as obras da carne e o fruto do Espírito. Se as obras falam de esforço, o fruto é algo natural.
Donald Guthrie diz que a mudança das “obras” para “fruto” é importante porque remove a ênfase do esforço humano.
As obras da carne são resultado do nosso labor; o fruto do Espírito é a realização do Espírito em nós.
1) “As obras da carne são resultado do nosso labor”
Aqui, “carne” não significa só o corpo físico. Na Bíblia, “carne” costuma significar a natureza humana caída, o “eu” sem Deus no comando.
Então a ideia é:
As obras da carne são coisas que nascem de nós mesmos.
Elas são fruto do nosso jeito natural de agir quando seguimos impulso, ego, desejo, orgulho, raiva, etc.
E “resultado do nosso labor” quer dizer: é o que a gente produz por conta própria, quando tenta viver no modo “eu no controle”.
Ou seja: a carne fabrica coisas. E geralmente elas vêm em forma de atitudes destrutivas (Gálatas 5 fala disso: inveja, ira, imoralidade, divisões…).
2) “O fruto do Espírito é a realização do Espírito em nós”
Aqui o foco muda completamente.
Não diz “obras do Espírito”. Diz fruto.
E isso é proposital:
Obra = algo que você faz, produz, força.
Fruto = algo que cresce naturalmente quando uma vida está conectada à fonte certa.
Então o “fruto do Espírito” (amor, alegria, paz, paciência, etc.) não é algo que você simplesmente “se obriga” a ter na marra.
É o resultado de:
o Espírito Santo habitar em você
você se render
você andar no Espírito
e Ele transformar seu interior, de dentro pra fora
É literalmente: o Espírito vivendo a vida de Cristo através de você.
Jesus ensinou sobre frutos para distinguir a fé verdadeira da falsa e destacar a necessidade de estar unido a Ele para ter uma vida frutífera. O versículo principal é: "Pelos seus frutos os conhecereis" (Mateus 7:16), indicando que as atitudes revelam o caráter. Outro texto chave é: "Eu sou a videira, vós, os ramos. Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer" (João 15:5).
Versículos de Jesus sobre Frutos
Identificação (Mateus 7:17-20): "Assim, toda árvore boa produz bons frutos, e toda árvore má produz frutos ruins... Portanto, pelos seus frutos os conhecereis".
Propósito (João 15:16): "Não fostes vós que me escolhestes, mas fui eu que vos escolhi e vos designei para que vades e deis fruto, e o vosso fruto permaneça".
A Verdadeira Videira (João 15:2): "Todo ramo que, estando em mim, não der fruto, ele o corta; e todo o que dá fruto limpa, para que produza mais fruto ainda".
Fruto do Coração (Mateus 12:33-34): "Ou façam a árvore boa e o seu fruto bom, ou façam a árvore má e o seu fruto mau; pois a árvore é conhecida pelo seu fruto... Pois a boca fala do que está cheio o coração".
O resumo bem direto
✅ Obras da carne = o que eu produzo quando eu sou o centro.
✅ Fruto do Espírito = o que Deus produz em mim quando Ele é o centro.
Uma analogia simples
Pensa assim:
A carne é como uma fábrica: produz coisas no esforço humano.
O Espírito é como uma árvore viva: dá fruto quando está bem enraizada.
Você não “faz” uma laranja.
A laranjeira só dá.
Um detalhe importante (e bem libertador)
Isso não significa que você fica passivo, tipo “Deus faz tudo e eu não faço nada”.
Significa que o seu papel muda:
Você coopera
você se alimenta (oração, Palavra, comunhão)
você se arrepende
você obedece
Mas quem gera a transformação real é o Espírito.
1- A ideia de que o fruto vem da permanência em Deus
🔹 João 15:4–5
“Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós… porque sem mim nada podeis fazer.”
Jesus mostra que o fruto não vem do esforço humano isolado, mas da conexão com Ele.
2- A luta entre carne e Espírito
🔹 Gálatas 5:16–17
“Andai em Espírito e não cumprireis a concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito…”
Mostra que são duas naturezas em conflito.
📖 3. A incapacidade da carne produzir vida espiritual
🔹 Romanos 8:5–8
“Os que estão na carne não podem agradar a Deus.”
Aqui fica claro que a carne não produz algo que agrade verdadeiramente a Deus.
📖 5. Deus produzindo em nós
🔹 Filipenses 2:13
“Porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade.”
Essa é uma das referências mais fortes para a ideia de que o Espírito realiza em nós aquilo que não conseguimos produzir sozinhos.
📖 6. Nova criação / transformação interior
🔹 2 Coríntios 5:17
“Se alguém está em Cristo, nova criatura é…”
🔹 Ezequiel 36:26–27
“Dar-vos-ei coração novo… porei dentro de vós o meu Espírito e farei que andeis nos meus estatutos.”
Vamos aborda três verdades importantes sobre o fruto do Espírito:
1) a natureza do fruto; 2) sua variedade; e 3) seu cultivo.
O fruto de que Paulo está tratando é a criação do Espírito Santo. Ele não brota da nossa natureza, nem é produto da educação mais refinada. Esse fruto é variado, uma vez que Paulo menciona nove virtudes morais que são produzidas pelo próprio Espírito. Finalmente, esse fruto precisa ser cultivado de forma espontânea para que se tome proveitoso e assaz saboroso.
Quatro verdades devem ser aqui observadas.
Em primeiro lugar, o Espírito produz em nós o seu próprio fruto. “... o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei” (5.22,23).
Segundo Juarez Marcondes Filho, o fruto do Espírito não pode ser criado artificialmente nem pode ser simulado. Ninguém frutificará alheio à operação do Espírito Santo.518 Vale ressaltar que Paulo não fala de frutos, mas do fruto. Essas nove virtudes são como que gomos de um mesmo fruto. Não podemos ter um fruto e ser desprovidos de outros. As nove virtudes produzidas em nós pelo Espírito podem ser classificadas em três áreas:
1) a atitude do cristão para com Deus;
2) a atitude do cristão para com outras pessoas; e
3) a atitude do cristão para com ele mesmo.
1- Virtudes ligadas ao nosso relacionamento com Deus.
“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz...” (5.22a).
Essa tríade tem a ver com nossa relação com Deus, pois o primeiro amor do cristão é o seu amor a Deus, sua principal alegria é a sua alegria em Deus e a sua paz mais profunda é a sua paz com Deus.519 Vamos destacar aqui essas palavras.
• Amor.
A palavra grega ágape, traduzida por “amor”, inclui tanto amor a Deus como o amor ao próximo.
Bem sabemos que na língua grega há quatro termos para amor:
1) Eros é o amor de um homem por uma mulher; é o amor imbuído de paixão.
2) Filia é o amor caloroso para os nossos achegados e familiares. E um sentimento profundo do coração.
3_ Storge aplica- se particularmente ao amor dos pais pelos filhos.
4) Agape é o termo cristão e significa benevolência invencível.
Encabeçando o primeiro grupo temos “o maior dos três maiores”, ou seja, o amor (ICo 13; Ef 5.2; Cl 3.14).
1Co 13:1 E agora, passo a vos mostrar um caminho ainda muito mais excelente. Ainda que eu fale as línguas dos seres humanos e dos anjos, se não tiver amor, serei como o sino que ressoa ou como o prato que retine.
1Co 13:2 Mesmo que eu possua o dom de profecia e conheça todos os mistérios e toda a ciência, e ainda tenha uma fé capaz de mover montanhas, se não tiver amor, nada serei.
1Co 13:3 Mesmo que eu dê aos necessitados tudo o que possuo e entregue o meu próprio corpo para ser queimado, se não tiver amor, todas essas ações não me trarão qualquer benefício real.
1Co 13:4 O amor é paciente; o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, nem é arrogante.
1Co 13:5 Não se porta de maneira inconveniente, não age egoisticamente, não se enfurece facilmente, não guarda ressentimentos.
1Co 13:6 O amor não se alegra com a injustiça, pois sua felicidade está na verdade.
1Co 13:7 Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.
1Co 13:8 O amor jamais morre; todavia, as profecias deixarão de existir, as línguas cessarão, o conhecimento desaparecerá.
Efs 5:2 e andai em amor como Cristo, que também nos amou e se entregou por nós a Deus como oferta e sacrifício com aroma suave.
Efs 5:2 e andai em amor como Cristo, que também nos amou e se entregou por nós a Deus como oferta e sacrifício com aroma suave.
Não somente Paulo, mas também João estabelece prioridade a esta graça de abnegação (1 Jo 3.14; 4.8,19).
1Jo 3:14 Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos. Quem não ama permanece na morte.
1Jo 4:8 Aquele que não ama não conhece a Deus, porquanto Deus é amor.
1Jo 4:19 Nós amamos porque Ele nos amou primeiro.
E igualmente Pedro (lP e 4.8). 1Pe 4:8 Antes de tudo, exercei profundo amor fraternal uns para com os outros, porquanto o amor cobre uma multidão de pecados.
E assim eles estão seguindo o claro exemplo que lhes deu Cristo
(Jo 13.1,34; 17.26).
Joã 13:1 Assim, pouco antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que havia chegado o tempo de Deus, em que partiria deste mundo e iria para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.
Joã 13:34 Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros; assim como Eu vos amei; que dessa mesma maneira tenhais amor uns para com os outros.
Joã 17:26 Eu lhes dei a conhecer o teu Nome e ainda continuarei a revelá-lo, a fim de que o amor com que me amaste esteja neles, e Eu neles esteja.”
Quando o amor está presente, a alegria surge naturalmente, pois o amor é o cumprimento da lei de Deus. Obedecer a Deus traz deleite, e essa capacidade de obedecer é um dom da salvação concedida por Ele. Além disso, como todas as coisas cooperam para o bem dos que amam a Deus (Rm 8:28), o crente pode manter a alegria mesmo em meio ao sofrimento — como o próprio Paulo demonstrou. Essa alegria não é superficial como a do mundo, mas profunda, espiritual e antecipação da glória futura.
• Paz.
A palavra grega eirene, traduzida por “paz”, refere-se fundamentalmente à paz com Deus.
Era usada para descrever a tranquilidade e a serenidade que goza um país sob um governo justo. Significa não apenas ausência de problemas, mas, sobretudo, a consciência de que nossa vida está nas mãos de Deus.
Da mesma forma, o amor também produz paz. Quem ama a lei do Senhor desfruta de grande paz. Essa paz é uma serenidade interior que vem da justificação pela fé (Rm 5:1).
Rom 5:1 Portanto, havendo sido justificados pela fé, temos paz com Deus, por meio do nosso Senhor Jesus Cristo,
Quem a possui torna-se também um promotor da paz, buscando preservar a unidade na comunidade cristã (Ef 4:3),
Efs 4:3 procurando cuidadosamente manter a unidade do Espírito no vínculo da paz.
reconhecendo que essa paz foi conquistada pelo sacrifício de Cristo.
2- Virtudes ligadas ao nosso relacionamento com o próximo.
“... longanimidade, benignidade, bondade...” (5.22b).
Essas três virtudes estão conectadas com a nossa relação com o próximo: longanimidade e paciência para com aqueles que nos irritam ou perseguem, benignidade é uma questão de disposição, e bondade refere-se a palavras e atos.
Vamos examinar mais detidamente essas palavras.
• Longanimidade.
A palavra grega makrothumia, traduzida por “longanimidade”, significa ânimo espichado ao máximo. E a pessoa tardia em irar-se. Trata-se de paciência para suportar injúrias de outras pessoas. Descreve o homem que, tendo condições de vingar-se, não o faz.
Longanimidade (makrothumia) é a paciência que suporta ofensas sem explodir, imitando o próprio caráter de Deus e de Cristo (Rm 2:4; Rm 9:22; 1Tm 1:16; Ef 4:2; Cl 3:12–13).
Rom 2:4 Ou, porventura, desprezas a imensa riqueza da bondade, tolerância e paciência, não percebendo que é a própria misericórdia de Deus que te conduz ao arrependimento?
Rom 9:22 Mas o que tens a dizer se Deus suportou com muita longanimidade os vasos da ira, preparados para a destruição, porque desejava manifestar a sua ira e tornar conhecido seu poder,
Efs 4:2 com toda humildade e mansidão, com paciência, suportando-vos uns aos outros em amor,
Col 3:12 Assim, como povo escolhido de Deus, santo e amado, revesti-vos de um coração pleno de compaixão, bondade, humildade, mansidão e paciência.
Col 3:13 Zelai uns pelos outros e perdoai-vos mutuamente; caso alguém tenha algum protesto contra o outro, assim como o Senhor vos perdoou, assim também procedei.
1Tm 1:16 Todavia, por este motivo mesmo, me foi concedida misericórdia, para que em mim, o pior dos pecadores, Cristo Jesus, demonstrasse toda a grandeza da sua paciência, e me tornasse num modelo para todos quantos haveriam de crer nele para a vida eterna.
Ela nasce da confiança de que Deus cumprirá suas promessas e é essencial para vencer divisões dentro da igreja e a hostilidade do mundo (Hb 6:12; 2Tm 4:2,8).
Heb 6:12 de maneira que não vos torneis negligentes, mas imiteis aqueles que, por intermédio da fé e da longanimidade, recebem a herança prometida. A promessa de Deus é imutável
2Tm 4:2 Prega a Palavra, insiste a tempo e fora de tempo, aconselha, repreende e encoraja com toda paciência e sã doutrina.
2Tm 4:3 Porquanto, chegará o tempo em que não suportarão o santo ensino; ao contrário, sentindo coceira nos ouvidos, reunirão mestres para si mesmos, de acordo com suas próprias vontades.
2Tm 4:4 Tais pessoas se recusarão a dar ouvidos à verdade, voltando-se para os mitos.
2Tm 4:5 Tu, no entanto, sê equilibrado em tudo, suporta os sofrimentos, faze a obra de um evangelista e cumpre teu ministério. Paulo antevê seu martírio
2Tm 4:6 Quanto a mim, já estou sendo derramado como vinho na oferta de libação. O momento da minha partida se aproxima.
2Tm 4:7 Combati o bom combate, completei a corrida, perseverei na fé!
2Tm 4:8 Agora me está reservada a coroa da justiça, que o Senhor, justo Juiz, me concederá naquele Dia; e não somente a mim, mas certamente a todos os que amarem a sua vinda. Recomendações finais
• Benignidade.
A palavra grega crestotes, traduzida por “benignidade”, significa gentileza. Refere-se a uma disposição gentil e bondosa para com os outros. O jugo de Cristo é crestos (Mt 11.30). Trata-se de uma amável bondade.
Para mencionar apenas algumas, ver Marcos 10.13-16; Lucas 7.11-17, 36-50; 8.40-56; 13.10-17; 18.15-17; 23.34; João 8.1-11; 19.25-27.
Mar 10:13 E aconteceu que as pessoas traziam crianças para que Jesus lhes impusesse a mão, mas os discípulos repreendiam o povo.
Mar 10:14 Todavia, quando Jesus notou o que se passava, ficou indignado e lhes advertiu: “Deixai vir a mim os pequeninos. Não os impeçais, pois deles é o Reino de Deus.
Mar 10:15 Com toda a certeza vos asseguro: aquele que não receber o Reino de Deus como uma criança, jamais terá acesso a ele”.
Mar 10:16 Em seguida, abraçou as crianças, impôs-lhes as mãos e as abençoou. O homem que deseja possuir tudo
Mat 11:30 Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve.
• Bondade.
A palavra grega agathosyne, traduzida por“bondade”, refere-se à bondade ativa como um princípio energizante.
A bondade pode reprovar, corrigir e disciplinar; mas a benignidade só pode ajudar. Trench diz que Jesus mostrou agathosyne quando purificou o templo e expulsou os que o transformaram em um mercado, mas manifestou crestotes quando foi amável com a mulher pecadora que lhe ungiu os pés.
📖 Versículos principais
Gálatas 5:22
“Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé…”Efésios 5:9
“Porque o fruto do Espírito está em toda bondade, e justiça, e verdade.”Romanos 15:14
“E eu mesmo, meus irmãos, estou certo de que vós também estais cheios de bondade…”2 Tessalonicenses 1:11
“…para que o nosso Deus vos faça dignos da sua vocação e cumpra todo o desejo da sua bondade…”
📌 Bondade de Deus (como fonte)
Salmo 34:8
“Provai e vede que o Senhor é bom…”Salmo 23:6
“Certamente que a bondade e a misericórdia me seguirão…”
3- Virtudes ligadas ao nosso relacionamento com nós mesmos.
“... fidelidade, mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei” (5.22c,23).
A última tríade de virtudes tem a ver com nossa relação com nós mesmos. Vejamos:
• Fidelidade.
A palavra grega pistis, traduzida por “fidelidade”, significa fé e lealdade. Descreve a pessoa que é digna de confiança.
O termo “fidelidade” significa lealdade e constância. Em Gálatas, essa virtude é muito apropriada porque Paulo já havia reclamado da falta de lealdade dos gálatas para com ele (Gl 4:16).
Gál 4:16 Fiz-me, acaso, vosso inimigo, dizendo a verdade?
Porém, no fundo, a infidelidade deles não era tanto contra Paulo, mas principalmente contra o evangelho e, portanto, contra Deus e sua Palavra, como aparece em Gl 1:6–9; 3:1; 5:7.
Gál 5:7 Corríeis bem; quem vos impediu, para que não obedeçais à verdade?
Assim, Paulo está recomendando como fruto do Espírito uma fidelidade a Deus e à sua vontade, o que naturalmente também inclui lealdade nas relações humanas.
• Mansidão.
A palavra grega prautes, traduzida por“mansidão”, significa dócil submissão. E poder sob controle. A palavra era usada para um animal que foi domesticado e criado sob controle.
A palavra grega usada é prautēs, que significa brandura, humildade, gentileza no trato com os outros.
⚠️ Importante:
Mansidão não é fraqueza.
É força sob controle.
É a atitude de alguém que poderia reagir com dureza, mas escolhe agir com humildade e equilíbrio.
📖 2. Mansidão no contexto de Gálatas
O contexto da carta fala de:
contendas
divisões
ciúmes
espírito partidário (Gl 5:15, 20-21)
Por isso, a mansidão aparece como antídoto contra conflitos.
Aplicação direta no próprio livro:
Gálatas 6:1
“Se alguém for surpreendido em alguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de mansidão…”
Aqui vemos que a mansidão se manifesta especialmente:
na correção
no trato com quem erra
na restauração de irmãos
📖 3. Mansidão no caráter de Cristo
A mansidão é uma marca clara de Jesus:
Mateus 11:29
“Aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração…”
2 Coríntios 10:1
“…pela mansidão e benignidade de Cristo…”
Jesus tinha autoridade e poder, mas tratava as pessoas com graça e equilíbrio.
📖 4. Mansidão como virtude cristã geral
Paulo também ensina que ela deve marcar toda a vida cristã:
Efésios 4:2 – “com toda humildade e mansidão…”
Colossenses 3:12 – “revesti-vos… de mansidão”
2 Timóteo 2:25 – corrigir “com mansidão”
Tito 3:2 – mostrar mansidão para com todos
📖 5. A promessa ligada à mansidão
Mateus 5:5
“Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra.”
A mansidão é valorizada por Deus e recompensada.
📌 Resumo Teológico
A mansidão em Gálatas é:
uma atitude produzida pelo Espírito
humildade no trato com os outros
força controlada
essencial para manter unidade na igreja
reflexo direto do caráter de Cristo
• Domínio próprio.
A palavra grega egkrateia, traduzida por “domínio próprio”, significa autocontrole, domínio dos próprios desejos e apetites. Aplicava-se à disciplina que os atletas exerciam sobre o próprio corpo (lC o 9.25) e o domínio cristão do sexo (lCo 7.9).
📖 1) O que significa “domínio próprio”?
Gálatas 5:22–23
“…mansidão, domínio próprio. Contra estas coisas não há lei.”
A palavra grega aqui é egkráteia, que significa:
autocontrole
força interior
capacidade de dizer “não” aos impulsos
Ou seja: é a pessoa que não é governada por:
desejos
ira
vícios
língua
emoções descontroladas
📖 2) Domínio próprio no contexto de Gálatas
Gálatas 5 contrasta:
obras da carne (Gl 5:19–21)
vs.fruto do Espírito (Gl 5:22–23)
Então, domínio próprio é o oposto de uma vida dominada por:
imoralidade
bebedices e glutonarias
explosões de ira
brigas e facções
📖 3) Domínio próprio é fruto do Espírito (não só esforço humano)
Paulo não chama isso de “obra”, mas de fruto.
Ou seja: não é só “força de vontade”, mas o Espírito Santo gerando equilíbrio e maturidade dentro do crente.
Gálatas 5:16
“Andai no Espírito e jamais satisfareis à concupiscência da carne.”
📖 4) Outras referências bíblicas importantes
Provérbios 25:28
“Como cidade derribada, sem muros, assim é o homem que não tem domínio próprio.”1 Coríntios 9:25
“Todo atleta em tudo se domina…”2 Pedro 1:5–6
“…acrescentai… ao conhecimento, o domínio próprio…”Tito 2:11–12 “A graça de Deus… nos ensina a renunciar… e a viver… sensata (com domínio próprio)…”
✅ Resumo
Paulo ensina que a vida cristã coerente tem quatro marcas principais:
1) Os salvos crucificaram a carne.
“E os que são de Cristo Jesus crucificaram a carne…” (Gl 5:24)
O verbo indica uma ação completa no passado, ligada à conversão. Pela união com Cristo, o crente participa de sua morte e ressurreição e deve viver como alguém que já “morreu” para o velho homem (Gl 2:20; Rm 6:6).
Isso não é algo apenas passivo (“morrer”), mas envolve também uma atitude ativa: um “matar” diário da velha natureza (Mc 8:34). Essa rejeição do pecado deve ser decisiva e sem volta.
2) Os salvos devem andar no Espírito.
“Se vivemos no Espírito, andemos também no Espírito.” (Gl 5:25)
Se o Espírito habita no crente e produz fruto, então o cristão precisa viver de forma consistente. O termo “andar” significa seguir em linha reta, como numa formação — algo contínuo e disciplinado.
3) Existe diferença entre ser guiado e andar no Espírito.
“Ser guiado” é passivo (o Espírito conduz) (Gl 5:18)
“Andar” é ativo (o crente obedece e caminha) (Gl 5:16,25)
Ou seja: Deus guia, mas nós precisamos responder com prática diária.
4) Os salvos devem viver em coerência com os irmãos.
“Não nos deixemos possuir de vanglória…” (Gl 5:26)
A ambição por honra humana gera inveja e provocações, e isso é obra da carne, não fruto do Espírito. Quem busca glória humana se afasta da verdadeira glória, pois o cristão só pode se gloriar em Deus.
🎯 Conclusão final
A vida cristã verdadeira não é só uma confissão de fé, mas uma vida coerente: a carne foi crucificada, o Espírito habita em nós, e agora devemos andar diariamente em obediência. Isso se prova principalmente no relacionamento com os irmãos: onde há Espírito, há humildade; onde há carne, há vanglória, inveja e disputa. Portanto, o crente demonstra que é de Cristo quando vive como alguém que já morreu para o velho homem e caminha, todos os dias, em linha reta com o Espírito.
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