domingo, 9 de agosto de 2026

ARMADURA DE DEUS - PR FERNANDO PESSOA

 


ARMADURA DE DEUS 

Efs 6:13  Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e, havendo feito tudo, ficar firmes. 


O “dia mau” é o dia de duras provas, os momentos mais críticos da vida, quando o diabo e seus subordinados sinistros nos assaltam com grande veemência. O “dia mau” refere-se àqueles dias críticos de tentação ou de constante assalto satânico que todos os filhos de Deus conhecem. Nesses dias, somos subitamente assaltados, sem nenhum aviso, nenhum sinal de tempestade, nenhuma queda do barômetro.

Hendriksen, escrevendo sobre essas ciladas do diabo, afirma:

Alguns destes manhosos ardis e malignos estratagemas são: confundir a mentira com a verdade de forma a parecer plausíveis (Gn 3.4,5,22); citar (melhor, citar erroneamente) as Escrituras (Mt 4.6); disfarçar-se em anjo de luz (2Co 11.4) e induzir seus “ministros” a fazerem o mesmo, “aparentando ser apóstolos de Cristo (2Co 11.13); arremedar a Deus (2Ts 2.1-4,9); reforçar a crença humana de que ele não existe (At 20.22); entrar em lugar onde não se esperava que entrasse (Mt 24.15; 2Ts 2.4); e, acima de tudo, prometer ao homem que por meio das más ações pode-se chegar a obter o bem (Lc 4.6,7).


Em quarto lugar, é um inimigo persistente (6.13b). “E, havendo tudo feito, permanecer firmes”. O diabo e suas hostes não ensinam suas armas. Ao ser derrotados, eles voltam com novas estratégias. Foi assim com Jesus no deserto, onde foi tentado (Lc 4.13). Elias fugiu depois de uma grande vitória. Sansão foi subjugado pelos filisteus depois de vencê-los. Davi venceu exércitos, mas caiu na teia da luxúria. Pedro caiu na armadilha da autoconfiança.


O equipamento que precisamos para essa batalha (6.14-17)


“Portanto, tomai toda a armadura de Deus, para que possais resistir no dia mau e,

havendo feito tudo, ficar firmes”. A armadura do cristão não é para um desfile,

nem é uniforme de gala para festas. O inimigo precisa ser enfrentado. O que é o

“dia mau”? É o dia em que as forças do mal atacam. Também é mau por causa

da possibilidade de derrota.


A armadura inteira de Deus inclui:

1. O cinturão da verdade. 

“Estai, pois, firmes, tendo cingido os vossos lombos

com a verdade”. O cinturão conservava a armadura no lugar apropriado,

dando força e liberdade de ação. A verdade se refere aqui em seu sentido

compreensivo, e significa honestidade e sinceridade, em contraste com o

fingimento, a leviandade, a hipocrisia e o erro, porque estas coisas dissolvem as

forças espirituais e nos debilitam para a nossa batalha contra o pecado e o

diabo (cf. Tt 1.2; Jo 8.44). Não pode haver genuína força de caráter sem

sinceridade e honestidade.



2. A couraça da justiça.

“E vestindo a couraça da justiça.” Essa peça da armadura, feita de metal, cobria o guerreiro do pescoço ao peito. Protegia o coração e os órgãos vitais. Esse é um símbolo da justiça que o crente tem em Cristo (2Co 5.21),

2Co 5:21  Àquele que não conheceu pecado, o fez pecado por nós; para que, nele, fôssemos feitos justiça de Deus.

como também o caráter justo que o crente exerce em sua vida diária (4.24).


couraça representa a vida devota e santa, ou seja, a retidão moral. Sem a justiça de Cristo e a santidade pessoal não há defesa contra as acusações de Satanás (Zc 3.1-3). Satanás é o acusador, mas sua acusação não prospera por causa da justiça de Cristo imputada a nós (Rm 8.34). 

Rom 8:34  Quem os condenará? Pois é Cristo quem morreu ou, antes, quem ressuscitou dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós. 

Mas nossa justiça nos posiciona em Cristo, sem uma justiça prática na vida diária, apenas dá a Satanás oportunidade para nos atacar.

3. Paulo falou sobre o calçado do evangelho

(6.15). “Calçando os pés com a disposição para o evangelho da paz.

” Os soldados romanos usavam uma sandália com cravos na sola para lhes dar segurança e agilidade na caminhada e corrida por lugares escarpados. Se quisermos ficar firmes e de pé na luta, precisamos estar calçados com o Evangelho (que nos dá paz com Deus e com o próximo). Precisamos ter pés velozes para anunciar o evangelho da paz aos perdidos (Is 52.7).


Isa 52:7  Quão suaves são sobre os montes os pés do que anuncia as boas-novas, que faz ouvir a paz, que anuncia o bem, que faz ouvir a salvação, que diz a Sião: O teu Deus reina! 

O diabo declara guerra para destruir os homens, mas nós somos embaixadores do evangelho da paz (2Co 5.18-20).

4. Em quarto lugar, Paulo falou sobre o escudo da fé

(6.16). “E usando principalmente o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos em chamas do Maligno.” 

Esse escudo media 1,60 m de altura por 70 cm de largura. Ele protegia todo o corpo do soldado. Era feito de madeira e coberto por um couro curtido. Quando os soldados lutavam emparelhados, formavam como uma parede contra o adversário. Uma das armas mais terríveis eram os dardos de fogo porque não apenas feriam, mas também incendiavam. 

O diabo lança dardos de fogo em nosso coração e mente: mentiras, pensamentos blasfemos, pensamentos de vingança, dúvidas e ardentes desejos de pecar. Se não apagarmos esses dardos pela fé, eles acendem fogo em nosso interior e nós desobedecemos a Deus. Na aljava do diabo há toda espécie de dardos ardentes. Alguns dardos inflamam a dúvida, outros a lascívia, a cobiça, a vaidade e a inveja. Curtis Vaughan diz que esses dardos de fogo eram flechas untadas com breu ou com outro material combustível e acesas imediatamente antes de ser lançadas contra o adversário. Não só feriam, como também queimavam

5. Paulo falou sobre o capacete da salvação 

(6.17a). “Tomai também o capacete da salvação.” 

Satanás ataca a mente. Essa foi a estratégia pela qual ele derrotou Eva. Essa peça da armadura fala de uma mente controlada por Deus. Infelizmente, muitos crentes dão pouco valor à mente, à razão, ao conhecimento. Quando Deus controla nossa mente, Satanás não pode levar o crente a fracassar. O crente que estuda a Bíblia e está firmado na Palavra de Deus não cede às propostas sedutoras do diabo facilmente.


6. Paulo falou sobre a espada do Espírito

 (6.17b). “E a espada do Espírito, que é a palavra de Deus.” 

A espada do Espírito é arma de ataque. Essa espada é a Palavra de Deus. Vencemos os ataques do diabo e triunfamos sobre ele por meio da Palavra. E pela Palavra que saqueamos o reino das trevas, a casa do valente. É pela Palavra que os cativos são libertos. A Palavra é poderosa, viva e eficaz. Moisés quis libertar os israelitas com a espada carnal e fracassou, mas quando usou a espada do Espírito o povo foi liberto. Pedro quis defender a Cristo com a espada e fracassou, mas quando brandiu a espada do Espírito, multidões se renderam a Cristo. Cristo venceu Satanás no deserto usando a espada do Espírito. As viagens de Paulo, pregando o evangelho, plantando igrejas e arrancando vidas da potestade de Satanás para Deus é uma descrição eloquente de como ele usou a espada do Espírito.

Precisamos conhecer a Palavra. A Bíblia nos afasta do pecado ou o pecado nos afasta da Bíblia. Infelizmente, há crentes mais comprometidos com a coluna esportiva do jornal do dia do que com a Palavra bendita de Deus.


O poder para vencer essa guerra (6.10-13)

A guerra espiritual não é uma ficção. O fato de o nosso inimigo ser invisível não quer dizer que é irreal. Para enfrentá-lo e vencê-lo não podemos usar armas convencionais. Precisamos de armas espirituais poderosas em Deus para desfazer sofismas e desbaratar o inimigo (2Co 10.4). Destacamos aqui cinco verdades:325

Em primeiro lugar, precisamos do revestimento do poder de Deus (6.10). “Finalmente, fortalecei-vos no Senhor e na força do seu poder.” Não podemos entrar nessa arena de combate fiados em nossa própria força.

Precisamos ser revestidos com poder. Sem autoridade espiritual seremos humilhados nessa peleja. Não basta falar de poder, é preciso experimentá-lo.


Em segundo lugar, precisamos do revestimento de toda a armadura de Deus (6.11,13). Revesti-vos de toda a armadura de Deus. [...] Por isso, tomai toda a armadura de Deus.” Já observamos que Paulo fala de sete peças da armadura, e sete é o número da perfeição. É preciso revestir-se de toda a armadura de Deus sem deixar nenhuma brecha ou flanco aberto.


Em terceiro lugar, precisamos de vigilância constante (6.11). Ficar firme contra as ciladas do diabo é ficar atento, de olhos abertos, vigiando a todo instante. E ficar de prontidão para o combate. E não dormir em meio à luta, como os discípulos de Jesus dormiram no Getsêmani. Vigiar é não brincar com o pecado, é fugir da tentação. E não ficar flertando com situações sedutoras.

Em quarto lugar, precisamos estar a postos e não ceder às pressões (6.13). “Para que possais resistir no dia mau.” Se não estivermos atentos, corremos o risco de ficar revoltados e amargurados com Deus ao nos depararmos com o dia mau. Por falta de discernimento espiritual, muitos ficam


A energia com a qual devemos lutar essa guerra (6.18-20)

A oração é a energia que capacita o soldado crente a usar a armadura e brandir a espada do Espírito. A palavra de Deus dirigida aos homens é deveras poderosa, especialmente quando ela se acha em íntima relação com a palavra dos homens dirigidas a Deus. Não podemos lutar nessa guerra com nossas próprias forças, no nosso próprio poder. Moisés orou, e Josué brandiu a espada contra Amaleque. Oração e ação caminham juntas (Êx 17.8-16). A oração é o poder para a vitoria. Paulo fala sobre seis coisas importantes a respeito da oração:

Em primeiro lugar, o tempo da oração (6.18). “Orando em todo tempo.” Isso quer dizer que devemos estar em constante comunhão com Deus.


Em segundo lugar, a natureza da oração (6.18). “Com toda oração e súplica” é mais do que um tipo de oração. Devemos usar súplica, intercessão e ação de graças. O crente que ora apenas pedindo coisas está perdendo o real sentido da oração, que é se manter em intimidade com Deus, deleitando-se nele.


Em terceiro lugar, a esfera da oração (6.18). “No Espírito” quer dizer que essa oração precisa ser motivada e assistida pelo Espírito (Rm 8.26,27). Não é oração feita no monte ou em línguas, mas no Espírito. O Espírito assiste-nos em nossa fraqueza, porque não sabemos orar como convém. O Espírito é como o fogo que faz o incenso da oração subir como aroma suave diante de Deus. 


Em quarto lugar, a vigilância da oração (6.18). “E, para isso mesmo, vigiando.” Devemos orar de olhos abertos. Devemos orar e vigiar. Devemos fazer como Neemias: “Nós, porém, oramos ao nosso Deus; e colocamos guardas para proteger-nos de dia e de noite” (Ne 4.9).

Orar e vigiar é o segredo da vitória sobre o mundo (Mc 13.33), a carne (Mc 14.38) e o diabo (6.18). Porque Pedro dormiu, e não orou nem vigiou, ele foi derrotado no Getsêmani (Mc 14.29-31, 67-72).


Em quinto lugar, a perseverança da oração (6.18).Com toda perseverança.” A igreja primitiva orou com perseverança (At 1.14; 2.42; 6.4), e também devemos orar da mesma forma (Rm 12.12). Robert Law disse: “A oração não é para fazer a vontade do homem no céu, mas para fazer a vontade de Deus na terra”.


Em sexto lugar, o alcance da oração (Ef 6.18-20). “E súplica por todos os santos, e também por mim, para que a palavra me seja dada quando eu abrir a boca, para que possa,

com ousadia, tornar conhecido o mistério do evangelho, pelo qual sou embaixador na prisão, para que nele eu tenha coragem para falar como devo.” Somos um exército, precisamos orar uns pelos outros e orar por todos os santos. Quando um soldado cai, tornamo-nos mais vulneráveis. Precisamos uns dos outros. Precisamos orar uns pelos outros. Nenhum soldado, ao entrar em combate, ora só por si mesmo, mas também por seus companheiros. Eles constituem um exército, e o sucesso de um é o sucesso de todos.327 Paulo pede oração por si mesmo, não para se livrar da prisão, mas para tornar-se mais eficaz na proclamação do evangelho.


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