quinta-feira, 28 de agosto de 2025

LIÇÃO 08 UMA IGREJA QUE ENFRENTA OS SEUS PROBLEMAS

 LIÇÃO 08 UMA IGREJA QUE ENFRENTA OS SEUS PROBLEMAS


PROFESSOR . PR FERNANDO PESSOA 24/08/2025




INTRODUÇÃO:

Transformando crises em oportunidades


T r ê s  f o r a m  a s  t e n t a t iv a s de impedir o avanço da igreja primitiva. 

Já vimos as duas primeiras: perseguição (At 4) e infiltração (At 5). 

Agora, veremos a terceira, a distração (At 6). Já que Satanás não conseguiu derrotar a igreja de fora para dentro por meio da perseguição, nem de dentro para fora por meio da corrupção, tenta agora desviar o foco de sua liderança para o serviço das mesas.

Curiosamente o que está ameaçando a igreja agora não é uma coisa ruim, mas boa, a assistência social.

O problema é que os apóstolos estavam perdendo a sua prioridade, cor-

rendo de um lado para o outro, ocupados com o atendimento às pessoas

necessitadas, deixando de lado a oração e o ministério da Palavra.

O texto em apreço nos ensina várias lições, que expomos a seguir.

A murmuração na igreja (6.1)


Com o colossal crescimento da igreja, alguns problemas vieram à tona. Lucas relata: Ora, naqueles dias, multiplicando-se o número dos discípulos, houve murmuração dos helenistas contra os hebreus, porque as viúvas deles estavam

sendo esquecidas na distribuição diária (6.1).

O crescimento numérico da igreja sempre trará na bagagem problemas potenciais que precisam ser enfrentados com urgência e sabedoria. 


6:1 / as suas viúvas: Há razão para pensarmos que entre os gregos

havia predominância de mulheres (veja a disc. sobre 2:5), e dentre todas as

pessoas, estas mulheres mais idosas, viúvas, vindas da diáspora, teriam sido

as mais vulneráveis. Com freqüência elas teriam ficado totalmente sob os

cuidados e sustento da comunidade cristã. Quanto ao cuidado das viúvas na

igreja primitiva, veja Tiago 1:27

Tgo 1:27  A religião pura e sem mácula, para com o nosso Deus e Pai, é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas tribulações e a si mesmo guardar-se incontaminado do mundo. 

 (cp. Deuteronômio 14:29; 24:19; 26:12; Isaías 1:17; Zacarias 7:10). 

Deu 14:29  Então, virão o levita (pois não tem parte nem herança contigo), o estrangeiro, o órfão e a viúva que estão dentro da tua cidade, e comerão, e se fartarão, para que o SENHOR, teu Deus, te abençoe em todas as obras que as tuas mãos fizerem. 


Deu 24:19  Quando, no teu campo, segares a messe e, nele, esqueceres um feixe de espigas, não voltarás a tomá-lo; para o estrangeiro, para o órfão e para a viúva será; para que o SENHOR, teu Deus, te abençoe em toda obra das tuas mãos. 


Deu 26:12  Quando acabares de separar todos os dízimos da tua messe no ano terceiro, que é o dos dízimos, então, os darás ao levita, ao estrangeiro, ao órfão e à viúva, para que comam dentro das tuas cidades e se fartem. 

Com o passar do tempo, formar-se-ia uma ordem das viúvas (1 Timóteo 5:3-16; 

1Tm 5:3  Honra as viúvas verdadeiramente viúvas. 

1Tm 5:4  Mas, se alguma viúva tem filhos ou netos, que estes aprendam primeiro a exercer piedade para com a própria casa e a recompensar a seus progenitores; pois isto é aceitável diante de Deus. 

1Tm 5:5  Aquela, porém, que é verdadeiramente viúva e não tem amparo espera em Deus e persevera em súplicas e orações, noite e dia; 

1Tm 5:6  entretanto, a que se entrega aos prazeres, mesmo viva, está morta. 

1Tm 5:7  Prescreve, pois, estas coisas, para que sejam irrepreensíveis. 

1Tm 5:8  Ora, se alguém não tem cuidado dos seus e especialmente dos da própria casa, tem negado a fé e é pior do que o descrente. 

1Tm 5:9  Não seja inscrita senão viúva que conte ao menos sessenta anos de idade, tenha sido esposa de um só marido, 

1Tm 5:10  seja recomendada pelo testemunho de boas obras, tenha criado filhos, exercitado hospitalidade, lavado os pés aos santos, socorrido a atribulados, se viveu na prática zelosa de toda boa obra. 

1Tm 5:11  Mas rejeita viúvas mais novas, porque, quando se tornam levianas contra Cristo, querem casar-se, 

1Tm 5:12  tornando-se condenáveis por anularem o seu primeiro compromisso. 

1Tm 5:13  Além do mais, aprendem também a viver ociosas, andando de casa em casa; e não somente ociosas, mas ainda tagarelas e intrigantes, falando o que não devem. 

1Tm 5:14  Quero, portanto, que as viúvas mais novas se casem, criem filhos, sejam boas donas de casa e não dêem ao adversário ocasião favorável de maledicência. 

1Tm 5:15  Pois, com efeito, já algumas se desviaram, seguindo a Satanás. 

1Tm 5:16  Se alguma crente tem viúvas em sua família, socorra-as, e não fique sobrecarregada a igreja, para que esta possa socorrer as que são verdadeiramente viúvas. 


Inácio, Smyrnaeans 13.1; Policarpo, Philippians 4.3), mas nem aqui nem em 9:39 há razões para pensarmos que tal ordem estaria iniciando-se.


Ats 6:2  E os doze, convocando a multidão dos discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas. 


E sirvamos às mesas: Esta expressão poderia significar servir refeições nas mesas (cp. Lucas 16:21; 22:21, 30), mas "mesas" era também uma figura de linguagem usada para transações financeiras, visto que os que emprestavam dinheiro sentavam-se às mesas a fim de exercer seu ofício.

Essa palavra é usada nesse sentido em Mateus 21:12; 25:27; 

Mat 21:12  E entrou Jesus no templo de Deus, e expulsou todos os que vendiam e compravam no templo, e derribou as mesas dos cambistas e as cadeiras dos que vendiam pombas. 

Mat 25:27  Cumpria, portanto, que entregasses o meu dinheiro aos banqueiros, e eu, ao voltar, receberia com juros o que é meu. 


Lucas 19:23;

Luc 19:23  Por que não puseste, pois, o meu dinheiro no banco, para que eu, vindo, o exigisse com os juros? 

João 2:15, 

Joã 2:15  tendo feito um azorrague de cordas, expulsou todos do templo, bem como as ovelhas e os bois, derramou pelo chão o dinheiro dos cambistas, virou as mesas 

e talvez aqui também; os apóstolos estão afirmando que não deveriam abandonar seu ministério primordial a fim de servir como banqueiros, cambistas de dinheiro ou distribuidores de auxílio.




I– A IDENTIFICAÇÃO DOS CONFLITOS 

1-2 CONFLITOS DE NATUREZA CULTURAL E SOCIAL.

As viúvas dos helenistas, aqueles convertidos que vieram da dispersão e não falavam o hebraico, começaram a ser esquecidas na distribuição diária. 

A injusta distribuição dos recursos gerou murmuração na igreja. 

O som da palavra grega murmuração sugere o zumbir das abelhas. Um tumulto no meio da comunidade cristã estava colocando em risco a comunhão da igreja.

A comunhão, que fora atacada pela hipocrisia de Ananias e Safira, estava novamente sendo ameaçada pela injustiça.


William Barclay destaca o fato de que havia duas classes de judeus na igreja cristã. 

O primeiro grupo era composto pelos judeus que moravam em Jerusalém e Palestina e falavam o aramaico, o idioma ancestral. Esse grupo orgulhava-se de não ter assimilado nenhuma estrangeirice em sua cultura.


O segundo grupo era formado pelos judeus que haviam morado fora da Palestina por muitas gerações, mas que, depois do Pentecostes, permaneceram em Jerusalém.

Esses judeus haviam esquecido o hebraico e falavam o grego. Os orgulhosos judeus de fala aramaica tratavam com desprezo os judeus estrangeiros. Essa fissura no relacionamento manifestou-se na distribuição diária dos recursos.


A queixa acerca da ajuda aos pobres não passava de mero sintoma de um problema mais profundo, a saber: os cristãos de língua hebraica e os de língua grega estavam divididos em dois grupos separados.


E muito provável que o esquecimento das viúvas helenistas não fosse proposital. A queixa acabava recaindo sobre os apóstolos, que estavam encarregados dessa

distribuição (4.35,37). 

(Ats 4:35)  e depositavam aos pés dos apóstolos; então, se distribuía a qualquer um à medida que alguém tinha necessidade.

Uma medida imediata precisava ser tomada para corrigir o problema. Os apóstolos não foram negligentes nem remissos. Agiram com rapidez e sabedoria

para estancar aquela hemorragia que colocava em risco a paz interna da igreja e o seu testemunho externo.


3. Qual é a PRIORIDADE?


ANTIGO TESTAMENTO  NEGLIGENCIARAM 

Isa 58:6  Porventura, não é este o jejum que escolhi: que soltes as ligaduras da impiedade, que desfaças as ataduras do jugo, e que deixes livres os quebrantados, e que despedaces todo o jugo? 


Novo testamento 


Mat 25:35  porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me; 

Mat 25:36  estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e fostes ver-me. 

Mat 25:37  Então, os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome e te demos de comer? Ou com sede e te demos de beber? 

Mat 25:38  E, quando te vimos estrangeiro e te hospedamos? Ou nu e te vestimos? 


II- A DELEGAÇÃO DE TAREFAS 

A decisão dos apóstolos (6.2-4)


O problema identificado (6.1) encontrou imediata solução (6.2-6), e o resultado foi o crescimento da igreja (6.7).


Ralph Earle diz que temos aqui uma ajuda prática de como solucionar problemas: 

reconhecer o problema (6.1,2a); recusar-se a subordinar o que é essencial 

(6.2b); remover as causas de reclamações (6.3-6); e colher os resultados de uma solução sensata (6.7).


Os apóstolos não ficaram na defensiva. Acolheram as críticas dos helenistas e tiveram coragem de fazer uma correção de rota. 

Alguém já disse que o sucesso é “o ninho do ano anterior, do qual os pássaros já voaram embora”.Aquilo que funcionou bem ontem pode não ser mais funcional nem relevante hoje.


Não podemos sacralizar as estruturas. Elas são facilitadoras, e não empecilhos, para o avanço da obra. Em vez dos apóstolos se desgastarem ainda mais no trabalho do serviço às mesas, ampliaram o quadro de obreiros. É conhecido o que Dwight Moody costumava dizer: “É melhor colocar dez homens para trabalhar do que tentar fazer o trabalho de dez homens”. Warren Wiersbe diz que a igreja apostólica não teve medo de fazer ajustes em sua estrutura, a fim de dar espaço para a expansão do ministério. É triste quando as igrejas destroem ministérios por se recusarem a modificar suas estruturas.


1- O MINISTÉRIO DA ORAÇÃO E DA PALAVRA 

Três verdades nos chamam a atenção no texto.


Em primeiro lugar, o perigo da distração (6.2).

Então, doze convocaram a comunidade dos discípulos e disseram:

Não é razoável que nós abandonemos a palavra de Deus para servir às mesas. Entenda-se a expressão servir às mesas como uma metonímia:

“garantir que as necessidades viúvas sejam atendidas” ou “ocupar-se de questões financeiras e administrativas”.

 Concordo com John Stott em que não há aqui nenhuma sugestão de que os

apóstolos vissem a obra social inferior à obra pastoral, o a considerassem pouco digna para eles. Era apenas uma questão de chamado. 

Aos apóstolos foram confiados os oráculos de Deus. Eles foram encarregados de ensinar a Palavra e fazer discípulos de todas as nações. Cabia a eles a diaconia da palavra, e não a diaconia das mesas.

Embora fosse um trabalho justo e necessário, a assistência às viúvas pobres não era a prioridade dos apóstolos. Eles não podiam abandonar as trincheiras da oração e do ministério da palavra para focar noutra área. A distração

seria uma armadilha mortal.


Servir é o verbo grego diakoneo. O substantivo cognato diakonia é traduzido como ministério no versículo 1.

Uma vez que “diácono” vem de diakonos, os homens aqui escolhidos são frequentemente mencionados como “os sete diáconos”, mas esta designação não lhes é dada no texto bíblico.

6:3 / Escolhei, irmãos... sete homens: Há vários paralelismos na literatura rabínica no que concerne à nomeação de uma junta de sete homens como delegados, ou representantes de outras pessoas. Ehrhardt sugere que a autoridade para nomear os sete e os meios pelos quais eles foram selecionados para esse trabalho encontram-se em Números ll:16s. Núm 11:16  E disse o SENHOR a Moisés: Ajunta-me setenta homens dos anciãos de Israel, de quem sabes que são anciãos do povo e seus oficiais; e os trarás perante a tenda da congregação, e ali se porão contigo. 



— a história da nomeação dos setenta que iriam ajudar Moisés. "Sabemos,

através do Talmude, que os rabinos afirmavam que estes setenta homens foram

ordenados mediante a imposição de mãos. Temos, portanto, uma boa razão

para crer que este foi o precedente que levou Pedro e os demais apóstolos a

ordenar os sete — em vez de setenta — da maneira como foram ordenados,

com imposição de mãos"

Embora a tarefa deles fosse "servir" (gr. diakonein) e ao trabalho executado se desse o nome de "serviço" (gr. diakonia), os sete nunca foram chamados de "diáconos" (gr. diakonoi). A primeira menção de diáconos no Novo Testamento só se encontra em Filipenses 1:1. 

Flp 1:1  Paulo e Timóteo, servos de Jesus Cristo, a todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, com os bispos e diáconos: 

Em Romanos 16:1

Rom 16:1  Recomendo-vos a nossa irmã Febe, que é diaconisa na igreja de Cencréia. 

menciona-se uma diaconisa. Segundo a tradição, a nomeação desses sete marcou o início desta ordem de oficiais mas o Novo Testamento dá ínfimo apoio à tradição. É digno de nota, p.e., que quando a igreja primitiva quis distinguir Filipe do apóstolo que tinha seu nome, a igreja não o chamou de "Filipe, o diácono", mas de "Filipe, o evangelista" (21:8). Espalhando-se os gregos (veja a disc. sobre 8:1 b), o cargo dos sete, com respeito ao fundo assistencial, parece ter passado para "os anciãos" (veja a nota sobre 11:30).

Ats 11:30  E assim o fizeram, enviando suas ofertas aos presbíteros pelas mãos de Barnabé e Saulo. Um anjo liberta Pedro da prisão 





Em segundo lugar, a diaconia das mesas (6.3. Mas, irmãos, escolhei dentre vós sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria, aos quais encarregaremos deste serviço.)

Os apóstolos entenderam a legitimidade da diaconia das mesas. Eles reafirmaram a necessidade de continuar o serviço de assistência aos pobres. A evangelização não anula a ação social, nem esta dispensa aquela. A solução, porém, não era os apóstolos deixarem a oração e a Palavra para se dedicarem àquela causa urgente, mas escolherem homens com credenciais para exercer esse ministério. Sou da opinião de que começa aqui o ministério diaconal na igreja.


Os diáconos foram escolhidos não pelos apóstolos, mas pela igreja.

Dentre os membros da igreja, com credenciais preestabelecidas, sete homens foram eleitos para exercerem a diaconia das mesas.

Em terceiro lugar, a diaconia da palavra (6.4). 

E, quanto a nós, nos consagraremos à oração e ao ministério da palavra.

Deus chama todo o seu povo para o ministério; ele chama pessoas diferentes para ministérios diferentes, e aqueles chamados para a oração e o ministério da palavra não devem desviar-se de suas prioridades.


Adolf Pohl diz que os apóstolos realmente honraram a Deus e confirmaram

que o ser humano não vive somente de pão, mas de toda palavra que procede da boca de Deus; além disso, a mensagem que lhes foi confiada compõe-se literalmente das palavras desta Vida (5.20), das quais depende a vida eterna das pessoas.


2. NÃO HÁ CONFLITO ENTRE TAREFAS 

Desta forma, Lucas destaca dois ministérios na igreja: a diaconia das mesas (6.2,3) e a diaconia da palavra (6.4); a ação social e a pregação do evangelho. A igreja algumas vezes caiu em extremos quanto a essa matéria. O pietismo no século XVII caiu no extremo de ver o homem apenas como uma alma a ser salva, e a teologia da libertação no século XX o via apenas como um corpo a ser assistido. A salvação de Deus, porém, alcança o homem integral, alma e corpo. O ministério das mesas não substitui o ministério da palavra, nem o ministério da palavra dispensa o ministério das mesas.


John Stott enfatiza que nenhum dos dois ministérios é superior ao outro. Ambos são ministérios cristãos que visam servir a Deus e ao seu povo. Ambos exigem pessoas espirituais, cheias do Espírito Santo, para exercê-los. A única diferença está na forma que cada ministério assume, exigindo dons e chamados diferentes.


De acordo com Marshall, não se sugere aqui que servir às mesas está num

nível inferior às orações e ao ensino; a ênfase está no fato de que a tarefa à qual os doze foram especificamente chamados era de testemunho e evangelização.


Esta decisão dos apóstolos é um divisor de águas na história da igreja. Aqueles que foram chamados para pregar a palavra precisam esmerar-se no ensino e afadigar-se na Palavra, a fim de serem obreiros aprovados. Se os apóstolos

tivessem abandonado a oração e o ministério da palavra para servir às mesas, a igreja teria perdido seu foco e seu poder. O crescimento da igreja vem por meio da oração e da Palavra.


Esses sempre foram os dois principais instrumentos usados por Deus para levar sua igreja ao crescimento saudável.


Vale a pena destacar que a oração vem antes da pregação porque, se não formos homens de oração, a palavra não terá virtude em nossa boca. Não basta proferir a palavra de Deus, precisamos ser boca de Deus como o profeta Elias

(lRs 17.24). 

1Rs 17:24  Então, a mulher disse a Elias: Nisto conheço, agora, que tu és homem de Deus e que a palavra do SENHOR na tua boca é verdade. 


Não basta carregar o bordão profético como Geazi, precisamos ter a virtude do Espírito Santo como Eliseu (2Rs 4.35).

2Rs 4:35  Depois, voltou, e passeou naquela casa de uma parte para a outra, e tornou a subir, e se estendeu sobre ele; então, o menino espirrou sete vezes e o menino abriu os olhos. 


3. A DIACONIA 


A ordenação dos diáconos (6.6)

Os primeiros diáconos foram escolhidos por ordem apostólica entre os membros da igreja para atender uma necessidade específica (6.3). A seleção se deu a partir de três critérios específicos: deveriam ser homens de boa 

reputação, cheios do Espírito e de sabedoria (6.3). 


Cheios do Espírito Santo e de sabedoria: cp. v. 5, 

"cheio de fé e do Espírito Santo". Em ambos os casos é melhor tomar "sabedoria" e "fé" como manifestações particulares da obra do Espírito em suas vidas, embora a ordem das palavras no segundo versículo torne esta interpretação menos viável. O sentido talvez indique que eles estavam "cheios" do Espírito Santo (veja a disc. sobre 6:2-4), fato que ficou demonstrado de modo especial na fé e na sabedoria deles. Outras alternativas são considerar cada frase como expressando apenas uma idéia. "Cheios da sabedoria que o Espírito concede", e "cheios da fé que o Espírito concede", ou interpretar cada frase como significando que eles tinham dois dons separados: "cheios de fé ou de sabedoria e cheios do Espírito Santo", isto é, do entusiasmo divino. Nenhuma delas é tão satisfatória quanto a primeira sugestão.

Foram ordenados com imposição de mãos dos apóstolos (6.6). Doravante, o diaconato passou a ser um ofício na igreja (lTm 3.8-13).


1Tm 3:8  Da mesma sorte os diáconos sejam honestos, não de língua dobre, não dados a muito vinho, não cobiçosos de torpe ganância, 

1Tm 3:9  guardando o mistério da fé em uma pura consciência. 

1Tm 3:10  E também estes sejam primeiro provados, depois sirvam, se forem irrepreensíveis. 

1Tm 3:11  Da mesma sorte as mulheres sejam honestas, não maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo. 

1Tm 3:12  Os diáconos sejam maridos de uma mulher e governem bem seus filhos e suas próprias casas. 

1Tm 3:13  Porque os que servirem bem como diáconos adquirirão para si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus. 



III- SEGUINDO OS PRINCÍPIOS CRISTÃOS 


1- PRIVILEGIANDO O CARÁTER 

📖 “Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio.” (Atos 6:3)

Introdução

Na Igreja primitiva, havia uma necessidade prática: a distribuição justa dos alimentos. Para resolver isso, os apóstolos orientaram a comunidade a escolher homens para essa função. O interessante é que, mesmo sendo um serviço aparentemente simples, os critérios não foram baseados apenas em habilidade administrativa, mas em caráter espiritual.

1. Boa reputação – Testemunho que fala mais alto

Antes de qualquer função, o testemunho de vida é essencial. A boa reputação não se constrói da noite para o dia; é resultado de uma vida íntegra diante de Deus e das pessoas. Mais do que palavras, as atitudes revelam quem realmente somos.

2. Cheios do Espírito Santo – Dependência de Deus

Não basta ser “bom de serviço”. O obreiro precisa ser cheio do Espírito Santo. Isso significa viver uma vida de oração, santidade e comunhão com Deus. É o Espírito que dá discernimento, força e direção em cada decisão.

3. Cheios de sabedoria – Saber agir com equilíbrio

A sabedoria é a capacidade de aplicar o conhecimento de forma prática. Ela é indispensável para lidar com conflitos, pessoas e recursos da Igreja. A sabedoria de Deus nos capacita a agir com justiça, prudência e amor.

Aplicação prática

Hoje, em muitas igrejas, ainda há a tentação de priorizar talentos visíveis — quem prega bem, canta bonito ou tem capacidade de organização — acima do caráter. Mas a Palavra nos ensina que o maior valor está na vida com Deus. O caráter moldado pelo Espírito Santo é a base para qualquer ministério frutífero.

👉 O Senhor não chama apenas “habilidosos”, Ele chama fiéis. É melhor ter alguém de caráter aprovado do que alguém talentoso, mas sem vida no altar.

Reflexão pessoal

  • Meu caráter tem falado mais alto que meus dons?

  • As pessoas reconhecem em mim um testemunho de integridade?

  • Estou buscando ser cheio do Espírito Santo diariamente?

Exercitando o Dom de Diácono

📖 “Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões de boa reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos sobre este importante negócio.” (Atos 6:3)

Introdução

O diaconato nasceu no coração de Deus para servir a Igreja. Não foi uma criação humana, mas uma resposta do Espírito Santo à necessidade do povo de Deus. O dom do diácono é o dom de servir (Rm 12:7), exercido com amor, zelo e fidelidade.


1. O dom de diácono é serviço prático e espiritual

  • O diaconato nasceu para cuidar das mesas, mas também exigia espiritualidade e sabedoria.

  • Ser diácono não é apenas resolver problemas materiais, mas ser um instrumento de Deus na ordem e cuidado da Igreja.

  • O dom do serviço precisa ser exercitado com excelência, como ao próprio Cristo (Cl 3:23).


2. O exercício do dom exige caráter aprovado

  • A escolha dos sete em Atos 6 mostra que a prioridade era boa reputação, não apenas habilidade.

  • O diácono precisa ser exemplo para a Igreja (1 Tm 3:8-13).

  • O caráter abre portas para o exercício eficaz do ministério.


3. O exercício do dom fortalece a Igreja

  • Quando os diáconos assumiram suas funções, os apóstolos puderam dedicar-se à oração e à Palavra, e a Igreja cresceu (At 6:7).

  • Cada vez que o diácono serve com alegria, a Igreja é fortalecida e o Reino de Deus avança.

  • O serviço fiel gera frutos eternos.


4. Exercitando o dom com amor e humildade

  • O diácono é chamado a refletir o exemplo de Jesus, que “não veio para ser servido, mas para servir” (Mc 10:45).

  • O exercício do dom deve ser feito com espírito voluntário, sem murmuração, mas com amor sincero (1 Pe 4:10-11).

  • O maior reconhecimento não vem dos homens, mas do próprio Senhor que recompensará os servos fiéis.


Conclusão

Exercitar o dom de diácono é um chamado sublime: servir a Deus servindo pessoas. Quando o diácono entende que cada tarefa é um ministério diante do Senhor, o serviço se transforma em adoração.

👉 O desafio de hoje é: Como tenho exercitado meu dom de diácono? Tenho servido com alegria, humildade e dedicação, sendo exemplo para a Igreja?

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