domingo, 23 de novembro de 2025

LIÇÃO 8 EMOÇÕES E SENTIMENTOS - A BATALHA DO EQUILÍBRIO INTERIOR. PR. FERNANDO PESSOA DA SILVA NETO.

 LIÇÃO 8 EMOÇÕES E SENTIMENTOS - A BATALHA DO EQUILÍBRIO INTERIOR.

PR. FERNANDO PESSOA DA SILVA NETO.








INTRODUÇÃO:


Flp 4:7  E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus. 


O texto de Filipenses 4.7 traz, no original, os termos gregos rum (mente, raciocínio), kardia (coração) e noema (um pensamento, aquilo que é pensado). Nesse texto específico, o termo kardia tem um sentido amplo, mas com uma ênfase maior em emoções e vontade, conforme assinalam Coenen e Brown citando Rudolf Bultmann: “E, portanto, a pessoa, o ego do homem, que pensa, sente e deseja, com especial atenção à responsabilidade diante de Deus, que o NT denota mediante o emprego de kardia”

O ensino de Paulo nesse texto é de como Deus quer e pode guardar todas as nossas fontes de vida interior para que tenhamos uma vida equilibrada, manifestada por meio de uma nova natureza, gerada em Cristo Jesus. E a nova criatura mencionada em 2 Coríntios 5.17. 

2Co 5:17  E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas. 

Nessas “coisas velhas”, estão incluídos pensamentos, sentimentos e vontades, os quais agora devem ser novos em Cristo. Esse deve ser o alvo de todo o cristão.

A vida cristã não se limita ao campo da razão, mas abrange também o universo das emoções e sentimentos. O ser humano, criado à imagem de Deus, é um ser integral, físico, racional, espiritual e afetivo.

A Palavra de Deus nos mostra que Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, também experimentou emoções puras e santas. Ele sentiu compaixão pelas multidões que estavam como ovelhas sem pastor (Mt 9:36)


Mat 9:36  Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor. 


 e derramou lágrimas de tristeza diante do sepulcro de Lázaro (Jo 11:35). 

Joã 11:35  Jesus chorou. 

Isso nos ensina que sentir não é pecado, mas que a maneira como reagimos e conduzimos nossas emoções é o que define se glorificamos a Deus ou se abrimos espaço para o pecado.


1 - O HOMEM, UM SER AFETIVO

1. Propósitos do estudo

Como já ressaltado, o propósito central do estudo da Antropologia Bíblica é uma compreensão correta do homem como um ser integral para um viver equilibrado (espírito, alma e corpo) à luz da Palavra de Deus. 


Isso inclui entender o que são emoções e sentimentos e como podem e devem ser compatibilizados entre si. A luta interna em torno dos pensamentos está relacionada à gestão das emoções e sentimentos, pela profunda conexão que há entre o que pensamos e o que sentimos, além da relação desses fenômenos

com a vontade e as decisões humanas. Pensar, sentir, desejar e agir. Nada em nós pode estar fora do propósito de amar a Deus, servi-lo e adorá-lo (SI 103.1; Mc 12.30).


Slm 103:1  Salmo de Davi Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga ao seu santo nome. 


Mar 12:30  Amarás, pois, o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma, de todo o teu entendimento e de toda a tua força. 


No capítulo anterior, estudamos sobre os pensamentos e como eles podem influenciar nossos sentimentos, nossa vontade e, consequentemente, nossas decisões. Observamos que há, sim, uma forte correlação entre essas faculdades da alma em processos complexos, nem sempre iguais. Neste capítulo, abordaremos a parte afetiva do ser humano buscando definir e diferenciar emoções e sentimentos e compreender a sua importância na experiência humano-espiritual. Apresentaremos uma visão bíblica com aplicações práticas para um viver diário saudável e equilibrado, guiado pelo Espírito Santo.


1. O que significa "ser afetivo?"

O termo afetivo realmente deriva de affectus, que significa estado da alma, disposição ou sentimento. Ser afetivo implica na capacidade de experimentar e expressar sentimentos e emoções. Fomos criados com a capacidade de experimentar e expressar afeto [3], Afeto → o estado ou a manifestação de um sentimento ou emoção (pode ser positivo ou

negativo: amor, ódio, inveja, compaixão). tanto para com Deus quanto para com o nosso próximo.

Gênesis 1:27 declara que fomos feitos à imagem de Deus, e a Escritura revela que o próprio Deus tem afeições e emoções (Sl 103:8; Jo 3:16).


Gên 1:27  Deus, portanto, criou os seres humanos à sua imagem, à imagem de Deus os criou: macho e fêmea os criou. 


Slm 103:8  O SENHOR é misericordioso e clemente, lento para a cólera, mas paciente e generoso em seu amor. 


Joã 3:16  Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho Unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna. 


Nossa capacidade de amar, chorar, ter compaixão é sentir alegria reflete, de forma distorcida pelo pecado, mas ainda presente, algo do nosso Criador.

O pecado afetou todas as áreas do nosso ser, incluindo nossas

afeições [4], 4 Afeição → Sentimento de carinho, amizade, amor por alguém. A afeição é o movimento da alma em direção ao próximo, marcado pelo amor, compaixão e ternura. tornando-as, muitas vezes, egoístas e desordenadas (Tg 4:3-4).

Tgo 4:3  E quando pedis não recebeis, porquanto pedis com a motivação errada, simplesmente para esbanjardes em vossos prazeres. 

Tgo 4:4  Adúlteros! Ou não estais cientes de que a amizade com o mundo é inimizade contra Deus? Ora, quem quer ser amigo do mundo torna-se inimigo de Deus. 

O novo nascimento em Cristo, no entanto, é a restauração dessa capacidade, para que nossas emoções e afetos sejam direcionados para a glória de Deus e para o bem do próximo.


2. Definição de emoção

A emoção é definida como uma resposta psicofisiológica[5] 5 O termo "psicofisiológico" refere-se às interações entre processos psicológicos (o que

pensamos e sentimos) e fisiológicos (como o corpo responde). Exemplo: Tristeza profunda (processo mental) → falta de apetite, perda de energia (reação fisiológica). que manifesta a reação da alma humana diante das circunstâncias da vida. Ela é um movimento complexo,desencadeado por estímulos externos (como eventos e interações) ou internos (como pensamentos e memórias).

Essa reação se expressa em três níveis interligados:


✓ Nível interior: A experiência subjetiva do sentimento (alegria, tristeza, medo).

✓ Nível fisiológico: As reações físicas do corpo (aceleração do coração, choro,

sudorese).

✓ Nível exterior: O comportamento e a expressão visível (sorrir, chorar, fugir, indignar-se).


Exemplo prático: diante de uma boa notícia inesperada, a mente reconhece a

situação como positiva (psicológico), o corpo reage com sorriso, aumento da energia e sensação de bem-estar (fisiológico) e a pessoa expressa alegria, abraçando ou agradecendo a Deus (comportamental).


A Bíblia confirma que o homem sente profundamente. Exemplos: Davi se alegrou no Senhor (Sl 32:11),

Slm 32:11  Alegrai-vos no SENHOR, ó justos, e cantai bem alto, vós todos que sois retos de coração! 


 Elias temeu e fugiu (1 Rs 19:3), 

1Rs 19:3  O que vendo ele, se levantou, e, para escapar com vida, se foi, e veio a Berseba, que é de Judá, e deixou ali o seu moço. 


Jesus chorou (Jo 11:35). 

Portanto,a emoção não é contrária à fé, mas deve ser submetida ao governo de Deus.

3. Exemplos Bíblicos de emoções

(1) Alegria: 

É uma emoção positiva que surge de experiências agradáveis, como conquistas ou relacionamentos. Ela promove bem-estar, libera endorfinas e é expressa por sorrisos e risos, ajudando a fortalecer laços sociais. Para o cristão, não depende de circunstâncias, mas da presença do Senhor (Fp 4:4). 

Flp 4:2  Suplico a Evódia e a Síntique que restabeleçam a boa convivência no Senhor. 

É o fruto do Espírito que se manifesta mesmo em meio às tribulações (1 Pe 1:8).

1Pe 1:8  Pois, mesmo sem tê-lo visto, vós o amais; e ainda que não estejais podendo contemplar seu corpo neste momento, credes em sua pessoa e exultais com indescritível e glorioso júbilo. 


(2) Tristeza: 

Uma emoção legítima, experimentada até por Jesus em face da morte

(Jo 11:35).

Joã 11:35  Jesus chorou. 

(3) Ira: 

Uma emoção poderosa. A Bíblia reconhece a ira justa (Mc 3:5), 

(Mar 3:5)  Indignado, olhou para os que estavam ao seu redor e, profundamente entristecido com a dureza do coração deles, ordenou ao homem: “Estende a tua mão”. Ele a estendeu, e eis que sua mão fora restaurada.


mas adverte severamente contra a ira pecaminosa que leva ao rancor e ao pecado (Ef 4:26).

Efs 4:26  “Estremecei de ira, mas não pequeis”, acalmai a vossa raiva antes que o sol se ponha, 

(4) Medo: 

Uma resposta natural ao perigo. Contudo, o crente é exortado a não temer, pois o Senhor está conosco (Is 41:10; 2 Tm 1:7). 

Isa 41:10  Por isso não temas, porque estou contigo; não te assustes, porque sou o teu Deus; Eu te fortaleço, ajudo e sustento com a mão direita da minha justiça. 

2Tm 1:7  Porquanto, Deus não nos concedeu espírito de covardia, mas de poder, de amor e de equilíbrio. 


O medo pecaminoso é a falta de confiança em Deus.


(5) Compaixão: 

A emoção de sentir o sofrimento do outro, como Jesus sentiu pelas multidões (Mt 9:36). É o ponto de partida para a misericórdia e a ação de graça.

Mat 9:36  Ao ver as multidões, Jesus sentiu grande compaixão pelas pessoas, pois que estavam aflitas e desamparadas como ovelhas que não têm pastor. 


(6) Amor: ,

A mais sublime das emoções, que na Bíblia é descrita também como uma

decisão (1 Co 13:4-7). 

1Co 13:4  O amor é paciente; o amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, nem é arrogante. 

1Co 13:5  Não se porta de maneira inconveniente, não age egoisticamente, não se enfurece facilmente, não guarda ressentimentos. 

1Co 13:6  O amor não se alegra com a injustiça, pois sua felicidade está na verdade. 

1Co 13:7  Tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta.


É o fundamento de nosso relacionamento com Deus e com o próximo (1 Jo 4:7-8).

1Jo 4:7  Amados, amemos uns aos outros, pois o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido e conhece a Deus. 

1Jo 4:8  Aquele que não ama não conhece a Deus, porquanto Deus é amor. 


(7) Inveja: 

A tristeza pela felicidade alheia, um sentimento destrutivo condenado na Palavra (Gl 5:21). É um claro exemplo de como uma emoção pecaminosa pode dominar o coração.

Gál 5:21  inveja; embriaguez, orgias e tudo quanto se pareça com essas perversidades, contra as quais vos advirto, como já vos preveni antes: os que as praticam não herdarão o Reino de Deus! 



4. O conceito de "sentimentos"

O sentimento pode ser definido como a experiência consciente e subjetiva da emoção.

Ele é a forma como percebemos e interpretamos a nossa reação emocional. É o processo de dar nome e sentido ao que sentimos, como "alegria", "medo" ou "tristeza".


Exemplo: Amor como sentimento.


O amor surge de emoções iniciais como atração (emoção breve e física, com batimentos acelerados), mas evolui para um sentimento profundo e duradouro, baseado em compromisso, respeito e memórias compartilhadas. Ele guia decisões de longo prazo, como em um casamento, onde o sentimento de amor sustenta a relação mesmo sem a intensidade emocional constante. Essa distinção é preciosa porque ajuda a entender que emoções passageiras não definem relacionamentos, mas sentimentos cultivados sim, promovendo estabilidade emocional e espiritual.


A Relação entre ‘emoção’ e ‘sentimento’

✓ A emoção é o que "acontece a nós"; o sentimento é o que "nós percebemos" que está acontecendo. A emoção precede o sentimento. A emoção é o movimento físico e psíquico que a alma humana experimenta, enquanto o sentimento é a consciência que a alma tem desse movimento.


✓ O sentimento é a forma como a alma interpreta sua própria reação, permitindo-nos refletir sobre ela, orar a respeito dela e agir de forma intencional e não apenas reativa.


Em resumo:

Emoção: Resposta primária e automática (o que o corpo faz).

Sentimento: Consciência e interpretação da emoção (o que a alma sente e pensa sobre o que o corpo fez).


5. Inveja, ira e ódio

O rol de emoções negativas cresceu com a tragédia envolvendo Caim e o seu irmão Abel. Em Caim, é vista a emoção da ira, transformada em ódio ao irmão, que ficou estampado no seu rosto (Gn 4.5).

 Gên 4:5  Todavia, não se agradou de Caim e de sua oferenda; e, por esse motivo, Caim ficou muito irado e seu semblante assumiu uma expressão maligna. 


Pelo texto, fica claro que houve na emoção as características de intensidade e duração, dois dos atributos mencionados por Heidbreder como próprios das emoções. (Trata-se, ademais, de um claro exemplo de reação fisiológica (Gn 4.6), que é a resposta do corpo a uma emoção.


As reações fisiológicas produzidas pelas emoções podem ser as mais diversas, dentre as quais o aumento da frequência cardíaca, respiração acelerada, transpiração, boca seca, pupilas dilatadas, mãos e pés frios, náuseas, diarréia e tensão muscular. Ekman (ibid., p. 36,37) analisa esse momento de manifestação da emoção no corpo tendo como exemplo a iminência de um acidente de trânsito:


No momento em que uma emoção começa, ela se apodera de você nos primeiros milésimos de segundo, comandando o que você faz, diz e pensa. 


Sem escolher fazer isso, você vira o volante automaticamente para evitar a colisão, pressionando o pedal do freio com o pé. Ao mesmo tempo, uma expressão de medo atravessa seu rosto: sobrancelhas levantadas e unidas, olhos arregalados e boca esticada para trás, na direção das orelhas. O coração começa a bater aceleradamente, você começa a transpirar e o sangue corre para os grandes músculos das pernas. Observe que você teria feito aquela expressão facial mesmo se não houvesse ninguém sentado no carro, da mesma forma que seu coração bateria mais rápido se você não se envolvesse em algum esforço físico repentino, exigindo maior circulação sangüínea. Essas respostas acontecem porque, ao longo de nossa evolução, se tornou útil para os outros saber quando sentimos perigo e, também, estar preparado para fugir em ocasiões assim.


Ainda sobre o exemplo de Caim, é importante observar que, mesmo com o sentimento ruim instalado e agravado na sua alma, ele tinha a possibilidade de desviar-se do curso para o qual o seu perverso intento apontava. Mesmo advertido por Deus (Gn 4.7), Caim permitiu que a emoção fosse transformada num sentimento de ódio e matou o próprio irmão (4.8). Ele passou a viver outros sentimentos negativos, como culpa e medo, que o acompanhariam por toda a vida (4.10-14).


II - EMOÇÕES: EXPERIÊNCIA E CONTROLE

1. Reação e decisão

“Irai-vos, e não pequeis; não se ponha o sol sobre a vossa ira” (Ef 4:26).


A ira é uma emoção legítima, inerente à nossa condição humana, mas Paulo adverte que ela deve ser controlada. A palavra “irai-vos” aqui não é uma licença para pecar, mas uma constatação de que o crente pode sentir ira diante da injustiça e do pecado. Contudo, o perigo está em deixar que a ira se transforme em amargura, vingança ou ressentimento. O controle se dá pela decisão espiritual de não permitir que a ira ultrapasse o limite do dia, isto é, não guardar rancor. O crente deve reagir em santidade e decidir em submissão ao Espírito Santo.


Aplicação: precisamos discernir quando nossa ira é justa (contra o pecado) e quando é carnal (contra pessoas). A primeira deve nos levar à oração e ação justa; a segunda deve ser abandonada imediatamente.


2. Emoção e pecado

As emoções em si não são pecaminosas, pois Deus nos criou com a capacidade de sentir. O problema surge quando emoções descontroladas ou mal direcionadas se transformam em pecado.

 Por exemplo, tristeza pode conduzir ao arrependimento (2 Co 7:10), 

2Co 7:10  Porque a tristeza segundo Deus opera arrependimento para a salvação, da qual ninguém se arrepende; mas a tristeza do mundo opera a morte.

mas também pode levar ao desespero. 

Alegria pode ser santa (Sl 126:3), mas também pode se tornar mundana e profana (Lc 6:25).

Slm 126:3  Grandes coisas fez o SENHOR por nós, e, por isso, estamos alegres. 


Luc 6:25  Ai de vós, os que estais fartos, porque tereis fome! Ai de vós, os que agora rides, porque vos lamentareis e chorareis! 


Aplicação: devemos aprender a submeter nossas emoções à Palavra de Deus, discernindo quando elas nos inclinam para o bem ou quando são instrumentos do inimigo para nos fazer tropeçar.


3. Emoções e sentimentos pecaminosos de Nabal (1 Samuel 25)

Nabal era um homem “áspero e maligno nas suas obras” (1 Sm 25:3). Quando Davi enviou mensageiros pedindo alimento, Nabal respondeu com arrogância e desprezo, quase trazendo ruína para sua casa, se não fosse a intervenção de Abigail.


A) Emoções de Nabal (reação imediata) Orgulho ferido – Ao receber o pedido de Davi, Nabal reagiu com raiva e menosprezo: “Quem é Davi? Quem é o filho de Jessé?” (v.10).


Emoção: desdém imediato, resposta impulsiva de hostilidade.


Ira – Sentiu-se provocado pela solicitação, reagindo com dureza.


Emoção fisiológica provável: voz exaltada, semblante carregado.

Medo e choque – Quando Abigail o informa sobre o risco que corria, e mais ainda ao saber da morte que Davi poderia trazer, Nabal “desmaiou o seu coração, e ficou ele como pedra” (v.37).


Emoção de terror súbito, reação psicofisiológica aguda.


B) Sentimentos de Nabal (estado duradouro)


Avareza – Seu apego às riquezas o impedia de compartilhar, mesmo podendo fazê-lo com facilidade. Esse sentimento profundo moldava suas escolhas.


Soberba – Um estado contínuo de altivez e autossuficiência. Não via necessidade de mostrar gratidão ou humildade diante de Davi.


Insensibilidade – Uma disposição afetiva fria, sem compaixão pelos necessitados.


Hostilidade – A atitude ríspida com os servos de Davi mostra uma disposição enraizada, não apenas uma explosão momentânea.


Consequências: 

Suas emoções pecaminosas quase resultaram em tragédia, sendo salvo apenas pela sabedoria de Abigail.

Morreu dez dias depois, possivelmente de derrame, demonstrando como as emoções descontroladas podem ter consequências físicas devastadoras.


Aplicação: emoções descontroladas podem gerar consequências trágicas não

apenas para nós, mas também para os que nos cercam. Devemos vigiar contra a insensatez e cultivar a humildade.


III - SENTIMENTOS GUARDADOS POR DEUS

A Bíblia ensina que Deus não apenas nos oferece proteção física e espiritual, mas também cuida do nosso interior emocional e afetivo. 


Em Filipenses 4:4-7, Paulo revela uma metodologia prática e espiritual para que nossos sentimentos sejam guardados pela paz de Deus, que excede todo entendimento.

Flp 4:4  Regozijai-vos, sempre, no Senhor; outra vez digo: regozijai-vos. 

Flp 4:5  Seja a vossa eqüidade notória a todos os homens. Perto está o Senhor. 

Flp 4:6  Não estejais inquietos por coisa alguma; antes, as vossas petições sejam em tudo conhecidas diante de Deus, pela oração e súplicas, com ação de graças. 

Flp 4:7  E a paz de Deus, que excede todo o entendimento, guardará os vossos corações e os vossos sentimentos em Cristo Jesus. 


1. A falsa autonomia humana

A Bíblia apresenta várias passagens sobre a necessidade que temos de que Deus guarde nosso coração, o que inclui nossos sentimentos. No Salmo 121.7, o salmista roga que o Senhor guarde a sua alma. No Salmo 62.5, Davi expressa: “O minha alma, espera somente em Deus, porque dele vem a minha esperança”. No texto bíblico introdutório deste capítulo (Fp 4.7), Paulo menciona que o Deus de paz guarda nossos corações. Essa dependência, contudo, não é vista na maioria dos seres humanos. Como em tantas outras áreas da vida, no aspecto das emoções e dos sentimentos, o homem prefere acreditar na sua própria capacidade. O mercado está cheio de conteúdo sobre inteligência e gestão emocional. São diversas as técnicas com as quais se promete o reconhecimento, a compreensão e o controle não só das próprias emoções, mas também das dos outros. É uma espécie de novo racionalismo: a crença no poder da razão em relação aos sentimentos.


O cristão tem como auxílio a presença do Espírito Santo, que, operando muito além da inteligência humana, age em nosso espírito e inunda nossa alma, produzindo o seu fruto, que inclui a temperança ou domínio próprio. Assim, mais do que inteligência emocional, precisamos ter esse controle espiritual. O termo grego para temperança é enkratàa. Conforme Vine (p. 1012), refere-se à operação do Espírito de Deus controlando nossa vontade, para que não ocorra abuso, como é a tendência do homem. Conforme o dicionarista explica, Deus concede várias capacidades ao homem, as quais são passíveis de abuso. O uso correto delas só acontece mediante o controle divino. Agindo em nós, o Espírito de Deus faz com que nossas emoções não tenham mal uso. Sem a ação divina controladora, o homem jamais consegue conter as suas emoções satisfatoriamente.


2. Obediência, humildade e oração

Um aspecto fundamental na vitória sobre nossas emoções é trilhar o caminho da obediência e da humildade. Não podemos esperar que nossas emoções sejam apenas positivas ou que estejam sempre alinhadas com a vontade de Deus. Todos estamos sujeitos a emoções negativas, inclusive com potencial de causar-nos grandes prejuízos. Por isso, jamais podemos ser guiados por nossas emoções ou sentimentos. Precisamos conhecer, acima de tudo, qual é a vontade de Deus e segui-la integralmente. O maior de todos os exemplos é o de Cristo, citado por Paulo em Filipenses, a mesma carta em que enuncia que o Deus de paz guarda nosso coração. O apóstolo exorta-nos a ter o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus, cuja vida foi marcada pela disposição de completa obediência ao Pai (Fp 2.5-8).

Flp 2:5  De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus, 

Flp 2:6  que, sendo em forma de Deus, não teve por usurpação ser igual a Deus. 

Flp 2:7  Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; 

Flp 2:8  e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz. 

Jesus experimentou profundas emoções negativas no Getsêmani. Os evangelistas Mateus, Marcos e Lucas retratam a cena mencionando tristeza,angústia, pavor e agonia; todas em grau intenso, ao ponto de o seu suor transformar-se em grandes gotas de sangue (Mt 26.37; Mc 14.33; Lc 22.44). 


Apesar de todo esse sofrimento, Jesus tomou a decisão correta: entregou-se para cumprir a vontade do Pai (ver Lc 22.42). Jesus não negou seus sentimentos. Expressou-os. Mas não escolheu segui-los. Decidiu obedecer. E foi obediente até a morte de cruz. Esta deve ser a nossa firme disposição: não viver de acordo com nossas emoções ou sentimentos, mas segundo a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. 


Aplicação prática

• Cultive hábitos espirituais que mantenham o coração centrado em Deus, como meditação na Palavra e louvor.

• Reconheça que a paz não depende de circunstâncias externas, mas da comunhão com Cristo.


Conclusão


Emoções e sentimentos fazem parte da vida cristã. Não devemos negá-los, mas submetê-

los ao senhorio de Cristo. O equilíbrio interior é fruto da ação conjunta da graça de Deus e da responsabilidade humana. Que possamos, então, em cada alegria e em cada tristeza, em cada momento de ira ou de paz, levar nossos sentimentos ao Trono da Graça, confiando que Aquele que começou a boa obra em nós a aperfeiçoará até o dia de Cristo Jesus (Fp 1:6).


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