LIÇÃO 12 O FILHO E O ESPÍRITO
PROFESSOR: PR FERNANDO PESSOA
INTRODUÇÃO:
0 plano da salvação não é uma obra isolada, mas uma ação conjunta, coordenada em perfeita harmonia pelo Pai, pelo Filho e pelo Espírito Santo.
A Escritura revela que a Trindade age inseparavelmente em favor da redenção da humanidade. Essa verdade bíblica revela não apenas a unidade trinitária, mas também a economia da salvação, isto é, a forma como cada Pessoa divina age de maneira distinta, mas inseparável, na obra redentora.
A unidade perfeita da Trindade no plano da salvação é um testemunho de que Deus é ao mesmo tempo um só em essência e trino em pessoa, agindo com propósito eterno e amor redentor (Ef 1.9-10).
Efs 1:9 descobrindo-nos o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que propusera em si mesmo,
Efs 1:10 de tornar a congregar em Cristo todas as coisas, na dispensação da plenitude dos tempos, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra;
Esse capítulo mostra como o Espírito Santo participa ativamente desde a encarnação do Filho, sua obra redentora, sua ressurreição e exaltação (Jo 3.16; Rm 8.11; Ef 1.4-7), bem como enfatiza a resposta esperada de cada crente à obra de redenção.
Joã 3:16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Efs 1:4 como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em caridade,
Efs 1:5 e nos predestinou para filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,
Efs 1:6 para louvor e glória da sua graça, pela qual nos fez agradáveis a si no Amado.
Efs 1:7 Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a remissão das ofensas, segundo as riquezas da sua graça,
Rom 8:11 E, se o Espírito daquele que dos mortos ressuscitou a Jesus habita em vós, aquele que dos mortos ressuscitou a Cristo também vivificará o vosso corpo mortal, pelo seu Espírito que em vós habita.
1 - O ESPÍRITO E A CONCEPÇÃO DO FILHO
1. O Anúncio do Nascimento de Jesus
O evangelista Lucas, com rigor histórico e teológico, registra que o anjo Gabriel foi enviado por Deus a Nazaré da Galileia para anunciar a uma jovem chamada Maria o nascimento do Salvador (Lc 1.26-27). A mensagem divina rompe o silêncio dos séculos e inaugura a plenitude dos tempos (G1 4.4).
O anjo declara: “E eis que em teu ventre conceberás, e darás à luz um filho, e pôr-lhe-ás o nome de Jesus" (Lc 1.31). O anúncio contém três elementos fundamentais para a doutrina da encarnação do verbo de Deus: a concepção, o nascimento e a identidade da criança.
A concepção de Jesus foi um ato miraculoso de Deus. Paulo disse que a encarnação de Cristo foi um milagre e a chamou de “mistério da piedade” (1 Tm 3.16).'
Maria concebeu pelo poder do “Espírito Santo”, cuja obra é santificar, e, portanto, santificou a virgem, para esse propósito (Lc 1.35).
A virgem (1.27)
Luc 1:27 a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria.
O anjo não é enviado a Roma, a sede do poder político. Não é enviado a Jerusalém, a sede do poder religioso. Não é enviado ao palácio, para falar aos poderosos ou aos ricos daquela época. Mas é enviado a uma jovem pobre, noiva de um homem pobre, numa cidade pobre, marcada pelo desprezo.
A cidade natal de Maria é Nazaré, com uma população de apenas algumas centenas de pessoas. Nazaré era tão obscura que nunca é mencionada no
Antigo Testamento nem na lista de Josefo das 56 cidades da Galileia. Nazaré tampouco é mencionada no Talmude, que lista 63 cidades.
Henry anota que a criança não seria “concebida da maneira normal, porque ela não deveria compartilhar da corrupção e da contaminação comuns da natureza humana [...] A sua natureza humana deveria ser produzida desta maneira, como era adequado que fosse, pois se uniria à natureza divina”
O nascimento de Jesus, embora precedido por uma concepção sobrenatural (Mt 1.18,20; Lc 1.35),
Mat 1:18 Ora, o nascimento de Jesus Cristo foi assim: Estando Maria, sua mãe, desposada com José, antes de se ajuntarem, achou-se ter concebido do Espírito Santo.
Mat 1:19 Então, José, seu marido, como era justo e a não queria infamar, intentou deixá-la secretamente.
Mat 1:20 E, projetando ele isso, eis que, em sonho, lhe apareceu um anjo do Senhor, dizendo: José, filho de Davi, não temas receber a Maria, tua mulher, porque o que nela está gerado é do Espírito Santo.
ocorreu de forma natural por meio do ventre de Maria, como qualquer outro parto. Lucas registra que “cumpriram-se os dias [...] E [Maria] deu à luz o seu filho” (Lc 2.6-7).
Paulo reforça essa realidade ao afirmar que o Filho eterno foi “nascido de mulher” (G14.4), destacando sua plena humanidade. Assim, embora concebido milagrosamente, Jesus foi gerado, nasceu e cresceu dentro das condições normais da experiência humana (Lc 2.40,52), sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem.
O anjo declara que o nome da criança seja Jesus e sua identidade divina é confirmada pelo título messiânico: “Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo” (Lc 1.32). Essa expressão não apenas revela a filiação divina de Jesus, mas o apresenta como o herdeiro do trono de Davi (2 Sm 7.12-16; Is 9.6-7).
2Sm 7:12 Quando teus dias forem completos, e vieres a dormir com teus pais, então, farei levantar depois de ti a tua semente, que procederá de ti, e estabelecerei o seu reino.
2Sm 7:13 Este edificará uma casa ao meu nome, e confirmarei o trono do seu reino para sempre.
2Sm 7:14 Eu lhe serei por pai, e ele me será por filho; e, se vier a transgredir, castigá-lo-ei com vara de homens e com açoites de filhos de homens.
2Sm 7:15 Mas a minha benignidade se não apartará dele, como a tirei de Saul, a quem tirei de diante de ti.
2Sm 7:16 Porém a tua casa e o teu reino serão firmados para sempre diante de ti; teu trono será firme para sempre.
Maria demonstra perplexidade, não entende como isso podería acontecer uma vez que era virgem (Lc 1.34).
A esse respeito o anjo lhe assegura: “para Deus nada é impossível” (Lc 1.37). Na sequência o texto afirma que ela creu e na mais completa confiança e submissão declarou: “Eis aqui a serva do Senhor; cumpra-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1.38).
2. O Espírito como Agente da Concepção
Diante da mensagem inusitada de sua gravidez, Maria indagou ao anjo Gabriel: “Como se fará isso, visto que não conheço varão?” (Lc 1.34), Essa pergunta não pode ser lida com conotação de dúvidas ou incredulidade, apenas demonstra a perplexidade da virgem acerca de como a concepção iria acontecer sem a intervenção de um homem.
O teólogo da Reforma Filipe Melanchthon endossa o que já foi afirmado, isto é, “Deus desejou que Cristo nascesse sem a união física de um homem e uma mulher, para que sua concepção se realizasse sem pecado”.4 5 A explicação que o anjo faz de como seria a concepção é singular e miraculosa: “Descerá sobre ti o Espírito Santo” (Lc 1.35a).
O “Espírito Santo” está vinculado à virtude do .Altíssimo que te cobrirá com a sua sombra” (Lc 1.35b). A resposta é expressa na forma de paralelismo sinonímico, uma figura de linguagem em que a segunda linha repete a ideia da primeira. A “sombra”, como já visto nesta obra, diz respeito à presença de Deus (Ex 40.35), reporta à nuvem que deu sombra como sinal da presença diVina na transfiguração (Lc 9.34) e sinaliza o poder criativo do Espírito de Deus (Gn 1.2; SI 104.30).
Slm 104:30 Envias o teu Espírito, e são criados, e assim renovas a face da terra.
Essa linguagem lucana é especialmente trinitária: o Altíssimo, o Filho de Deus e o Espírito Santo. No evento da anunciação, como um incentivo a sua fé, o anjo comunica a Maria da gravidez de Isabel: “Isabel, tua prima, concebeu um filho em sua velhice” (Lc 1.36a).
Todas as mulheres estéreis da história bíblica que engravidaram de modo sobrenatural prepararam o mundo para crer no milagre da concepção, inclusive de uma virgem esperando um filho A perplexa jovem do início da revelação angelical, após a minuciosa explicação, compreendeu o desígnio divino e não desacreditou das palavras do anjo. Como observa Horton, a grande lição das narra tivas da concepção e do nascimento de Jesus é a afirmação de que Ele é, ao mesmo tempo, Filho de Deus e filho de Maria.
Desde o princípio, o Espírito Santo foi o agente da concepção no ventre da virgem, revelando o profundo vínculo de Cristo com a terceira Pessoa da Trindade (Lc 1.34-35).
O exemplo de Maria, assim como o de Abraão, ensina o crente a não vacilar diante das promessas de Deus, mas a fortalecer-se na fé, dando glória ao Senhor (Rm 4.20-21).
Rom 4:20 E não duvidou da promessa de Deus por incredulidade, mas foi fortificado na fé, dando glória a Deus;
Rom 4:21 e estando certíssimo de que o que ele tinha prometido também era poderoso para o fazer.
3. A Pureza e a Santidade do Filho
No anúncio do anjo a Maria, uma declaração de caráter cristológico se destaca: “o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lc 1.35c).
A palavra “santo” (gr. hágios) significa “separado, consagrado”, e quando aplicado a Cristo, não apenas indica dedicação ao serviço divino, mas também exprime um atributo essencial da sua natureza (SI 99.9). Diferente da humanidade marcada pelo pecado, Jesus foi concebido pelo Espírito Santo e, portanto, nasceu já em estado de perfeita santidade, sem qualquer mancha ou corrupção (Hb 4.15).
Heb 4:15 Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado.
Ao atribuir o título de “santo” ao Filho desde o nascimento, o anjo não apenas descreve seu estado moral, mas confirma sua divindade intrínseca.
Assim sendo, a santidade de Cristo não é adquirida, mas inerente à sua missão:
(i) Obediência perfeita. Como segundo Adão, Cristo permaneceu justo e obediente, garantindo a justificação dos que creem (Rm 5.19; 1 Co 15.45);
Rom 5:19 Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos foram feitos pecadores, assim, pela obediência de um, muitos serão feitos justos.
1Co 15:45 Assim está também escrito: O primeiro homem, Adão, foi feito em alma vivente; o último Adão, em espírito vivificante.
(ii) Cordeiro imaculado. Sua santidade o qualificou para ser o sacrifício perfeito e sem defeito (1 Pe 1.19);
1Pe 1:19 mas com o precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro imaculado e incontaminado,
(iii) Redentor eficaz. Por ser santo, pôde oferecer-se de uma vez por todas em favor dos pecadores (Hb 10.10); e
Heb 10:10 Na qual vontade temos sido santificados pela oblação do corpo de Jesus Cristo, feita uma vez.
(iv) Modelo de santificação. Assim como foi concebido pelo Espírito, os crentes também nascem espiritualmente pelo mesmo Espírito e são conformados à imagem do Filho (Rm 8.29).
Rom 8:29 Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos.
II - O FILHO E SUA RELAÇÃO COM O ESPÍRITO
1.O Filho E o Verbo Feito Carne
A expressão “o Verbo se fez carne” (Jo 1.14) revela que o Filho eterno não teve início em Maria, mas entrou na história humana, manifestando sua pré-existência, divindade e participação na criação (Jo 1.1-3). A encarnação é a forma pela qual Deus realiza a redenção e revela a glória do Pai, cheia de graça e verdade.
Na “plenitude dos tempos” (Gl 4.4), o Filho assumiu a natureza humana sem deixar de ser Deus, estabelecendo a união hipostática: uma só Pessoa com duas naturezas, divina e humana, perfeitas e inseparáveis. Assim, a divindade de Cristo não foi reduzida, mas unida à humanidade.
Jesus submeteu-se às limitações humanas, mas permaneceu plenamente Deus (Jo 5.19). ,Joã 5:19 Mas Jesus respondeu e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer ao Pai, porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente.
Seu “esvaziamento” (Fp 2.6-8) não foi perda de atributos, mas renúncia ao uso independente deles, vivendo como servo. Durante seu ministério, atuou em dependência do Pai e no poder do Espírito Santo (Lc 4.18-19; Jo 5.19; At 10.38).
Luc 4:18 O Espírito do Senhor é sobre mim, pois que me ungiu para evangelizar os pobres, enviou-me a curar os quebrantados do coração,
Luc 4:19 a apregoar liberdade aos cativos, a dar vista aos cegos, a pôr em liberdade os oprimidos, a anunciar o ano aceitável do Senhor.
Ats 10:38 como Deus ungiu a Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e com virtude; o qual andou fazendo o bem e curando a todos os oprimidos do diabo, porque Deus era com ele.
A encarnação foi operada pelo Espírito Santo (Mt 1.20; Lc 1.35), evidenciando a perfeita harmonia entre Pai, Filho e Espírito na realização do plano redentor.
2. O Espírito Capacita o Filho
A encarnação do Verbo (Jo 1.14) revela que, embora plenamente Deus, Jesus viveu como verdadeiro homem, atuando em total dependência do Espírito Santo. Seu ministério foi marcado pela unção e capacitação do Espírito (Mt 12.28; Lc 4.18).
Toda a sua missão foi conduzida pelo Espírito: suas palavras tinham autoridade divina (Jo 3.34), Joã 3:34 Porque aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, pois não lhe dá Deus o Espírito por medida.
seus milagres eram realizados pelo poder de Deus (Lc 5.17), os demônios eram expulsos pela ação do Espírito (Lc 11.20) e o perdão era concedido com autoridade (Lc 5.24).
Essa realidade traz implicações importantes:
Cristológicas: Jesus, mesmo sendo Deus, humilhou-se e viveu em obediência, dependendo do Espírito (Fp 2.8);
Pneumatológicas: o Espírito atuou em toda a vida de Cristo — da concepção à ressurreição (Lc 1.35; Lc 3.22; Mt 4.1; At 10.38; Rm 8.11);
Soteriológicas: a obra da salvação foi realizada em comunhão com o Espírito (Hb 9.14; Tt 3.5-6);
Eclesiológicas: a Igreja deve cumprir sua missão no mesmo poder do Espírito (At 1.8).
Assim, Jesus, vindo como servo humilde (Fp 2.5-7), demonstrou que a obra do Reino só avança pela capacitação do Espírito Santo, que continua atuando na vida da Igreja por meio dos dons e para um testemunho eficaz (Lc 24.49; 1 Co 12.7-11).
3. O Filho e o Poder do Espírito
Os Evangelhos mostram que, embora sendo Deus, Jesus viveu em total dependência do Espírito Santo, revelando a humildade da encarnação e servindo como modelo para a vida cristã (Jo 6.38; Fp 2.6-8). Essa relação não diminui sua divindade, mas evidencia a união hipostática e sua obediência ao Pai no poder do Espírito.
No batismo, há a manifestação da Trindade, com o Espírito descendo sobre Ele e a voz do Pai confirmando sua missão (Lc 3.22). No deserto, como o “último Adão”, Cristo venceu a tentação pelo Espírito e pela Palavra (Mt 4.1; 1 Co 15.45).
Durante todo o seu ministério, Jesus foi sustentado pela unção do Espírito: seus milagres revelavam o Reino de Deus (Mt 12.28), sua vida foi de total submissão ao Pai (Jo 6.38), sua morte teve dimensão trinitária (Hb 9.14) e sua ressurreição ocorreu pelo poder do Espírito (Rm 8.11).
Assim, toda a obra de Cristo — da encarnação à ressurreição — revela a cooperação entre Pai, Filho e Espírito no plano da salvação. Esse padrão ensina que a missão do crente também deve ser vivida na dependência do Espírito Santo (Zc 4.6).
III - A TRINDADE E A MISSÃO REDENTORA
1. O Pai Envia o Filho e o Espírito
A Bíblia apresenta o Pai como a fonte e origem do plano da salvação, que, por amor, envia o Filho ao mundo para realizar a redenção (Jo 3.16; Gl 4.4-5). Esse envio não é apenas um comissionamento, mas uma missão sacrificial, na qual Cristo se oferece para resgatar a humanidade (Hb 9.14; At 10.38).
O amor do Pai é a base desse plano (1 Jo 4.9-10), e o Filho, o Verbo eterno, encarna-se para cumprir a lei e levar sobre si o pecado (Jo 1.14; 2 Co 5.21), consumando a obra redentora por meio de sua morte e ressurreição.
O Espírito Santo, que procede do Pai (Jo 15.26), atua ativamente em toda a salvação: desde a concepção de Jesus (Lc 1.35), passando por seu ministério (At 10.38), até aplicar os benefícios da redenção na vida dos crentes (1 Co 2.10-12; Rm 8.16).
Assim, a salvação é uma obra trinitária: o Pai planeja e envia, o Filho executa, e o Espírito aplica (1 Pe 1.2). Essa unidade perfeita revela uma única salvação, levando o cristão a viver na experiência do amor do Pai, da graça do Filho e da comunhão do Espírito Santo (2 Co 13.13).
2. O Espírito Revela e Exalta o Filho
A missão do Espírito Santo é revelar e exaltar Jesus Cristo, não a si mesmo. O próprio Jesus afirmou que o Espírito o glorificaria, tornando sua pessoa e obra conhecidas (Jo 16.14). Assim, o Espírito não fala de forma independente, mas comunica aquilo que pertence ao Filho, revelando sua verdade aos discípulos (Jo 16.14b).
Seu ministério vai além de lembrar ensinamentos: Ele leva o crente a compreender, internalizar e viver a verdade de Cristo, promovendo uma vida santificada (1 Co 2.12-13; 1 Ts 4.7-8). É o Espírito quem aplica a Palavra e transmite vida espiritual (Jo 6.63).
No contexto da Igreja, toda atuação do Espírito é cristocêntrica: Ele confirma a obra redentora de Cristo — sua morte, ressurreição e senhorio (1 Co 2.2; Rm 10.9; 1 Co 12.3). Por isso, qualquer manifestação espiritual verdadeira deve glorificar a Cristo e estar de acordo com as Escrituras (1 Jo 4.1-2).
Dessa forma, o Espírito testifica do Filho (Jo 15.26) e direciona a Igreja à centralidade de Cristo. Tudo o que não aponta para Jesus não procede do Espírito, pois toda sua obra é voltada para exaltar o Salvador (Jo 16.13).
3. A Fé e a Submissão do Crente
A salvação é uma obra trinitária, planejada por Deus e realizada pelo Pai, Filho e Espírito Santo, mas exige uma resposta humana de fé e submissão. Embora seja dom de Deus (Ef 2.8), o ser humano participa como receptor dessa graça, sendo reconciliado por meio de Cristo (2 Co 5.18).
A fé verdadeira envolve mais do que entendimento intelectual — é confiança e entrega total a Deus. O exemplo de Maria demonstra essa submissão, ao aceitar com fé a vontade divina (Lc 1.38).
Na perspectiva bíblica, a fé só é possível pela capacitação de Deus, mas o ato de crer é responsabilidade humana. Assim, a salvação une a graça divina com a resposta do homem em fé e obediência.
A submissão está diretamente ligada à fé, pois confiar em Deus significa entregar o controle da vida a Ele (Sl 37.5). Maria é um exemplo dessa atitude, ao aceitar com fé e humildade a vontade divina (Lc 1.38), demonstrando a postura que todo crente deve ter diante de Deus.
Assim como Cristo se submeteu ao Pai no poder do Espírito, o cristão também é chamado a confiar plenamente em Deus, crendo em seu poder (Lc 1.37). Essa resposta envolve: fé nas promessas de Deus (Hb 11.6), arrependimento de vida (At 17.30) e obediência prática à Palavra (Tg 1.22).
CONCLUSÃO
Reiteramos que a redenção é uma obra trinitária que revela a perfeita unidade e cooperação entre as Pessoas divinas. O Filho, embora sendo Deus, submeteu-se ao Pai e agiu no poder do Espírito. Ao contemplarmos essa harmonia divina, somos convidados a uma resposta de fé genuína em Cristo, submissão voluntária à vontade do Pai e obediência perseverante à direção do Espírito Santo em nosso viver diário.
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